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O outro pede espaço

 

A pertinência da discussão sobre a convivência com as diferenças não só no espaço escolar, mas na vida, ainda que seja feita superficialmente neste texto, está na necessidade de reflexão entre pais e filhos acerca desse assunto.

 

Na tentativa de contribuir para o dia a dia das famílias no que diz respeito à convivência social, tomarei o espaço escolar como cenário principal dessa discussão.

 

A escola, mais precisamente a sala de aula, reúne em seu interior uma gama de situações talvez ímpar em outros segmentos da sociedade. A existência de diversas culturas e realidades sociais, a imposição de uma pedagogia nem sempre relevante para os alunos e a mediação do professor, que além de articular todo o processo educativo traz também suas heranças culturais, faz com que esse ambiente seja rico para o desenvolvimento pessoal e o entendimento de um mundo plural.

 

Atualmente, não basta estar adaptado a um grupo restrito de amigos. Pelo movimento constante nas famílias, pela dinâmica social presente nos grupos e pelas diferentes mídias existentes, tornou-se imprescindível conhecer mais pessoas, relacionar-se ativamente com elas e, sobretudo, acreditar que a construção de saberes necessários para a vida se dá também por meio das relações interpessoais.

 

Entrosar-se com os colegas da classe, conhecê-los mais profundamente, saber quais são suas ideias, ideais, expectativas e contribuições para a coletividade, perceber que as pessoas podem se completar em termos de pensamento e que isso acontece por meio da aceitação das diferenças é algo urgente.

 

Falar sobre a necessidade de se ter valores morais é muito comum nos dias de hoje, mas é bastante difícil construí-los no interior da escola e da família sem que haja o desapego de preconceitos e discriminações, sem que as pessoas se abram para ouvir e para dialogar, sem que percebam o outro em suas dificuldades e que pratique a empatia.

 

Creio que os pais e professores devem, incessantemente, incentivar os jovens e as crianças a praticarem a inclusão, a acreditarem nela e a lembrarem que o movimento humano necessita da diferença para renovar-se e que soluções podem surgir de experiências já vividas por outro, que pode deixar de expô-las se não encontrar oportunidade.

Em situações presenciadas por mim, quando em orientação e direção escolar, pude perceber a riqueza que existe naqueles alunos que conseguem se relacionar bem com  todos (ou quase todos) os colegas e ver as qualidades deles. Usufruir sadiamente do melhor que um colega pode oferecer é não se intimidar em dar também o melhor de si nas diversas situações que são enfrentadas. É não se omitir, é buscar constantemente o autoconhecimento.

 

Quantas vezes afunilamos as amizades reduzindo-as a apenas uma e consagrando esta como nossa maior conquista e, por uma razão qualquer, ela um dia nos falta e nos vemos desamparados, projetando na ausência do outro a nossa infelicidade? Presenciei isso no meio escolar, e as conseqüências foram desastrosas.

 

Incentivar os filhos e alunos a abrirem-se para o novo, para o diferente e para o desconhecido faz parte de uma educação necessária e feliz.

 

Trabalhar com diversidades e adversidades torna as crianças e os jovens mais fortes, seguros e confiantes.

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Prof. Joseph Razouk Junior é
Gerente editorial do Centro de
Pesquisas Educacionais Positivo
e escreve especialmente para esse portal.

 
 
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