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 INÍCIO > Prêmio das crianças do mundo 2005
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 ::CANDIDATOS:::
Nelson Mandela e Graça Machel — África do Sul - 001
Ana Maria Marañon de Bohorquez — Bolívia - 002
Mães de Santa Rita — Quênia - 003

::: Mães de Santa Rita — Quênia

Número na Urna - 003

 

Por que as Mães de Santa Rita são nomeadas?

As vinte Mães de Santa Rita são nomeadas ao Prêmio das Crianças do Mundo 2005 por seu trabalho voluntário e pela árdua luta empreendida para ajudar crianças cujos pais morreram de aids, nas aldeias da periferia de Kisumu, no Quênia. Sem o apoio que recebem dessas mulheres, esses meninos e meninas viveriam nas ruas, envolvidos com drogas, criminalidade e prostituição. As Mães de Santa Rita lutam pelos direitos das crianças órfãs para que tenham as mesmas possibilidades na vida que qualquer outra criança. Apesar de a maioria das mães viver com poucos recursos, consegue fornecer comida, roupas, tratamento médico, escola, um lar, uma nova família e amor a 43 órfãos. E nem o governo nem outra organização oferece qualquer tipo de apoio econômico a elas.

As Mães de Santa Rita

Tudo começou com Ferdinand e sua mãe, Rita, em uma aldeia às margens do Lago Victoria, no Quênia. Ambos morreram de aids, mas, antes de falecer, Ferdinand sugeriu que um grupo se unisse para ajudar as crianças que tivessem ficado órfãs por causa dessa doença. O grupo se chamaria Mães de Santa Rita, em homenagem à mãe dele. Apesar de serem pobres, as vinte mulheres que fazem parte do grupo vêm trabalhando arduamente há sete anos para ajudar essas crianças.

Ferdinand já nasceu com o vírus HIV. Quando seus pais morreram, vítimas da aids, sua tia Bernadette passou a cuidar dele. Ela tinha prometido a Rita que faria isso. Ferdinand se mudou para a casa da tia e se tornou um membro da família. “Eu queria oferecer a ele uma vida tão normal quanto possível. Ele freqüentava a escola, e eu o amava como se fosse meu próprio filho”.

Com o passar dos anos, Ferdinand foi ficando cada vez mais doente. Ele era internado com freqüência, e as doses de medicamentos, que eram caros, aumentavam. “Fui obrigada a vender quase tudo o que possuía para mantê-lo vivo. Meu carro, a TV, o toca-fitas e até a torradeira elétrica”, recorda Bernadette.

Ela e Ferdinand conversavam muito sobre a doença e sobre a mãe dele. Ele pensava em Rita com freqüência e, às vezes, ficava muito triste. Ao mesmo tempo, sentia-se feliz pelo fato de a tia cuidar dele e passou a chamá-la de mãe. O menino insistia na idéia de que era preciso ajudar outras crianças cujos pais também tivessem morrido de aids. Dessa maneira, elas teriam as mesmas chances de sobrevivência que ele havia tido.

Origem de Santa Rita

Bernadette gostou muito da idéia e um dia decidiu contá-la às amigas. “Cada vez mais crianças acabavam ficando sozinhas porque os pais morriam de aids, e muitas delas eram obrigadas a abandonar a escola, pois não tinham recursos para continuar. Muitas foram viver nas ruas de Kisumu por não terem outra forma de sobreviver além de pedir esmolas. Como eu e minhas amigas somos todas mães, era muito doloroso ver essas crianças sofrendo. Queríamos ajudá-las de alguma maneira”, lembra.

Ela conta que passaram a percorrer as aldeias para conversar com outras mulheres. “Reunimos vinte mães, que decidiram ajudar o maior número possível de órfãos. Não tínhamos dinheiro nenhum, mas mesmo assim iniciamos nosso trabalho”.

Quando Bernadette voltou para casa e contou a novidade, Ferdinand ficou muito feliz. Ele perguntou à tia se poderia escolher o nome do grupo. E ela prontamente concordou. “Ferdinand queria que o grupo se chamasse Santa Rita, lembrando o nome da sua mãe, pois assim recordaríamos sempre dela. Achei uma idéia muito bonita, e desde então usamos esse nome. Ele queria muito participar e contribuir com as Mães de Santa Rita, mas isso não foi possível porque ele morreu antes, quando estava na sexta série”.

