Durante
a realização da primeira Oficina
do Livro, cujo tema eram os direitos da criança,
surgiu uma discussão sobre a necessidade
de os textos dos alunos serem corrigidos antes
de ser feita a impressão definitiva do
livro.
Chegou até nós um exemplo de um
aluno que escreveu “caxorro” e recebeu
o livro impresso com a palavra grafada dessa forma.
Quanto à necessidade de correção,
existem duas opiniões mais correntes:
- Como se trata de uma atividade em que a criatividade
é solicitada, cada texto é original,
e qualquer espécie de revisão afeta
o aluno. Essa é uma opinião radical,
e parece-nos que o bom senso indica a alternativa
a seguir;
- A revisão é necessária,
principalmente para a correção dos
erros ortográficos e gramaticais mais sérios.
Já a interferência em relação
ao conteúdo e ao desenrolar da história
é mais criticável, pois pode alterar
o significado de um texto.
Uma vez decidido que há necessidade de
fazer uma revisão embasada no bom senso,
é preciso levar em conta outros aspectos:
- O processo de revisão exige que se conheça
o estudante. Conforme a faixa etária, o
grau de acerto que se pode exigir é maior
ou menor. Além disso, existem alunos específicos
para quem qualquer correção pode
ser até mesmo traumática e provocar
a perda de vontade de participar de atividades
do mesmo gênero;
- Cada professor sabe o que pode ser exigido
de seus alunos, quais são mais sensíveis
a críticas, quais cometeram erros por distração,
etc.
Dessa forma, fica claro que o processo de revisão
em uma atividade dessas, especialmente na Educação
Infantil e nas séries iniciais, não
pode ser feito de forma impessoal, e cada caso
exige determinado tratamento. Por isso, acreditamos
que não cabe ao portal realizar esse trabalho
e, sim, a cada escola e educador.
Na verdade, entendemos a Oficina do Livro como
uma atividade altamente motivadora que, justamente
por dar origem a um material impresso, incentiva
ainda mais os alunos a escrever de maneira correta.
A atividade de correção, que pode
ser feita por meio da impressão de cada
texto, na escola, antes do envio da versão
final, é uma ótima chance de conduzir
um trabalho de alto valor educativo.
Assim, acreditamos que a responsabilidade pela
correção dos textos da Oficina do
Livro deve ser de cada escola. Sabemos que isso
provoca algumas dificuldades, mas também
temos convicção de que esse é
mais um desafio que só leva a um aumento
da qualidade do trabalho educativo.
Para auxiliar os professores nessa tarefa, estamos
oferecendo alguns recursos que podem ser acessados
pelo Gerenciador de Oficinas. Um deles é
a possibilidade de deixar “ativa”
uma ferramenta automática de revisão
ortográfica que se limita a corrigir erros
de grafia; e a outra, a de o professor visualizar
e editar os textos elaborados por seus alunos
antes que eles sejam impressos pelo portal. Nesse
caso, é o professor quem define o quanto
deve interferir nas produções dos
estudantes. Mesmo oferecendo esses recursos para
correções dos textos, nossa recomendação
é que as idéias originais dos alunos
sejam preservadas e os livros possam mostrar o
jeito como cada criança e adolescente escreve
em determinada idade.
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