INÍCIO > Articulistas > Outros autores: Educação

 
 
 
--últimos artigos sobre este tema----------------------------------------
Números traduzem pensamentos
Ronan Fernandes de Arruda
Magistério e estresse: uma dupla e tanto!
Marta R. Cabette
A importância dos jogos na aprendizagem matemática das crianças de 4 a 6 anos
Eliziane Rocha Castro
 
 

 

Educação — Ludismo: um subsídio na construção do conhecimento

Célia M. Melo*

Atualmente passamos por uma crise muito séria na educação: professores descontentes, pais preocupados, alunos desmotivados. Entende-se que, para uma possível melhora nessa situação, além da necessidade da formação continuada dos educadores, surge o ludismo como uma forma não mágica, mas mais atraente, estimuladora para a construção do conhecimento. Usando o brinquedo, a brincadeira, é possível desenvolvermos em nossos educandos o prazer em construir o próprio aprendizado. Acredita-se que essa construção faz com que nos sintamos realmente sujeitos de nossa história; e não meros repetidores e expectadores. As atividades lúdico-exploratórias vão contribuir no desenvolvimento pessoal, social, cognitivo, afetivo, físico e psicomotor. A educação, cada vez mais formal, padroniza o comportamento das crianças para que se adaptem, produzam bem e se integrem às expectativas familiares. Na correria de cada dia, não estão programados o cultivo da vida interior da criança e o tempo para ela se encontrar consigo mesma e descobrir o que gosta de fazer.

A proposta é que, por meio de atividades lúdico-exploratórias, as crianças liberem sua capacidade de criar e de reinventar o mundo, de expor sua afetividade e de ter suas fantasias aceitas e exercitadas para que, através do mundo mágico do faz-de-conta, possam explorar seus limites. A escola deve proporcionar atividades lúdicas para que haja a interação entre a criança e o objeto de estudo. Por meio dessa relação, é possível ocorrer uma interação maior entre o sujeito cognoscitivo e o objeto a ser conhecido. Para que elas possam compreender e reconstruir seu conhecimento, é imprescindível ocuparmos esse espaço estimulando o interesse e a participação delas.

Nessa concepção, as crianças chegam ao pensamento lógico de forma lúdica, integrada, sem tensões e feliz. Segundo Kamii (1991, p. 25) "a lógica das crianças não poderia se desenvolver sem a interação social porque é nas situações interpessoais que a criança se sente obrigada a ser coerente". Nessas ocasiões, as crianças aprendem a ser flexíveis e a aceitar o outro, compreendendo suas próprias limitações e construindo novos valores e aprendizados. E, dessas relações, podem passar a desenvolver uma das qualidades mais importantes para a construção do conhecimento: a confiança em sua capacidade de encontrar soluções e levantar perguntas, o que pode ser estimulado com os jogos e brincadeiras que lhes possibilitem construir relações qualitativas ou lógicas, aprendendo a questionar seus erros e acertos.

Dewey (1902, p. 14), discutindo a importância de se buscar descobrir as percepções e interesses dos alunos, escreveu: “(...) selecionadas, utilizadas, enfatizadas [atividades de interesses dos alunos], podem marcar um ponto de virada para sempre na carreira inteira da criança; negligenciada, uma oportunidade se vai e nunca será retraçada".

O professor mediador não deve propor atividades com questões estreitas nas quais se busca uma resposta singular e se nega aos alunos a oportunidade de construção. Isso corrói o desejo do educando de pensar e explorar questões e o leva a preocupar-se com a resposta que o professor gostaria de ouvir.Faz-se necessário haver ambientes lúdicos que encorajem a construção do conhecimento individual, que não deve ser cerceada por áreas de conhecimento. A aprendizagem sobre o nosso mundo é inerentemente multidisciplinar.

Portanto, cabe ao professor mediar a construção do conhecimento com atividades lúdicas desafiadoras, criativas e significativas. Este é o momento de fazermos a diferença para que nossos alunos possam sentir, acreditar e se tornar sujeitos participantes, autônomos, alegres e críticos com relação ao contexto em que estão inseridos.

*****

*Célia M. Melo formou-se em Pedagogia pela Unicruz — Universidade de Cruz Alta — e atua como professora de séries iniciais das Redes Municipal e Estadual de Ensino, em Cruz Alta (RS).

 

 
início
minha página
índice
home----------------------
Voltar à página inicial desta seção
os articulistas-------------
CELSO ANTUNES
LUCA RISCHBIETER
JOSEPH RAZOUK JR.
BETINA VON STAA
outros autores------------
Educação
Tecnologia e educação
Comportamento
Outros