Alunos 1ª a 4ª séries > Profissões - Entrevista Interativa
 
início
minha página
índice
   
 

Para ser um bom humorista, é preciso estar atento a tudo, pois tudo pode virar uma boa piada, desde uma velhinha parada no ponto de ônibus até o jeito de falar de um taxista.

saiba mais +

 

Como é representar para alguém que não lhe dá retorno?
Não há como negar que, com uma platéia dura, tudo fica mais difícil, e isso acaba refletindo-se na interpretação. É importante tomar cuidado para que isso não interfira no andamento e no tempo do show e ser insistente: uma hora alguém vai rir, nem que seja por pena.   

Como é apresentar um show quando no íntimo se está triste?
É comum isso acontecer, pois ninguém é superanimado todo dia. Eu já trabalhei como guia de excursão, uma profissão que exige simpatia a todo o momento. Graças a Deus, eu adoro o que faço, e apresentar um show nunca é um sacrifício, mesmo quando estou chateado com alguma coisa e tenho que me apresentar. Alguma coisa acontece quando entro em cena, e tudo fica de lado. Eu me concentro só em conquistar uma sintonia com a platéia. 

O que o levou a fazer humor?
Eu descobri que tinha um dom para isso; é uma coisa que já nasce com você. Mais cedo ou mais tarde, alguém vai rir de alguma tirada, imitação ou tipo. Acho que o que me levou a trabalhar com humor foi me apresentar para uma platéia pela primeira vez - depois disso, tornou-se um vício.    

Em quem você se inspirou quando iniciou sua carreira?
Sempre gostei muito de humoristas que apresentavam shows do tipo solo. Quando eu era garoto, tinha discos do Juca Chaves e do Costinha. Morei em Nova Iorque como intercambista quando tinha 18 anos e aprendi a gostar do estilo americano, mas naquela época o meu "barato" ainda era música. Uma vez, já no Brasil, tive a oportunidade de assistir a um show do Chico Anísio e achei fascinante sua capacidade de memorização de textos e versatilidade. Ele me inspirou muito.

Você já passou por algum constrangimento enquanto realizava um show?
Já nem ligo quando as pessoas no meio do meu show levantam e vão! O problema é quando levantam e vêm! Uma vez, fui contratado pelo dono de uma gafieira. Quando cheguei no local, já reparei que aquele não era bem o meu público. O pior aconteceu quando interromperam a música e todos tiveram de parar de dançar para ouvir um humorista (eu) de que ninguém tinha ouvido falar. Todos ficaram de mau humor e estavam loucos para voltar a dançar, mal prestavam atenção no que eu falava ao microfone, e o som estava uma porcaria. Então, tive de inventar um "plano B" e encurtar o show antes que eles mesmos me encurtassem.   

Como você concilia família e trabalho? Você tem apoio de sua família na profissão escolhida?
Na minha família, a maioria é da área de direito: juízes, advogados, promotores, desembargadores. Se vocês chegarem ao Tribunal de Justiça e disserem "Pega o Portugal!", sai o prédio inteiro. Haver um humorista na família é um mal necessário para quebrar a seriedade. Ainda não tenho filhos, e minha mulher é também minha empresária: tudo bem, eu já ia ter de dividir tudo mesmo!

Pelo que deu para perceber, você já foi a vários lugares para trabalhar. Desses lugares, onde você mais gostou de ficar?
Não houve nenhum lugar onde eu não tenha gostado de trabalhar, mas estou muito empolgado com o piloto de um novo programa de humor que acabei de gravar; estou acreditando muito nos textos e nos esquetes. No mais, eu não posso reclamar. Meu show tem sido com casa cheia, graças a Deus. Faço um personagem de muito sucesso aqui no sul, que é um office-boy da rádio Transamérica. Também estou curtindo muito participar do programa esportivo Mesa-Redonda, que vai ao ar todos os domingos, para o Brasil inteiro, pela CNT.

Você ganhou a mesma quantidade de dinheiro em todos eles?
Não, em muitos dos lugares por onde passei, ganhei apenas divulgação. Até mesmo artistas famosos participam de grandes programas de TV sem receber, somente para divulgar seu show e dar sustentação à própria imagem. Felizmente, hoje eu já tenho meu salário nos veículos em que trabalho. Meu espetáculo em uma casa noturna e shows para eventos empresariais e lançamentos de produtos são minhas principais fontes de renda.

