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Conhecimento e desenvolvimento

Roberto Dias Duarte*

A imaginação é mais importante que o conhecimento.
(Albert Einstein)


Este texto aborda a importância do senso crítico, da capacidade de análise e da formação das pessoas para que haja um desenvolvimento das empresas e do país como um todo. Não basta que haja a “democratização da informação” para que as pessoas se desenvolvam. Não basta que se distribua tecnologia como se fossem cestas básicas. O desenvolvimento pessoal, organizacional e do país é decorrente da capacidade de pensar e de questionamento de cada indivíduo.

Não precisamos ser gurus para perceber que o mundo está passando por uma terceira onda de transformações. É cada vez mais repetitivo dizer que estamos vivendo a era da revolução da informação, lastreada na tecnologia disponível, que elimina as barreiras da distância relacionada à língua e à cultura e nos conduz a novos processos de produção, a novas formas de diversão, a um novo modo de viver e pensar, agir e interagir.

Mas, quanto mais veloz e voraz é o avanço tecnológico, maior é o abismo que separa o mundo tecnologicamente "in" do mundo tecnologicamente "out".

Enquanto algumas pessoas têm acesso à tecnologia e, conseqüentemente, à informação, outras ficam condenadas ao completo e total abandono e isolamento.

Alguns países perceberam que o desenvolvimento está relacionado diretamente com a educação e a formação de seu povo, enquanto outros ainda crêem que a importação de tecnologia e de equipamentos resolverá todos os seus problemas. Assim, os primeiros investem recursos financeiros e humanos no processo educacional, aumentando rapidamente seu poder em relação aos demais. Esses países, além de investirem fortemente no setor educacional, dão liberdade de ação ao setor privado e o incentivam a utilizar formas alternativas de educação. É o uso livre da tecnologia para democratizar o desenvolvimento tecnológico.

Acredito não restarem mais dúvidas de que a informação e a formação são os elementos mais estratégicos para uma nação — ao contrário do que se acreditava bem pouco tempo atrás, quando havia a crença de que recursos naturais ou industriais eram os pontos estratégicos.

Resta-nos questionar a atuação da sociedade brasileira como um todo e também a de cada cidadão em relação a esse assunto. Isso porque a grande concentração de riquezas que caracteriza nossa sociedade tende a acentuar-se, uma vez que as gerações dependem cada vez mais dos dois aspectos abordados anteriormente: informação e formação.

Por outro lado, é insensato, ineficiente e ineficaz esperar que o Estado distribua conhecimento como faz com cestas básicas. Por isso, acredito que a solução para esses problemas deve partir do “micro” para o “macro”, ou seja, das pessoas, das famílias e das empresas para a sociedade.

Dessa forma, cabe a cada pessoa, família e organização planejar e executar seu programa de desenvolvimento, pessoal e organizacional, considerando não apenas as inovações tecnológicas, mas, fundamentalmente, os fatores humanos, como formação, capacitação e cultura. A tecnologia disponível, quando utilizada de forma inteligente, produz uma intensa distribuição — e, por que não dizer, democratização — da informação e do poder. Há uma infinidade de entidades não-governamentais (ONG’s), universidades e empresas disponibilizando, através da Internet, meios de capacitação profissional e pessoal de forma extremamente viável. Por meio de cursos a distância (e-learning), muitas pessoas podem voltar a estudar, atualizando-se de forma rápida e barata.

Entretanto, sem o fator “formação”, a informação não tem valor algum, pois a capacidade de análise dos dados é imprescindível para a manutenção de uma organização e de um país em longo prazo.

O objetivo de um plano de inserção tecnológica deve ter como prioridade a utilização da informação voltada para aspectos práticos da vida das pessoas e para o negócio central das empresas e não para tecnologia em si. A execução desse plano deve considerar principalmente as variáveis humanas e culturais.

Pode parecer óbvio, mas até hoje as empresas não perceberam que seus concorrentes locais ou globais podem adquirir as mesmas tecnologias que elas utilizam (hardware, software e metodologias).

O fator “gente” tem sido aclamado pelas várias correntes da moderna administração. Entretanto, raramente é encarado com seriedade pelos gestores de organizações privadas ou públicas. Enquanto isso, no mundo real, as mudanças tecnológicas atuam como catalisadores para as transformações das atividades econômicas. Além disso, a especialização das atividades empresariais praticamente obriga as empresas a constituírem parcerias e joint-ventures, atomizando cada vez mais as atividades econômicas. Assim, o perfil do "recurso humano" ótimo, capacitado, equilibrado, maduro e consciente tem se tornado escasso, pois sua formação é uma tarefa que exige longo prazo e, além disso, os profissionais altamente qualificados são assediados constantemente pelas concorrências local e internacional ou tentados a constituir um negócio próprio.

Dessa forma, um modelo eficaz de desenvolvimento deve ser fundamentado em três pilares: pessoas, negócio e tecnologia. Cabe observar que a tecnologia é o fator mais instável e menos perene. É notório que ela sofre uma revolução quase anualmente, mudando-se conceitos e transpondo-se paradigmas. Por outro lado, a informação desejada e a estrutura desta são mais duradouras. Além disso, a pessoa que faz uso da informação deve ter seu senso crítico e sua capacidade de análise e aprendizado altamente desenvolvidos para atingir seus objetivos em um ambiente extremamente dinâmico.

Por fim, devemos ter sempre em mente que esses três elementos são complementares entre si e que, isoladamente, têm pouco valor para as organizações.

Somente a fusão deles é capaz de gerar a sinergia necessária para que as empresas e também nosso país obtenham vantagens competitivas sustentáveis em longo prazo, seja por meio da diferenciação de seus produtos e serviços, seja através de uma grande redução de custos nos processos produtivos.

*****

Roberto Dias Duarte, 35 anos, é administrador de empresas, com MBA pelo IBMEC BH, e diretor de produtos e novos negócios da Mastermaq Informática. Atua, desde 1988, na área de tecnologia da informação. Trabalhou em empresas como Mannesmann, ATT/PS e Datasul.
robertodiasduarte@yahoo.com.br

 
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