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Educação Integral

Cosme D. B. Massi

A educação é tarefa de todos. Educam pais, professores, médicos, etc., enfim, todos aqueles que desempenham tarefas socialmente úteis podem ser considerados educadores.

Embora a palavra "educação" possa ser empregada nessa acepção ampla, trataremos, no entanto, de dotá-la de uma significação mais específica, a ser caracterizada neste texto, quando a utilizarmos adjetivada na expressão "Educação Integral".

A expressão "Educação Integral" está associada a uma outra expressão "Homem Integral", que utilizaremos para caracterizar um certo tipo ideal de homem.

Neste texto, trataremos dessa educação integral; dessa arte de formar o homem integral.

O Homem Integral

O homem integral é o indivíduo essencialmente constituído e que desenvolveu ao máximo as três faculdades irredutíveis entre si: a faculdade de pensar, a de sentir e a de querer (1) . As expressões pensar, sentir e querer serão empregadas para designar essas três faculdades. Ordinariamente, a referência a essas três faculdades é feita utilizando as expressões razão, sentimento e vontade (2).

O pensar e o querer são as faculdades ativas do homem integral, o sentir é a faculdade passiva. Nesse sentido, podemos dizer que o pensar e o querer partem do homem, o sentir acontece nele. A passividade da faculdade de sentir é uma decorrência do fato de que o homem simplesmente se percebe "sentindo", o sentir surge nele. Por outro lado, o pensar e o querer surgem dele. Podemos caracterizar a atividade e a passividade dessas faculdades pelas expressões "exercer uma ação" e "receber uma ação". Quando o homem pensa ou quer, exerce uma ação, quando sente, recebe uma ação.

Pelo pensar, o homem raciocina, argumenta, representa, imagina, idealiza, calcula, julga, etc. A ciência, a matemática e a filosofia são seus frutos mais importantes.

Pelo querer, o homem age, decide, realiza, executa uma ação, etc., transformando o mundo e a sociedade continuamente. Nesse reino da vontade, o homem encontra o dever. O dever é a obrigação moral do homem para consigo mesmo e para com o seu semelhante. Com ele nos deparamos nas mais diversas situações da vida, desde as mais ínfimas, como nos atos mais elevados. Estabelecer como o homem deve agir nas mais variadas situações da vida é um dos atributos do querer. Como suas mais importantes realizações, temos a ética, a moral, o direito e a política.

Com o sentir, o homem percebe e recebe as impressões do mundo à sua volta e as do seu próprio mundo interior. As sensações físicas ou psicológicas, as emoções ou sentimentos são algumas das formas de ser dessa faculdade notável. Dela nascem as artes e a estética, a música e a poesia.

Associados a essas três faculdades, temos os mais importantes valores da cultura humana: a verdade, a beleza e a bondade.

As ciências e a filosofia investigam a verdade. A estética e as artes cultuam a beleza. A ética e a política visam ao bem.

A história da nossa cultura reflete uma incansável busca desses valores.

Reunidas num todo e elevadas ao mais alto grau de desenvolvimento, essas três faculdades caracterizam o homem integral.

A utilização da expressão "integral" tem o propósito de realçar o fato de que todos os aspectos fundamentais do homem foram considerados nessas três faculdades, mesmo se utilizarmos o dualismo clássico de divisão do homem em mente e corpo. As três faculdades podem ser vistas como sendo as faculdades fundamentais desse homem dotado de mente-corpo (ou alma e corpo). O desenvolvimento delas significa o desenvolvimento dos atributos espirituais e físicos do homem.

Podemos aplicar ao homem integral a clássica expressão "Mente sã em corpo são".

Os aspectos associados ao corpo e ao meio ambiente estão presentes, principalmente, no domínio da faculdade de sentir. Essa faculdade é responsável pelas nossas sensações e paixões. As sensações e as paixões dependem do corpo e do meio ambiente. A dor, a sede, o cansaço, a fome, o calor, o frio, o prazer, o bem-estar e o vigor, entre outras, têm suas causas no corpo ou no meio ambiente.

