INÍCIO > Prêmio das crianças do mundo 2005
início
minha página
índice
Introdução
  Como participar
Inscrição
  O que é o prêmio?
  Dicas para o professor
  O que é a ONG Children´s World?
  Vencedores 2005
 ::JÚRI:::
Railander Pablo Freitas de Souza
 ::CANDIDATOS:::
Nelson Mandela e Graça Machel — África do Sul - 001
Ana Maria Marañon de Bohorquez — Bolívia - 002
Mães de Santa Rita — Quênia - 003

::: Nelson Mandela e Graça Machel — África do Sul

Número na Urna - 001

 

 

Graça Machel é casada com Nelson Mandela. Sempre que necessário, eles levantam suas vozes contra a violação dos direitos da criança. Ambos dirigem organizações que trabalham para ajudar crianças em dificuldades e promover a garantia de seus direitos.

Graça Machel se casou com Nelson Mandela quando ele completou 80 anos. É o casal perfeito: os dois amam as crianças e dedicaram boa parte de sua vida à luta pelos direitos delas.

Por que Graça Machel está sendo nomeada?

Graça Machel está sendo nomeada ao Prêmio das Crianças do Mundo 2005 por sua longa e corajosa luta pelos direitos da criança, principalmente em Moçambique, onde batalhou pelo direito das meninas à educação.

Quando foi ministra da Educação, o número de estudantes nas escolas de Moçambique aumentou 80%. Hoje, 45% deles são do sexo feminino, mas o objetivo de Graça é fazer com que haja o mesmo número de meninos e meninas nas escolas. Nas áreas rurais, as meninas, em sua maioria, têm de trabalhar e são obrigadas a se casar quando ainda são muito jovens. Pensando nisso, Graça fundou um grupo de teatro para conscientizar os pais dessas meninas sobre a importância de oferecer educação a elas e construiu escolas em comunidades carentes. Depois das enchentes que ocorreram naquela região em 2000, ela e a organização de que faz parte — Fundação para o Desenvolvimento Comunitário (FDC) — doaram livros escolares e colocaram as famílias necessitadas em novas casas. Essa instituição também procura combater todas as formas de violência e abuso contra crianças; e Graça trabalhou internacionalmente para ajudar crianças vítimas de guerras e na luta contra o tráfico de meninos e meninas.

História

Graça Machel não conheceu seu pai. Ele morreu três semanas antes do nascimento dela. Por isso, o segundo nome dela significa ”despedida”. Sua família era pobre e, quando o pai faleceu, a mãe se viu sozinha com sete filhos.

Antes de morrer, o pai disse à mãe de Graça que a criança que ela trazia na barriga deveria ir à escola. Aos sete anos, Graça entrou para a primeira série na localidade de Inhambane. Sua professora se chamava Ruth, uma missionária norte-americana. Todas as crianças tinham medo dela e não ousavam dirigir-lhe a palavra. Mas havia uma exceção: a pequena Graça! Ela escreveu uma carta à professora agradecendo por tudo o que havia aprendido.

“Nós quase não acreditamos quando a vimos se levantar da carteira, entregar uma carta à professora e lhe dizer que a amava. Imagine que coragem!”, conta Florentina Litsur, uma ex-colega de classe de Graça.

Direitos das meninas

Graça ganhou uma bolsa para estudar na capital, Maputo. Aos domingos, ela freqüentava a igreja e achava injusto que apenas os meninos pudessem liderar o grupo de jovens da paróquia. “Ela decidiu protestar e, de pé, no meio da igreja, exigiu que as meninas também tivessem os mesmos direitos. Ninguém jamais se atreveria a fazer algo semelhante”, conta o amigo Manuel Fifteen.

Hoje, meninas e meninos têm os mesmos direitos em Moçambique, e elas podem chefiar o grupo jovens da igreja! Manuel diz que isso tudo se deve a Graça.

