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O belo é fundamental

Marta Cabette*

Todo aquele que deseja seguir o caminho certo deve conhecer,
desde a juventude, as formas belas; e, quando bem orientado,
aprende a amar somente essas formas — esse amor o levará a
criar pensamentos sensatos; e logo perceberá que a beleza de
uma forma relaciona-se com a beleza de outra, e que a beleza
das formas é uma só.
(Platão)

“Educar para tornar o indivíduo autônomo, crítico, consciente de seu papel social”, é uma frase que se lê em praticamente todos os livros sobre educação, e é por meio dela que começa a expiação da culpa por não se atingir esse objetivo em nosso sistema de ensino.

E essa culpa é do professor que não está comprometido com seu trabalho, da instituição, da família que está desagregada (fruto de nossa era de transformações sociais), da carência de boas universidades para formar profissionais de educação e até mesmo das próprias crianças, que estão cada vez mais apáticas e desinteressadas.

O profissional de educação, na maioria das vezes, está insatisfeito com os resultados de seu trabalho, reclama de não conseguir transformar a escola em um local mais prazeroso e os alunos em pessoas mais educadas e sensíveis, apesar de tentar sempre a metodologia.

Imagine o ambiente físico de uma escola pública: o espaço é sempre menor do que o necessário; as paredes estão mal pintadas; os móveis, velhos; e a temperatura em uma sala de trinta a quarenta alunos oscila entre um frio intenso e um calor alucinante.

Agora, pense em um dia de aula normal: faz um calor de 40°C; a criança está sentada; a lousa, cheia de lição a ser copiada e realizada — ou mesmo folhas de sulfite mimeografadas —; e logo vêm mais e mais atividades escritas. As aulas de Educação Física são esperadas com ansiedade. Com ela, surge a oportunidade de esticar as pernas, correr, aventurar-se, liberar energia.

Muito pouco ou quase nada há de esteticamente agradável aos sentidos nessa escola. Mesmo assim, a maioria de nossas crianças gosta dela. É a possibilidade de passar algumas horas fora de casa e longe de uma situação não raro estressante por causa da carência material e afetiva em que vivem.
É possível desenvolver sensibilidade, senso estético e criatividade em um ambiente tão desprovido desses atributos?

O indivíduo é capaz de construir sua própria identidade, formar sentimentos, sensibilidades, alegrias e esperanças, tornando-se consciente, mas não de forma totalmente subjetiva, pois a relação com o mundo objetivo é fundamental.

Quantas crianças em situação de pobreza e que freqüentam nossas escolas públicas já foram ao cinema, teatro ou viram uma obra de um grande pintor? Quantas já tiveram a chance de vivenciar o belo?

Não existe possibilidade de igualdade social se nossas crianças não podem desfrutar do que há de mais belo na história da humanidade, se não lhes é permitido o conforto de apreciar uma obra de arte, ouvir um concerto ou ir ao cinema.

Pode achar que é utopia, mas não há a mínima possibilidade de democracia quando até mesmo o nosso patrimônio cultural é reservado para ser usufruído por poucos.

Para descobrir aptidões e talentos, a criança precisa ter oportunidade de vivenciar diferentes linguagens expressivas: desenho, música, teatro, etc. Dessa forma, ela pode usar estratégias de compensação, aproveitando suas melhores aptidões para suprir áreas em que tem mais dificuldade, o que favorece sua aprendizagem.

Proporcionar às nossas crianças contato com todas as manifestações do belo, permitindo-lhes o desenvolvimento da estética e do ato criativo, é imprescindível para formar seres mais harmônicos, sensíveis e afetivos e possibilitar que lutem contra a desintegração pessoal que lhes é tão familiar na sociedade excludente de hoje.

A liberdade de vivenciar as emoções nos faz mais humanos e renova a esperança de transformação.

*****

*Marta Cabette é professora, alfabetizadora e psicóloga.
E-mail: cabette@aprendebrasil.com.br e
martacabette@uol.com.br

 

 
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