O desenvolvimento do sentir exige a valorização de todos os aspectos essenciais para a saúde e o bem-estar físico. A boa alimentação, a prática de exercícios físicos, o cuidado com o meio ambiente devem ser preocupações do homem integral. As escolas que adotarem a educação integral devem incluir em seus currículos estudos e práticas relativas à saúde do corpo e do meio ambiente.

A beleza é o valor estético associado ao sentir. Não se trata apenas da beleza espiritual, mas, também, da beleza física (do próprio homem e do meio ambiente). Considerado como um ser uno, no homem, o espiritual e o físico se interferem mutuamente. A beleza física e a espiritual se refletem entre si. O homem integral não descuida de nenhuma das duas. Reconhece os valores do espírito da mesma forma que valoriza a higiene e a ecologia.

O homem integral é, portanto, um ideal a ser atingido. Um modelo a ser imitado.

As três formas de inteligência (3)

Podemos associar a essas três faculdades três formas principais de inteligência: a inteligência racional, a inteligência emocional e a inteligência volitiva.

Na tradição da filosofia e da psicologia, a faculdade ordinariamente associada à inteligência é o pensar ou, utilizando a forma tradicionalmente conhecida, a razão. Falar, portanto, em inteligência racional é pleonasmo. Em geral, sempre se considerou a razão como o patrimônio maior, e talvez único, da inteligência. Por isso, desenvolver a inteligência significava quase que exclusivamente o desenvolvimento da razão ou do pensar. O homem inteligente é aquele que sabe pensar. É preciso ensinar a pensar, dizem freqüentemente. Fomos levados a acreditar que o papel mais importante do educador é ensinar a pensar.

Mais modernamente, entretanto, a inteligência emocional também tem sido difundida. Muito se tem falado da relevância dos aspectos emocionais no desenvolvimento da inteligência. O ensinar a sentir passou a fazer parte do vocabulário dos educadores, embora não com a mesma força do ensinar a pensar.

Pouco, no entanto, tem sido dito da inteligência volitiva, ou inteligência associada à vontade. O papel dessa inteligência, na formação integral do homem, precisa ser melhor explorado. E a razão é simples. Nunca, como agora, os valores éticos e políticos se tornaram tão necessários. A sociedade moderna, no plano nacional e mesmo internacional, reconhece a importância dos valores éticos na conquista de uma vida mais justa. Aliás, direito e justiça resultam do uso adequado da vontade ou do querer. Portanto, são frutos de uma inteligência volitiva bem desenvolvida.

Ousamos afirmar que a sociedade moderna padece as conseqüências de não ter dado a devida importância ao desenvolvimento da inteligência volitiva. Educadores, em geral, preocupados com a construção de uma sociedade mais justa, deverão assumir, como compromisso inadiável, a tarefa de desenvolver a inteligência volitiva. Uma educação para o desenvolvimento harmônico das inteligências racional, emocional e volitiva deve ser um dos mais importantes objetivos de uma instituição de ensino.

As escolas e instituições de ensino realmente comprometidas com a formação do homem integral, precursor de uma sociedade mais justa, precisam assumir seu papel no desenvolvimento harmônico dessas três formas de inteligência. Será preciso tratar essas três formas de inteligência com a mesma importância. Dar ao sentir e ao querer o mesmo tratamento que tem sido dispensado ao longo da história para a faculdade de pensar. Não apenas os valores da ciência, mas igualmente os do sentimento e da ética precisam ser constantemente aprimorados. Não basta ensinar o homem a pensar, é imprescindível fazê-lo cultivar os mais nobres sentimentos e comportar-se eticamente na construção de uma sociedade mais justa e feliz.

Vale ressaltar que essas três faculdades trabalham sempre em conjunto, pois o homem, como ser individual, é uno. Essas faculdades devem ser vistas como três modos de expressão de um único indivíduo; três formas de ser de um mesmo indivíduo. O homem pensa, sente e quer ao mesmo tempo. Essa separação em três faculdades é apenas uma forma didática de descrição de um único indivíduo. essencialmente, o homem é um todo organizado.

