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Graça Machel é casada com Nelson Mandela. Sempre
que necessário, eles levantam suas vozes contra a violação
dos direitos da criança. Ambos dirigem organizações
que trabalham para ajudar crianças em dificuldades
e promover a garantia de seus direitos.

Graça Machel se casou com Nelson Mandela quando ele
completou 80 anos. É o casal perfeito: os dois amam
as crianças e dedicaram boa parte de sua vida à
luta pelos direitos delas.
Por que Graça Machel está sendo nomeada?
Graça Machel está sendo nomeada ao Prêmio
das Crianças do Mundo 2005 por sua longa e corajosa
luta pelos direitos da criança, principalmente em Moçambique,
onde batalhou pelo direito das meninas à educação.
Quando foi ministra da Educação, o número
de estudantes nas escolas de Moçambique aumentou 80%.
Hoje, 45% deles são do sexo feminino, mas o objetivo
de Graça é fazer com que haja o mesmo número
de meninos e meninas nas escolas. Nas áreas rurais,
as meninas, em sua maioria, têm de trabalhar e são
obrigadas a se casar quando ainda são muito jovens.
Pensando nisso, Graça fundou um grupo de teatro para
conscientizar os pais dessas meninas sobre a importância
de oferecer educação a elas e construiu escolas
em comunidades carentes. Depois das enchentes que ocorreram
naquela região em 2000, ela e a organização
de que faz parte — Fundação para o Desenvolvimento
Comunitário (FDC) — doaram livros escolares e
colocaram as famílias necessitadas em novas casas.
Essa instituição também procura combater
todas as formas de violência e abuso contra crianças;
e Graça trabalhou internacionalmente para ajudar crianças
vítimas de guerras e na luta contra o tráfico
de meninos e meninas.
História
Graça Machel não conheceu seu pai. Ele morreu
três semanas antes do nascimento dela. Por isso, o segundo
nome dela significa ”despedida”. Sua família
era pobre e, quando o pai faleceu, a mãe se viu sozinha
com sete filhos.

Antes de morrer, o pai disse à mãe de Graça
que a criança que ela trazia na barriga deveria ir
à escola. Aos sete anos, Graça entrou para a
primeira série na localidade de Inhambane. Sua professora
se chamava Ruth, uma missionária norte-americana. Todas
as crianças tinham medo dela e não ousavam dirigir-lhe
a palavra. Mas havia uma exceção: a pequena
Graça! Ela escreveu uma carta à professora agradecendo
por tudo o que havia aprendido.
“Nós quase não acreditamos quando a vimos
se levantar da carteira, entregar uma carta à professora
e lhe dizer que a amava. Imagine que coragem!”, conta
Florentina Litsur, uma ex-colega de classe de Graça.
Direitos das meninas
Graça ganhou uma bolsa para estudar na capital, Maputo.
Aos domingos, ela freqüentava a igreja e achava injusto
que apenas os meninos pudessem liderar o grupo de jovens da
paróquia. “Ela decidiu protestar e, de pé,
no meio da igreja, exigiu que as meninas também tivessem
os mesmos direitos. Ninguém jamais se atreveria a fazer
algo semelhante”, conta o amigo Manuel Fifteen.
Hoje, meninas e meninos têm os mesmos direitos em Moçambique,
e elas podem chefiar o grupo jovens da igreja! Manuel diz
que isso tudo se deve a Graça.
Quando ela era criança, Moçambique era ainda
uma colônia portuguesa, e quase todos os africanos eram
pobres, o que Graça também achava uma injustiça.
Por isso, ela começou a lutar pela liberdade do país.
Como os portugueses queriam colocá-la na prisão,
foi obrigada a se refugiar na Tanzânia.
Em uma missão secreta no norte de Moçambique,
ela conheceu Samora Machel, líder do movimento de libertação.
Os dois se casaram em 1975, ano em que Moçambique conquistou
sua independência.
Criança na guerra
Samora tornou-se presidente de Moçambique; e Graça,
ministra da Educação. Muitas crianças
começaram a freqüentar a escola nessa época,
mas logo teve início uma nova guerra. Em 1986, Samora
morreu em um misterioso acidente de avião. Graça
acredita que pessoas envolvidas ao apartheid, regime de separação
entre brancos e negros na África do Sul, estariam por
trás do acidente.
Alguns anos depois, Graça começou a trabalhar
na ONU, informando ao mundo a situação das crianças
vítimas de guerra. Com isso, ela pretendia ajudar,
especialmente, as crianças-soldado e aquelas que foram
feridas em explosões de minas.