O público gostou do que você apresentou?
Meu trabalho é como o de qualquer outro artista, músico, cantor, ator de teatro. Há dias em que a gente pode estar mais inspirado; em outros, menos. Sempre vou dar o meu melhor, mas fatores externos, como luz, som e ambiente, também colaboram para o resultado do show. Eu costumo dizer que a platéia também tem de ter talento. Se a platéia é boa, o show sempre vai ser um sucesso! Mas, respondendo a sua pergunta, o show tem tido uma aceitação muito legal; a prova disso é que empresas que já me contrataram muitas vezes voltam a me chamar.

Quando o público não acha graça em suas piadas ou imitações, você fica sem jeito ou inventa outra coisa?
É importante encontrar um caminho dentro de uma situação como essa, tentar detectar o erro, às vezes desacelerar o ritmo, procurar o timing exato. Há uma sintonia diferente com cada tipo de platéia. Mas há platéias que são difíceis mesmo — aí, eu aciono uma espécie de "piloto automático".

Você é normalmente assim engraçado ou só trabalha com esse humor?
Acho importante não se levar muito a sério. Rir de si mesmo é um bom exercício. Eu não faço o tipo engraçadinho que chega numa rodinha com tiradas prontas; pelo contrário, sou até meio tímido e, às vezes, acordo de mau humor, mas isso não dura muito — só quem precisa suportar é a minha mulher.

Quando você era criança, já possuía o "dom" de fazer graça?
Com certeza. A necessidade de fazer rir já nasceu comigo. No começo, minha família era a platéia. Eu lembro que, quando era pequeno, fazia minha mãe "pagar alguns micos". Uma vez, aos 5 anos de idade, estava com minha mãe na sala de espera de um médico, cheia de pacientes esperando para serem atendidos, e eu ficava babando e arrastando-me no chão, fazendo-me de retardado. As pessoas olhavam para minha mãe com pena. Era só um jeito de chamar a atenção.

Conte-nos uma piada que fale sobre animais.
O marido e a mulher estavam numa excursão na África. No meio do safári pela selva, o guia turístico comentava sobre cada animal que aparecia: "Este é o leão da montanha. Este animal é muito viril, consegue acasalar cinco vezes com a fêmea em um só dia!". Ao ouvir isso, a esposa cutucou o marido e disse: "Viu só, cinco vezes, e você nada!". O guia continuou: "Este é o gorila africano. Este animal consegue acasalar dez vezes por dia durante trinta dias". A mulher novamente cutucou o marido: "Viu só? E você nada!". O guia voltou a comentar: "Este é o rinoceronte. Este animal acasala somente uma vez por mês!". Nesse instante, o marido é que cutucou a esposa e disse: "Viu! Só uma vez por mês. Até que eu não estou tão mal assim...". E ela respondeu: "É, mas, em compensação, tem chifre até no nariz!".

Falando de humorista, na sua opinião, quem é o melhor da TV brasileira e internacionalmente? Se houvesse uma premiação, que humoristas você colocaria em 1.º, 2.º e 3.º lugares aqui no Brasil?
Quando se fala de humor, é preciso valorizar não só a interpretação, mas também a criação de textos. Nacionalmente, eu gosto muito do trabalho do Paulo Bonfá no Rock Gol, da MTV. Também gosto dos textos da turma do Casseta & Planeta e do programa Os Normais — foi uma das coisas mais legais que já aconteceram por aqui. Internacionalmente, tenho os meus preferidos: Jerry Seinfeld, George Carlin e Larry David.

Como você descobriu que tinha o dom de fazer as pessoas rirem?
Com os amigos, testando coisas. Se eles dessem risada, já era um bom sinal.

Qual apresentação o deixou muito satisfeito?
Muitas apresentações me deixaram bem satisfeito. Em Porto alegre, eu fui muito bem recebido — talvez tenha sido uma das melhores platéias que já tive. Mas, uma noite em que fiquei muito feliz foi a primeira vez que me apresentei na Terça Insana, uma noite de humor da noite paulistana. Após o show, o Jô Soares foi até o camarim e elogiou meu trabalho dizendo que eu tinha capacidade de escrever em cena. Para mim, foi um acontecimento marcante, que me incentiva a seguir em frente.

Você alegra muitas pessoas com sua profissão. Você não fica triste?
Claro que sim, fico triste e chateado com as coisas, como todo mundo. No fundo, para fazer humor é preciso vivenciar tudo. Se vocês repararem, muitos textos de humor às vezes são baseados em tragédias, situações difíceis e defeitos. Tudo com uma dose de exagero, que faz com que uma coisa horrível passe a soar engraçada.