Mesmo no ensino de uma ciência qualquer, embora a faculdade de pensar pareça desempenhar o papel mais importante, o sentir e o querer são essenciais. Costuma-se dizer que ninguém aprende se não estiver suficientemente motivado. Ora, a motivação surge exatamente do uso adequado do sentir. O indivíduo sente motivação. A motivação precisa aparecer ou surgir passivamente no indivíduo, como resultado de algum estímulo externo ou interno ao indivíduo. O educador precisa saber o que provoca a motivação no educando e quais estímulos deve usar.

Mas, não basta estar motivado, é preciso querer aprender. O esforço de concentração, a disciplina e o recolhimento são indispensáveis ao aprendizado de qualquer ciência. Esses valores só surgem no indivíduo pelo uso adequado da vontade.

O educador, para ser considerado um educador completo, precisa estar habilitado na arte de desenvolver, ao mesmo tempo e com o mesmo grau de intensidade, a inteligência racional, a emocional e a volitiva. Ensinar a pensar, a sentir e a querer passam a ter, para ele, a mesma importância.

Vale a pena insistir na importância do desenvolvimento harmônico dessas três faculdades.

É muito comum encontrarmos pessoas que desenvolveram muito apenas o pensar e que, dominadas pelo orgulho, tornaram-se arrogantes e presunçosas. Carecem da virtude mais importante na caracterização do homem sábio: a humildade. Sem a humildade perdem boas oportunidades de continuar aprendendo. Pensam que já sabem tudo.

Existem indivíduos muito inteligentes e com grande habilidade de decisão, mas vingativos e perversos, verdadeiros déspotas.

Por outro lado, encontramos, também, indivíduos com bons sentimentos, que são boas pessoas, mas não conseguem tomar decisões corretas. São, com freqüência, iludidos, enganados pelos mais espertos.
As virtudes são conquistas do desenvolvimento harmônico do pensar, do sentir e do querer.

As instituições de ensino seriamente comprometidas com a educação devem não apenas formar profissionais com sólido conteúdo científico (inteligência racional), mas desenvolver o amor ao conhecimento, o sentimento estético e artístico que vincula o belo ao conhecimento (inteligência emocional) e, também, ensinar os valores éticos da ordem, do respeito, da liberdade, da disciplina e da seriedade (inteligência volitiva), tão carentes nos dias de hoje.

A Inteligência Racional

Como já enfatizado, toda a história da nossa cultura, em especial a história da educação, tem realçado o papel do desenvolvimento da razão no ensino das ciências e da filosofia. A todo o momento, fala-se no ensinar a pensar e no aprender a aprender.

Os sistemas clássicos de ciência e filosofia foram construídos em cima da noção de verdade. Conhecimento era caracterizado como crença verdadeira e justificada; verdade e justificação obtidas pelo uso adequado da razão. Muitas áreas de estudo não eram consideradas científicas exatamente porque não podiam ser justificadas adequadamente pelo uso da razão. A razão passou a ser a principal fonte de conhecimento. Todo o ensino passou a se preocupar quase que exclusivamente com o uso da razão.

Com o sucesso da matemática e da física nos séculos XVIII e XIX, o pensamento lógico-matemático passa a servir de modelo para todas as ciências. O ensino se concentra quase que exclusivamente no ensinar a fazer bom uso da razão, consoante aos padrões já estabelecidos pela lógica e pela matemática. Como conseqüência, tivemos a matemática e a física como o modelo de ciência a ser imitado. Nessas ciências, o pensar atingiu seu apogeu. Ainda hoje, considera-se como as maiores inteligências do planeta os grandes matemáticos e físicos, consagrados pela história.

Nada há de mal nisso. Apenas demonstra o fato de se ter, na história da humanidade, enfatizado somente, a inteligência racional, sem consideração das outras duas formas de inteligência. Grandes artistas, políticos e benfeitores da humanidade, geralmente, não são apresentados como grandes inteligências. Homens como Mozart, Gandhi ou Jesus, embora socialmente respeitados, não são apresentados como figurando entre as maiores inteligências do planeta. Entretanto, se fôssemos classificá-los com os padrões da inteligência emocional ou volitiva, eles seriam colocados no mais alto grau.

Vale ressaltar que o critério clássico, hoje já em descrédito, de aferição da inteligência pelo quociente de inteligência ou QI, considerava, fundamentalmente, apenas a faculdade de pensar. Por isso, saber pensar virou sinônimo de inteligência.