Mesmo na ONU, a coragem de Graça era admirada por
muitos. Ela era capaz de se confrontar com quem fosse sempre
que os direitos da criança estivessem ameaçados.
Seu árduo trabalho deu resultados: assim que foi assinado
o acordo de paz em Moçambique, começaram os
trabalhos da ONU de busca e desativação de minas.
Atualmente, quase todas já foram encontradas, o que
tem diminuído o número de crianças afetadas.
Há dez anos, Graça ajudou a criar a Fundação
para o Desenvolvimento Comunitário (FDC), em Moçambique.
Entre outras coisas, essa organização realiza
um trabalho de prevenção a doenças infantis
fatais. “Compramos vacinas e fazemos o possível
para que crianças não morram de doenças
que podem ser evitadas”, conta.
Graça auxilia também as crianças que
não têm condições de freqüentar
a escola. “Conheço bem a vida dessas crianças.
Eu também fui uma menina pobre”, diz.
Por causa de seus esforços, em breve, metade dos estudantes
das escolas moçambicanas serão meninas. Anteriormente,
as famílias mandavam apenas os filhos homens à
escola. As meninas tinham de ficar em casa, trabalhando nas
tarefas domésticas.
Por que Nelson Mandela está sendo nomeado?
Nelson Mandela está sendo nomeado para o Prêmio
das Crianças do Mundo 2005 porque
se dedicou à luta pela libertação das
crianças sul-africanas durante o apartheid e pelos
direitos delas.
Depois de passar 27 anos preso, ele se tornou o primeiro
presidente eleito democraticamente na África do Sul,
país onde hoje, pela primeira vez, crianças
de todas as etnias desfrutam dos mesmos direitos.
Mandela continua a ajudar as crianças sul-africanas
e a exigir que os direitos delas sejam respeitados. Ele dirige
sua própria fundação, a Nelson Mandela
Children’s Fund (NMCF) ou Fundo Nelson Mandela para
Crianças, que presta auxílio a crianças
de rua, carentes, portadoras de necessidades especiais ou
cujos pais morreram de aids. Quando presidente, ele doou a
metade de seu salário a crianças pobres e, quando
recebeu o Prêmio Nobel, cedeu parte do dinheiro àquelas
que vivem nas ruas. Ele não só deseja que todas
as crianças se sintam amadas, mas também oferecer
um futuro melhor a elas. É por isso que ele lhes dá
apoio para que tenham a oportunidade de desenvolver seus talentos.
História
Mandela cresceu em uma família pobre. Quando seu pai
morreu, ele foi morar na casa de um tio, que queria forçá-lo
a se casar com uma menina da aldeia onde viviam. Mas ele tinha
outros planos. Fugiu para a cidade de Johannesburgo, onde
deparou com o apartheid, um regime de segregação:
os brancos e os negros viviam separados, e estes eram maltratados
e sofriam injustiças. Mandela tinha horror a essa situação
e não podia aceitar que uma pessoa fosse tratada de
forma diferente por causa da cor de sua pele.
Ele não queria ver seus filhos — e todas as
outras crianças da África do Sul — crescerem
em meio a esse sistema e estava disposto a dar a própria
vida para que esses meninos e meninas tivessem um futuro melhor.
Sua luta contra o apartheid e pela liberdade das crianças
sul-africanas lhe custaram 27 anos de prisão!
Mandela tinha 72 anos quando conseguiu sua liberdade. Apesar
dos maus-tratos de que foi vítima, não queria
se vingar dos responsáveis pelo apartheid. Ele queria
que brancos e negros vivessem em paz para construírem
juntos um futuro melhor.
”Nosso maior tesouro”
Em 1993, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, Mandela
declarou: “Os filhos da África do Sul brincarão
em campo aberto, sem serem torturados pelas dores da fome
e das doenças e sem sofrerem ameaças de agressão.
As crianças são nosso maior tesouro”.
Ele foi eleito presidente da África do Sul em 1994
e fez com que todas as leis injustas fossem suspensas. Hoje,
as crianças brancas e negras podem ser amigas, e todos
têm direitos iguais.
Atualmente, Mandela está aposentado e dirige sua própria
fundação, que presta auxílio a crianças.
Ele diz que o contato com essas pessoas lhe dá força:
“Quando estou em contato com jovens ativos, sinto-me
com a bateria recarregada”.
Texto: Annika Forsberg Langa
» Veja o vídeo de Nelson
Mandela e Graça Machel.
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