Essa prática ajuda a esquecer a tristeza?
Com certeza. Eu tenho prazer em trabalhar com isso. Divirto-me muito enquanto estou criando textos, seja sozinho ou em dupla. Chego a ter acessos de riso durante o processo de criação. A arte da babaquice é extremamente divertida e não deixa de ser uma "aeróbica" mental. Quanto mais me mantenho ocupado fazendo isso, menos triste eu vou estar.

Como você se comporta quando está entre seus parentes? Você vive contando piadas para eles?
Essa coisa é meio espontânea. Muitas vezes, nem estou pensando em nada, mas, cedo ou tarde, alguém "dá uma deixa" e já era: lá estou eu com minhas tiradas, com 35 anos na cara e os mesmos trocadilhos da 6.ª série.

Como você vê os programas humorísticos da televisão? Eles não são um pouco monótonos?
Sim. É preciso, urgentemente, fazer uma reciclagem no humor da televisão. A Rede Globo está começando a se preocupar com isso, lançando essas novas séries, como A Diarista e o Sob Nova Direção. Ainda acho programas como o Zorra Total muito previsíveis e apelativos, que usam fórmulas ultrapassadas.

Você encontra dificuldades para essa profissão nos dias atuais?
Sim, muitas. O povão sempre vai ditar as regras no nosso país, tanto na música quanto no humor. Se vocês quiserem saber o que está sendo cultuado atualmente, é só ligarem a TV no domingo, no programa do Faustão e do Gugu. Recentemente, participei de um concurso entre humoristas no Fantástico, e quem acabou ganhando foi um humorista com uma cara engraçada, mas com piadas antigas da linha do Tiririca. Isso quer dizer que o potencial de criação de textos não foi levado em conta.

Desde quando o humorismo está presente em sua vida? Há alguma regra fundamental para exercer essa profissão?
Desde muito tempo. Eu deveria ter ingressado na carreira antes, demorei um pouco para desenvolvê-la profissionalmente, mas creio que a regra básica para essa profissão é o processo de reciclagem: o que é engraçado hoje não será mais amanhã; então, é preciso estar sempre se reinventando.

Você já escreveu algum livro de piadas? Alguém já falou que suas piadas não têm graça?
Ainda não, mas pretendo fazer um livro com minhas colunas semanais publicadas no portal www.tudoparana.com.br. Existem as críticas construtivas e as destrutivas. É muito fácil detectar quando uma pessoa está dando um toque para que você melhore seu desempenho e quando está apenas dando palpites furados, que você sabe que na realidade não vão funcionar. Eu mesmo tenho um irmão que insiste em dizer que eu devo imitar o Silvio Santos, e nem por isso eu faço; para mim, isso já está "manjado" demais. Eu sempre vou saber se uma piada tem ou não graça, o público é o meu termômetro.

Há quanto tempo você está nessa profissão e por que você a escolheu? Que tipo de piada você mais gosta de contar?
Já vai fazer uns 10 anos. Acabei descobrindo que levava jeito para a coisa e me considero em processo de evolução. As piadas curtas são as minhas preferidas, mas gosto muito de contar "causos", comédia sobre algum tipo de situação.

Qual foi o seu primeiro personagem e o que você mais gosta? Há quantos anos você trabalha como humorista? Por que você escolheu ser humorista? Qual foi o melhor humor que você já fez? 
Já estou quase completando uns 10 anos nessa profissão e decidi trabalhar com isso porque, apesar de muitos fracassos, o número de sucessos sempre foi bem maior. Fazer uma platéia rir é muito gratificante, e o melhor é que hoje até me pagam para isso. Meu primeiro personagem foi um oficce-boy, o Elvisley. Até hoje, ele tem feito muito sucesso aqui no sul e no programa Mesa-Redonda, da CNT. Acho que o melhor humor estou fazendo no momento, com o espetáculo Cabaré com Diogo Portugal e Convidados, em que divido meu show com outros humoristas. Ele é apresentado em uma casa noturna chamada Era Só o que Faltava, em Curitiba. Ter convidados dá um ritmo legal para o show.

Os personagens que você criou foram inspirados em pessoas conhecidas? Quando você começou, tinha outro trabalho paralelo?
Muitos dos personagens que criei foram baseados em figuras com quem alguma vez deparei, não pessoas famosas, mas, sim, comuns. É como se o dia nos entregasse alguns disquetes prontos: o motorista de táxi, a senhora do ponto de ônibus, a bichinha deslumbrada, etc. Tenho um trabalho paralelo, que é uma produtora de áudio, mas tenho uma equipe com quem posso contar. Apesar de estar muito relacionado à criação, em função da carreira de humor, não tenho tanto tempo para tocar o estúdio, mas acompanho as produções, dentro do possível.

