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Transtornos alimentares: é preciso compreendê-los

Paula Dely

A adolescência é a fase de formação da identidade, quando o jovem reúne os elementos necessários para enfrentar o desejado mundo dos adultos. No entanto, não é somente essa maravilhosa capacidade que se desenvolve nesse momento, mas também alguns distúrbios que podem se tornar complicadores do desenvolvimento físico e emocional. Entre eles, estão os chamados transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia.

Apesar de serem mencionados na literatura especializada há muito tempo, estima-se que, atualmente, estejam tornando-se muito comuns em adolescentes, o que representa uma grande preocupação para pais, educadores e profissionais da saúde. Vejamos por quê.

A anorexia pode ser definida como a necessidade vivenciada pela adolescente[1] de manter o peso abaixo dos padrões normais de saúde (determinados pela relação entre altura e idade). Em virtude de uma percepção distorcida do próprio corpo, a jovem imagina-se constantemente sofrendo de excesso de peso (mesmo quando este se encontra abaixo do limite esperado) e utiliza mecanismos específicos para atingir a forma física que considera ideal, como o uso de laxantes e diuréticos de maneira indiscriminada, a prática excessiva de exercícios físicos, dietas intensas e até o jejum.

A bulimia, apesar de ser semelhante à anorexia, apresenta um modo de funcionamento característico: o impulso irresistível de ingerir uma quantidade muito grande de alimentos em um curto espaço de tempo, seguido de vômito ou evacuações com o uso de medicamentos, na tentativa de evitar o ganho de peso.

Os resultados físicos desses transtornos são complexos e assustadores. Em ambos os casos, as adolescentes podem apresentar dificuldades de crescimento, alterações do aparelho gastrintestinal, rompimento do esôfago e até mesmo morrer.

Os efeitos psicológicos são igualmente preocupantes, já que o imperativo da perda de peso faz com que a jovem estabeleça um círculo vicioso: conforme emagrece, mais se sente gorda, aumentando assim a necessidade de manter certos comportamentos prejudiciais. Com o passar do tempo, essas atitudes precisam ser mantidas em segredo, resultando em retraimento e isolamento social.

Mas quais são as causas desses transtornos? Ainda não existem respostas certas para essa questão. Acredita-se que fatores ambientais, sociais, familiares e até genéticos podem contribuir para o aparecimento desse problema. Muitos estudos estão sendo realizados na tentativa de estabelecer uma relação entre os padrões de beleza atuais, marcados pela magreza excessiva das “supermodelos”, e o culto exacerbado ao corpo, mas eles ainda não são conclusivos. Sabe-se, porém, que a mídia e as regras determinadas por uma sociedade apegada demasiadamente à aparência podem ser um grande estímulo a complicações desse tipo em adolescentes, que naturalmente procuram referências para a formação de sua identidade.

Dessa forma, aconselho pais e educadores a permanecerem atentos a alguns comportamentos que podem indicar a existência desses transtornos: recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal, medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos, falta de controle sobre o comportamento alimentar, recusa exagerada em usar roupas que mostrem o corpo, idas frequentes ao banheiro logo após as refeições e uso de diuréticos e laxantes.

Isso não significa, porém, que pais e mães devam inspecionar as bolsas e armários das filhas adolescentes à procura de medicamentos ou se assustar quando estas se recusarem a se alimentar. A convivência diária, aliada ao bom senso, é capaz de fornecer os elementos necessários para avaliar a necessidade de uma atenção maior.


[1] Os transtornos alimentares podem ocorrer em meninos, mas atingem em sua maioria as meninas, que constituem 90% dos casos relatados.

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Prof. Joseph Razouk Junior é
Gerente editorial do Centro de
Pesquisas Educacionais Positivo
e escreve especialmente para esse portal.

 
 
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