Todos ajudam

Já no primeiro dia, um grupo de órfãos que não tinha comida, roupas, uniforme escolar nem lugar para morar se formou do lado de fora da casa de Bernadette. “A princípio, não sabíamos como fazer, já que não tínhamos dinheiro. Algumas de nós começaram a fazer pães e bolos para vender na cidade. Outras vendiam verduras e legumes que plantavam. Depois de um tempo, juntamos dinheiro suficiente para comprar uma vaca. Então, passamos a vender leite também. Em seguida, decidimos que, no primeiro sábado de cada mês, todas as mães doariam no mínimo 200 shillings (US$ 2,68) para ajudar as crianças”, conta.

Muitas mães são viúvas, desempregadas e precisam cuidar dos próprios filhos. Para elas, 200 shillings é muito dinheiro. Mesmo assim, todas deram o que podiam, e aquelas que não podiam ajudar com dinheiro colaboravam de outras maneiras. Algumas lavavam as roupas e faziam a comida das crianças. Outras se tornaram mães adotivas e permitiram que algumas crianças se mudassem para sua casa.

“O mais importante para as mães é oferecer às crianças um lugar onde morar. Acreditamos que esses meninos e meninas devem viver com uma família, não em um orfanato. Queremos que o cotidiano deles seja o mais normal possível e que se integrem à vida comunitária das aldeias. Sempre tentamos encontrar novas famílias para as crianças que perderam seus pais. No entanto, a maioria das pessoas nas aldeias é pobre e não tem recursos para cuidar de mais crianças, mesmo recebendo nossa ajuda”, diz Bernadette.

Os direitos de toda criança

Há sete anos, as Mães de Santa Rita têm trabalhado arduamente para dar a meninos e meninas órfãos uma vida melhor. Atualmente, elas oferecem comida, roupas, tratamento médico, escola, um lar, uma nova família e amor a 43 crianças. “É muito duro, mas não temos escolha. Nós acreditamos que todas as crianças têm o direito de serem amadas. Se não as ajudarmos, elas acabarão nas ruas da cidade, envolvidas com drogas, criminalidade e prostituição; não poderão ir à escola e, com isso, não terão um futuro melhor. Essas crianças são da nossa aldeia; por isso, somos responsáveis pelo bem-estar delas. Se não fizermos nada por elas, quem fará?”, pergunta Bernadette, que acrescenta: “Nós fazemos o melhor que podemos, mas faríamos muito mais se tivéssemos recursos. Gostaríamos, por exemplo, de oferecer a todas as crianças um almoço de verdade todos os dias. Assim elas poderiam ter pelo menos uma refeição nutritiva por dia. Segundo as últimas pesquisas que realizamos, existem, atualmente, 1.500 órfãos em nossa comunidade. Se tivéssemos condições, cuidaríamos de todos eles”.

A cura

“Nosso maior sonho é que um dia encontrem a cura para a aids, pois, com isso, muitas crianças poderiam continuar a viver com seus pais. Então, nosso trabalho não seria mais necessário. Infelizmente, a cada semana, mais crianças nos procuram pedindo ajuda. Sempre tentamos colaborar, mesmo com poucos recursos. Nunca mandamos ninguém embora sem nada lhe oferecer. Enquanto houver crianças que precisem de ajuda batendo em nossa porta, continuaremos lutando para que tenham uma vida melhor!”, afirma Bernadette.

Infelizmente, deveria haver muitas outras mães como as de Santa Rita. Na África, há 43 milhões de crianças órfãs. Destas, 12 milhões perderam os pais por causa da aids. O Quênia é um dos países mais atingidos (lá, 1,3 milhão de crianças estão nessa situação) — a região mais problemática é o oeste do país, ao redor do grande Lago Victoria, onde a aldeia Dunga está situada.

Texto: Andreas Lönn

» Veja o vídeo das Mães de Santa Rita.
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