Você começou como guia de excursão, levando adolescentes para a Disney. Hoje, você faz sucesso entre os adolescentes? Qual é o público que você atinge com maior facilidade? Dizem que o bom humorista é aquele que faz as úlceras nervosas se encolherem de vergonha. Você tem consciência de que seu humor está nesse estágio ou o caminho ainda é longo? Você já leu o livro Para Ler Quando o Chefe Não Estiver Olhando, do cartunista Gilmar Barbosa? Comente esse humor com base na sua visão de humorista. Você gostaria de mudar de profissão? Os humoristas em geral ganham muito dinheiro com essa profissão?
Sim, em meu show há gente de todas as idades, inclusive adolescentes. Acho que o bom humorista é aquele que consegue fazer o público se divertir e esquecer um pouco do mundo lá fora. Se não for engraçado, desce como cachaça ruim. Não posso comentar sobre o livro do Gilmar Barbosa, porque não li, mas agradeço a dica e, com certeza, vou ler. Hoje, não passa pela minha cabeça mudar de profissão, mesmo sabendo que, se fosse político, seria bem mais engraçado. Já com relação a dinheiro, depende; é como qualquer outra profissão: sempre vai existir o advogado que fatura milhões e outro que nem tanto, mas quem sabe um dia.

Você gosta da profissão que tem? Você se sente realizado com ela?
Sim, sinto-me extremamente realizado por conseguir trabalhar com humor.

Como você se sente por fazer as pessoas sorrirem?
É a melhor forma de pagamento que existe depois do dinheiro.

Quantos shows humorísticos você já fez? Você já teve medo de fazer algum show?
No começo, eu tinha mania de contar e anotar o número de shows, mas, depois, perdi meu caderninho de anotações e, aí, perdi a conta. Nem adianta eu querer chutar. No começo de carreira, o pânico era bem mais intenso, mas ainda hoje sinto um frio na barriga antes de entrar em cena, é uma mistura de medo e prazer, e o pior é que vicia. É parecido com saltar de pára-quedas, você nunca tem absoluta certeza se vão rir ou se o pára-quedas vai abrir, mas, mesmo assim, você vai lá e faz novamente.

Como você consegue inventar as piadas? Quem conta piada é uma pessoa alegre?
Sim, quem conta piadas é alegre, e quem gosta de ouvir piadas também. Mas o cara que fica cutucando você para ouvir aquela piada é "o chato". Inventar piadas é a coisa mais fácil, difícil é rirem.

É preciso estudar para fazer piada? Como você arruma assunto para as piadas?
Inventar piadas não é nada fácil, é preciso estar com a mente limpa, atento a todas as possibilidades. Qualquer processo de criação exige que você abra várias portas na mente e, às vezes, por mais que você chame as idéias, elas não vêm, parece que estão lá longe, lixando as unhas.

Alguma criança já escreveu piada?
Acredito que sim, pois uma piada não precisa ter início, meio e fim. Muitas vezes, uma tirada ou comentário feito na hora certa mostra que a pessoa é espirituosa e teve sensibilidade, e para isso não existe idade estipulada: meu avô, de 88 anos, tem umas sacadas ótimas.

Como se consegue ser humorista? É preciso ser engraçado?
Os teóricos do humor têm mania de dizer: "Não tente contar piadas se você não é engraçado!". Mas não é bem assim. Contar piada é o mesmo que contar uma história, você só precisa fazer as pausas certas. Mas eu posso dar umas dicas: se você está começando, conte piadas curtas, de impacto rápido. Nas piadas muito longas, você corre o risco de perder a atenção do público. Nunca fale: "Mas falando sério", depois de contar uma piada, não funciona. Não espere as pessoas terem uma reação, vá direto para a próxima. Sempre saia de cena em alta. É como jogar em um cassino, você tem de saber a hora de parar; se não souber parar na hora certa, é importante arrumar um amigo para tirar você de lá à força.

São as crianças ou os adultos que mais gostam do seu trabalho? Durante quanto tempo você costuma interpretar cada personagem?
São os adultos, acho que pelo teor das piadas. Com relação ao tempo, varia de personagem para personagem, mas é importante não ficar mais de 15 minutos em um só personagem.

Ser humorista significa estar sempre feliz? Conte para nós qual foi a sua pior piada? Qual é o personagem que você mais gosta de interpretar?
Não é bem isso, mas é um modo de ver as coisas. Ver tudo com humor me traz satisfação, e isso me deixa feliz. Um dos personagens que mais gosto de fazer é a Pâmela, uma ex-prostituta que fez um "up grade" e virou garota de programa e, hoje, viaja pelo Brasil dando palestras para iniciantes.