As conquistas das ciências constituem o lado bom dessa supervalorização da inteligência racional. O homem aprendeu a fazer uso da faculdade de pensar. O desenvolvimento dessa faculdade não parou jamais. A cada dia, mais conquistas da razão, mais teorias são propostas. O conhecimento em todos os campos da ciência cresce exponencialmente. O conhecimento acumulado nos últimos cem anos já supera, em muito, todo o conhecimento acumulado desde os primórdios da humanidade.

Sem dúvida alguma, a humanidade ganhou muito.

O lado mau pode ser encontrado nas conseqüências do desprezo dado às outras duas formas de inteligência. Os valores do sentimento e da moral sempre ficaram em segundo plano. Sempre foram considerados como pertencentes aos homens fracos e menos espertos. Muitas das conquistas da ciência viraram instrumento de violência e submissão. A violência e a guerra ganharam em requinte e sofisticação. O homem moderno sabe muito, mas sofre e é infeliz. Sem o sentimento e a vontade para conduzir adequadamente a razão, o homem moderno caminha como um viajante em um deserto sem oásis. Sabe para onde ir, mas não encontra a água para matar a sede; sede de paz e de justiça; sede de amor e liberdade.

Para reverter esse estado de coisas, é fundamental voltarmos nossos olhos para o desenvolvimento das inteligências emocional e volitiva. Sem as conquistas do sentimento e da vontade, o homem continuará sedento.

A Inteligência Emocional e a Inteligência Volitiva

Fala-se muito, hoje, em inteligência emocional. Gostaria apenas de ressaltar alguns aspectos que devem preocupar os educadores.

Quando a tarefa educativa está voltada para o desenvolvimento da inteligência racional, muitas metodologias de ensino já foram propostas por psicólogos e pedagogos. A experiência acumulada de muitos anos de ensino das ciências nas instituições especializadas permitiu o surgimento de muitas técnicas ou metodologias de ensino-aprendizagem. Sabemos, razoavelmente, como ensinar diversas ciências. O sucesso das instituições de ensino em dar continuidade ao conhecimento científico acumulado atesta isso. Mesmo reconhecendo que muito ainda pode ser feito com relação a ensino-aprendizagem, já avançamos muito. O mesmo, no entanto, não pode ser dito das inteligências emocional e volitiva.

Sempre tivemos pessoas notáveis que, isoladamente ou em pequenos grupos, deram grandes contribuições para o desenvolvimento dessas inteligências. No entanto, falando em termos sociais, podemos dizer que a preocupação com essas duas formas de inteligência é bem recente. A Declaração Universal dos Direitos do Homem, elaborada pela ONU, ainda não completou sessenta anos. Como conseqüência, quase tudo ainda resta por fazer para o desenvolvimento dessas duas inteligências.

Considerando que as três faculdades são irredutíveis entre si, as metodologias de ensino aplicáveis no desenvolvimento de uma delas não necessariamente podem ser aplicadas no desenvolvimento das outras duas. Todo o acúmulo de metodologias para o ensino das ciências pode não ajudar muito. De fato, parece que o desenvolvimento dessas inteligências exige metodologias próprias.

Os valores do sentimento e da vontade parecem exigir, diferentemente dos valores racionais, muito mais ação e vivência. Não podem ser ensinados teoricamente apenas. O estudo de textos, a exposição oral, as técnicas de comunicação por meio da linguagem oral ou escrita parece que não são suficientes para o desenvolvimento das inteligências emocional e volitiva. Para essas, vale muito mais o exemplo do educador e a vivência do educando. Encontramos pessoas com pouca instrução formal, mesmo analfabetas, mas com grande senso estético e ético. "Vale mais o exemplo do que palavras", diz a sabedoria popular. Sócrates ou Cristo se imortalizaram por aquilo que sentiram ou fizeram, muito mais do que pelo conhecimento racional que deixaram.

