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Espírito Santo
Não gosta: dos deputados que defendem a redução
da idade penal no Congresso Nacional, pois acredita que “adolescente
cidadão não precisa de prisão; quer é
educação”.
Do que gosta: viajar, jogar malabares, escutar música
e ir aos encontros de mobilização social de
adolescentes.
Deseja: fazer carreira política para mudar as
estatísticas de violência em Colatina, no Espírito
Santo.
Sonha: constituir uma família, ter filhos e
poder educá-los como cidadãos cientes de seus
direitos.
Sua proposta: exigir que as leis nacionais e internacionais
criadas para defender os direitos das crianças e adolescentes
sejam cumpridas.
Gedeilson Costa dos Santos, 18 anos, mora em Colatina, Espírito
Santo. “Eu venho de uma comunidade carente, desinformada,
na qual a remuneração da população
é muito baixa. Mas nosso maior problema é o
comércio de drogas. Onde eu moro, é muito comum
ver meninos de 9 e 10 anos trabalhando para os traficantes.
Já tentei aconselhá-los, mas eles me deram as
costas”.
Até há pouco tempo, a rua era o local de trabalho
de Gedeilson. Para ganhar um “trocado” e ajudar
a família, ele vigiava e lavava carros. “A minha
vida estava começando a caminhar para simplesmente
uma trajetória nas ruas. Com muita força de
vontade e fé, evitei me envolver com o mundo das drogas”.
Infelizmente, nem todos os cinco irmãos de Gedeilson
tiveram a mesma sorte. Dois deles, os mais velhos, abandonaram
a escola e entraram no comércio de drogas. “Eles
fizeram muitas dívidas com os traficantes e, como não
tinham dinheiro para pagar, nossa família começou
a ser ameaçada de morte. Eu tive medo, fiquei preocupado
com os meus pais”, conta.
Ao contrário dos dois irmãos mais velhos, Gedeilson
nunca parou de estudar. Ele acredita que esse é um
diferencial importante e que lhe possibilita vislumbrar um
futuro melhor. Ele está terminando o Ensino Médio,
e suas disciplinas favoritas são Física e Matemática.
Um dos prazeres de Gedeilson é participar dos encontros
municipais promovidos pelo Movimento Nacional de Meninos e
Meninas de Rua (MNMMR) no Espírito Santo. Aos 8 anos
de idade, ele já acompanhava sua mãe nos encontros
de mobilização social de crianças e adolescentes
no estado. “Minha mãe me levava junto com ela
quando ia trabalhar como cozinheira nos encontros estaduais
do MNMMR. Então, desde pequeno, fui envolvendo-me com
os meninos e meninas que estão organizados para lutar
pelos seus direitos”.
Há dois anos, a responsabilidade de Gedeilson no MNMMR
cresceu: ele foi eleito o representante do Espírito
Santo na Comissão Nacional de Animação
(CNA) dessa organização. “Para mim, já
que venho de uma comunidade carente, é um privilégio
ter o compromisso de lutar pelos direitos das crianças
e dos adolescentes brasileiros”.
Essa consciência política e responsabilidade
social fazem Gedeilson sonhar alto quando conversa sobre seus
planos. “Gostaria de começar como conselheiro
tutelar e depois me tornar até um prefeito, pois meu
desejo é ver o povo feliz e mudar esse quadro estatístico
de violência na minha cidade”.
Gedeilson não se espelhou na maioria dos políticos
brasileiros para construir seu projeto de vida. Pelo contrário,
ele os chama de “mercenários” porque não
se esforçam para aplicar no país a lei mais
importante na vida de crianças e adolescentes brasileiros,
o ECA — Estatuto da Criança e do Adolescente.
“Eles deveriam estar lutando junto com a gente, mas
trabalham para defender apenas interesses próprios.
Se todo mundo conhecesse seus direitos e batalhasse por eles,
o Brasil seria um país melhor”.
Gedeilson se esforça para tornar seus planos realidade.
Acorda às 6h30 para ir trabalhar como aprendiz em uma
empresa de atacado de Colatina. Ele faz parte do programa
federal Menor Aprendiz, criado com o objetivo de qualificar
e capacitar jovens brasileiros para o mercado de trabalho.
“Estou lá há três meses e estou
gostando. Para mim, é uma grande oportunidade. As pessoas
são legais e apóiam minhas atividades de militante
das causas sociais”.
Gedeilson volta para casa às 23h30 depois da escola.
Tem apenas o sábado e o domingo para descansar, namorar
e encontrar os amigos. “Aproveito o meu tempo ao máximo
para escutar música e praticar malabares. Estou começando
a aprender também dança de rua, por meio do
Movimento Hip Hop, que está crescendo na minha cidade”,
conta. A banda preferida dele é Legião Urbana.
“Sou fã do Renato Russo porque as letras das
músicas que ele fez retratam a vida da nossa nação”,
revela.
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