Dois
nomes importantes para a pedagogia estão
por trás da concepção dessa
proposta:
* O pedagogo francês Célestin Freinet
(1896-1966), grande renovador da escola, que tinha
uma proposta que chamava de “Método
Natural”. Em resumo, ele dizia que a escola
ensinava de modo mecânico e desprovido de
significado e que deveria seguir mais o exemplo
de aprendizagens extra-escolares. Assim, afirmava
Freinet, temos de levar em conta que o melhor
modo de aprender a andar é andando; a melhor
forma de aprender a falar é falando; e,
conseqüentemente, o melhor modo de aprender
a escrever é escrevendo! Em suas experiências
inovadoras e bem-sucedidas, Freinet usou a autoria
de jornais e livros com um recurso importante
para ensinar a ler e a escrever.
* Outra fonte é o psicólogo bielo-russo
Lev S. Vygotsky (1896–1934), que, com sua
teoria de aprendizagem que atribui um papel decisivo
às interações sociais, inspira
todas as iniciativas em que as atividades escolares
possuem uma função prática
(escrevemos um “livro” para ser lido
pelos outros) e há interações
do aprendiz com pessoas que ele admira e que são
referência de qualidade (por exemplo, artistas
como Ziraldo e Luís Fernando Verissimo,
dois parceiros das Oficinas do Texto).
Inspirados nesses autores e em outros que pertencem
à mesma linha psicológica e pedagógica
e cientes de que um dos desafios de ensinar a
ler e a escrever é evitar que o processo
resulte em uma aprendizagem que não desperta
o interesse genuíno por essas atividades,
criamos as primeiras experiências de autoria
de “livros” e “jornais”
em nossas oficinas.
Os resultados que observamos nos primeiros anos
nos mostraram que a participação
nessas atividades oferece grande motivação
para fazer pesquisas, análises, reflexões
e para o exercício da criatividade. Elas
levam crianças e adolescentes a escrever
com interesse e oferecem situações
divertidas e significativas de contato prazeroso
com a linguagem escrita. |