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O desafio de conviver: 3.as e 4.as séries

Gisele Falanga Capela Fabreti

Os alunos de 3.as séries estão cada vez mais próximos do nível II do Ensino Fundamental, sendo que ao longo do ano tendem a se assemelhar cada vez mais aos colegas mais velhos, imitando posturas e testando mais intensamente os limites.

A terceira série é um importante período de transição, em que as meninas vão disputar espaço, descobrindo-se como pequenas mulheres ou grandes meninas, exercitando e testando lideranças e seu poder de persuasão. O que as difere da 4.a série é a qualidade da argumentação e o desenvolvimento progressivo de habilidades de solução de problemas. Notamos que o choro e os gritos de frustração tendem a dar lugar às provocações cruéis e às apelações aos pontos fracos dos colegas rivais. A luta pelo espaço e pela liderança dos grupos segue em ritmo crescente ao longo de toda a 3.a e 4.a séries.

Os meninos, por sua vez, tendem a sobressair cada vez mais pelo comportamento e falas desafiadoras. A ousadia da provocação à professora, as atitudes inadequadas conscientes e o uso de palavras e expressões de baixo calão fazem com que se sintam muito importantes. A chave do prazer e do reconhecimento está na ousadia e na leve transgressão.

É neste período que nossas atenções devem se concentrar de forma efetiva na construção e reforço dos valores que os guiarão e servirão de base para a construção firme de seus próprios valores e código de moral interna.

O trabalho integrado de escola e família é fundamental para que possamos norteá-los nessa difícil trajetória, em que todas as sensações e sentimentos aparecem de forma tão intensa: melhores amigas se tornam as piores inimigas em minutos, para então voltarem à posição inicial ou partirem para a descoberta de outras possibilidades de amizade. Isso tudo, logicamente, acompanha grande carga de sentimentos, sejam eles positivos ou negativos. O mundo ainda é sentido como aquele pequeno universo ao redor delas; e seus problemas, os mais importantes e dolorosos. Muitas vezes, demonstram sentimentos de tal intensidade que comovem pais, amigos e demais adultos que os acompanham, uma vez que visualizamos essas histórias de outro patamar e com outro referencial de emoções. É importante frisar que essa intensidade é tão forte quanto passageira e que muitas vezes continuamos lutando e sofrendo por dores que as crianças sequer recordam.

Os meninos ainda estão mais voltados para seus grupos e tendem a fugir do assédio das meninas, começando a demonstrar maior interesse ou se aliarem a elas em meados da 4.a série. Isso tudo de modo geral, mas as particularidades felizmente ocorrem e impulsionam o grupo a uma reflexão e revisão de suas práticas.

O senso de justiça e de amizade está cada vez mais apurado, e todo o cuidado é pouco: a coerência de falas, pensamentos e posturas é cada vez mais observada e usada como argumento. Adultos, atenção! Vocês estão sendo observados e testados. É nas pequenas falhas que encontram as armas para lutarem pelo que querem e na fragilidade de nossos sentimentos que podem manipular as nossas intervenções, de forma a atingirem seus objetivos.

Não se assustem! Esse período é muito rico! É quando começam a descobrir e valorizar de forma mais efetiva suas potencialidades e aptidões, mas também aprendem que crescer é fazer escolhas, sendo que escolher pressupõe renunciar a alguma coisa. É fundamental a nossa ajuda no sentido de fortalecer as escolhas, mostrando que a perda é dura, mas inevitável parte do processo de crescimento.

Deixá-los crescer, vendo-os aproximarem-se ou ganharem distância dos modelos de filhos que estabelecemos para nós pode ser custoso, mas podemos aprender muito com cada um deles, que tem muito a dizer sobre os caminhos que começam a traçar.

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