Diante disso, a postura do educador para o desenvolvimento do sentir e do querer no educando deve ser diferente. Não basta o conhecimento teórico; é preciso dar o exemplo. Não adianta tentar desenvolver no educando o gosto e a beleza do conhecimento (inteligência emocional) se o próprio educador não gosta de ensinar. É quase sempre em vão o esforço para ensinar aos educandos os valores dos sentimentos superiores, de paz, de respeito, de amor e fraternidade se o próprio educador cultiva os sentimentos opostos de violência e desrespeito ao ser humano.

Uma instituição de ensino que pretenda contribuir para o desenvolvimento do senso estético em seus alunos não pode descuidar da beleza e bom gosto de suas instalações. O ambiente esteticamente agradável, limpo e bem conservado, além de ensiná-los a apreciar o belo, induz a um comportamento de limpeza e conservação. O metrô de São Paulo permanece limpo e bem conservado mesmo com a circulação diária de milhares de pessoas.

Como as três formas de inteligência constituem no homem um todo organizado, o desenvolvimento de uma favorece o desenvolvimento das outras. Por isso, é muito mais produtivo estudar em um ambiente esteticamente agradável, bonito e bem cuidado. O sentimento de prazer associado à beleza estética do ambiente favorece o prazer de estudar.

Conversei com alguns alunos que utilizavam freqüentemente a biblioteca de uma instituição de ensino para estudar e eles responderam "o local é bonito e agradável, sentimos muito mais prazer de estudar aqui do que em casa".

Algo análogo ocorre no desenvolvimento da inteligência volitiva.

Para se aprender com seriedade e profundidade qualquer ciência, são muito importantes a ordem e a disciplina. Sem ordem e disciplina o aluno tem dificuldade de controlar os próprios pensamentos. A imaginação desordenada ocupa totalmente a sua mente e ele não consegue o recolhimento indispensável ao estudo sério. É muito comum, mesmo durante uma boa palestra, o aluno perder a concentração por falta de disciplina. Seu pensamento se dirige para outros interesses e ele não consegue acompanhar um argumento mais elaborado. Ora, disciplina se aprende, principalmente, em ambiente disciplinado. O hábito de respeitar horários e compromissos, por respeito aos outros, só se conquista com o uso adequado da vontade. Aprender a controlar pensamentos e sentimentos é tarefa da inteligência volitiva.
A inteligência volitiva é a que menos tem recebido a atenção que merece. A razão talvez esteja no fato de que é muito mais difícil, dentro do modelo de educação, tradicionalmente adotado pela sociedade que favorece apenas o pensar, o desenvolvimento dessa forma de inteligência. É muito mais difícil agir eticamente do que pensar. Pessoas que se comportam eticamente são mais raras.

Isso, no entanto, precisa mudar. A sociedade moderna globalizada está exigindo profissionais que não apenas saibam pensar, mas com habilidades de liderança e ação, que saibam fazer uso adequado da inteligência volitiva.

É muito comum a queixa com respeito ao despreparo dos egressos das instituições de ensino. As instituições formam apenas bons acadêmicos (inteligência racional). Falta o "senso prático", a capacidade de liderar e tomar decisões, um comportamento ético elementar de seriedade e responsabilidade, a habilidade política etc., em outras palavras, falta inteligência volitiva. A inteligência volitiva está associada ao querer, cuja fonte é a vontade. A vontade determina a ação. A ação transforma o mundo e as pessoas.

Concluindo, a educação integral é aquela que tem por fim o homem integral. É a educação para o desenvolvimento da inteligência racional, da inteligência emocional e da inteligência volitiva.

 

1. René Descartes, em seu livro Paixões da Alma, apresenta essas três faculdades da alma.

2. Descartes utiliza as expressões 'pensamento', 'percepção' e 'vontade'.

3. Recentemente, o psicólogo americano Daniel Goleman apresentou em um livro que se tornou um grande best-seller das idéias básicas do que seria um conceito novo: a Inteligência Emocional. Na verdade, essa expressão é uma redundância, a inteligência é uma só, nossa mente funciona como um todo integrado incluindo aspectos cognitivos, emocionais e volitivos. A novidade é a valorização dos aspectos emocionais da inteligência, os quais durante muito tempo foram negligenciados. Da mesma forma, pretendemos valorizar neste artigo os aspectos volitivos da inteligência.

 

 
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