Áureo Gomes Monteiro Júnior
Em 1969, um grupo de cientistas e pesquisadores norte-americanos iniciou um
movimento de integração e troca de informações descentralizadas
por meio digital. Começava a Internet, logo apropriada principalmente
pelos militares, que vislumbraram em sua estrutura de teia de informações
um mecanismo interessante e estratégico em eventuais situações
de guerra. Na época, não se podia prever que, no futuro, a Internet
seria responsável por uma abrupta quebra de paradigmas, fazendo com que
o computador se tornasse um potente instrumento de comunicação
entre os usuários.
Um pouco antes, por volta de 1945, ficava pronto o Computador e lntegrador
Numérico Eletrônico ou ENIAC (Electronic Numerical lntegrator and
Computer), efetivamente o primeiro computador eletrônico, desenvolvido
pela Escola Moore sob encomenda do Laboratório de Pesquisas Balísticas
do Departamento de Guerra em Maryland (EUA).
O ENIAC - com aproximadamente 5,5 m de altura por 25 metros de comprimento
e 17.468 válvulas eletrônicas (nos dois primeiros meses de teste,
processou aproximadamente 1 milhão de cartões perfurados da IBM)
- inicialmente tinha o objetivo de realizar cálculos de projeção
balística, pois se viviam as agruras da Segunda Guerra Mundial. Após
o fim da guerra, as pesquisas e investimentos na produção de novos
computadores continuaram, pois ficou clara a importância do domínio
dessas novas ferramentas.
As últimas cinco décadas marcaram de modo muito especial a humanidade.
Em virtude de outros inventos ou tecnologias que surgiram, alterou-se enormemente
o modo de vida de grande parte dos habitantes do planeta. Em praticamente todas
as áreas do conhecimento, muitas previsões de invenções
já são realidade e até mesmo superaram as expectativas
iniciais. A corrida espacial dá vários exemplos de tecnologias
desenvolvidas e inseridas em pouco tempo no cotidiano, como ligas metálicas,
combustíveis e mecanismos de transmissão de sons e imagens, entre
outros.
Desde o início da história das civilizações - quando
os primeiros seres humanos passaram a registrar suas informações
em letras cuneiformes, na Suméria, por volta de 3000 a.C. -, vêm
sendo desenvolvidas tecnologias que transformaram e reconstruíram o mundo
"civilizado" por diversas vezes. O papel, a máquina a vapor,
a pólvora, a energia elétrica e a nuclear são alguns exemplos
disso.
Atualmente, é difícil imaginar a humanidade sem o uso de computadores
e da Internet. Parece impossível pensar que não tenha sido sempre
assim. A desenvoltura com que as crianças manejam equipamentos eletrônicos
(como o controle remoto da televisão, do videocassete e do DVD), especialmente
o computador e a Internet, faz acreditar que essas tecnologias realmente sempre
existiram. Diferentemente dos adultos (que foram apresentados às novas
tecnologias), as crianças nasceram nesse contexto tecnológico.
Os adultos normalmente encontram dificuldades em acompanhar o ritmo de evoluções
da atualidade, por isso nem sempre conseguem dominar o uso de tantas ferramentas
e tecnologias disponíveis, talvez pelo fato de sentirem um certo receio
- o que é perfeitamente compreensível - de tudo o que é
novo ou revolucionário.
Numa ocasião, uma educadora, já octogenária, confessou
que há tempo tentava usar o computador, mas invariavelmente pedia o auxílio
de seu jovem neto, que com um simples toque dirimia rapidamente todas as suas
dúvidas e fazia acontecer em segundos o que para ela parecia extremamente
complicado. O interessante dessa história é que a avó lembrava
com muito orgulho da própria infância, quando seu pai lhe pedia
ajuda para sintonizar o rádio na estação preferida. Isso
demonstra que, na década de 20 do século passado, a tecnologia
do rádio também era de difícil domínio para os adultos.
A Internet, no século XXI, avança vorazmente e engloba tecnologias
que a antecederam, sendo responsável por mais uma alteração
no modo de vida da humanidade ao promover a integração das pessoas.
Fica a reflexão do que serão capazes as crianças de hoje
quando forem os adultos de amanhã depois de terem convivido, desde a
infância, com tantas possibilidades tecnológicas e ferramentas
tão transformadoras como a Internet.