Quando ela era criança, Moçambique era ainda uma colônia portuguesa, e quase todos os africanos eram pobres, o que Graça também achava uma injustiça. Por isso, ela começou a lutar pela liberdade do país. Como os portugueses queriam colocá-la na prisão, foi obrigada a se refugiar na Tanzânia.

Em uma missão secreta no norte de Moçambique, ela conheceu Samora Machel, líder do movimento de libertação. Os dois se casaram em 1975, ano em que Moçambique conquistou sua independência.

Criança na guerra

Samora tornou-se presidente de Moçambique; e Graça, ministra da Educação. Muitas crianças começaram a freqüentar a escola nessa época, mas logo teve início uma nova guerra. Em 1986, Samora morreu em um misterioso acidente de avião. Graça acredita que pessoas envolvidas ao apartheid, regime de separação entre brancos e negros na África do Sul, estariam por trás do acidente.

Alguns anos depois, Graça começou a trabalhar na ONU, informando ao mundo a situação das crianças vítimas de guerra. Com isso, ela pretendia ajudar, especialmente, as crianças-soldado e aquelas que foram feridas em explosões de minas.

Mesmo na ONU, a coragem de Graça era admirada por muitos. Ela era capaz de se confrontar com quem fosse sempre que os direitos da criança estivessem ameaçados. Seu árduo trabalho deu resultados: assim que foi assinado o acordo de paz em Moçambique, começaram os trabalhos da ONU de busca e desativação de minas. Atualmente, quase todas já foram encontradas, o que tem diminuído o número de crianças afetadas.

Há dez anos, Graça ajudou a criar a Fundação para o Desenvolvimento Comunitário (FDC), em Moçambique. Entre outras coisas, essa organização realiza um trabalho de prevenção a doenças infantis fatais. “Compramos vacinas e fazemos o possível para que crianças não morram de doenças que podem ser evitadas”, conta.

Graça auxilia também as crianças que não têm condições de freqüentar a escola. “Conheço bem a vida dessas crianças. Eu também fui uma menina pobre”, diz.

Por causa de seus esforços, em breve, metade dos estudantes das escolas moçambicanas serão meninas. Anteriormente, as famílias mandavam apenas os filhos homens à escola. As meninas tinham de ficar em casa, trabalhando nas tarefas domésticas.


Por que Nelson Mandela está sendo nomeado?

Nelson Mandela está sendo nomeado para o Prêmio das Crianças do Mundo 2005 porque
se dedicou à luta pela libertação das crianças sul-africanas durante o apartheid e pelos direitos delas.

Depois de passar 27 anos preso, ele se tornou o primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, país onde hoje, pela primeira vez, crianças de todas as etnias desfrutam dos mesmos direitos.

Mandela continua a ajudar as crianças sul-africanas e a exigir que os direitos delas sejam respeitados. Ele dirige sua própria fundação, a Nelson Mandela Children’s Fund (NMCF) ou Fundo Nelson Mandela para Crianças, que presta auxílio a crianças de rua, carentes, portadoras de necessidades especiais ou cujos pais morreram de aids. Quando presidente, ele doou a metade de seu salário a crianças pobres e, quando recebeu o Prêmio Nobel, cedeu parte do dinheiro àquelas que vivem nas ruas. Ele não só deseja que todas as crianças se sintam amadas, mas também oferecer um futuro melhor a elas. É por isso que ele lhes dá apoio para que tenham a oportunidade de desenvolver seus talentos.

História

Mandela cresceu em uma família pobre. Quando seu pai morreu, ele foi morar na casa de um tio, que queria forçá-lo a se casar com uma menina da aldeia onde viviam. Mas ele tinha outros planos. Fugiu para a cidade de Johannesburgo, onde deparou com o apartheid, um regime de segregação: os brancos e os negros viviam separados, e estes eram maltratados e sofriam injustiças. Mandela tinha horror a essa situação e não podia aceitar que uma pessoa fosse tratada de forma diferente por causa da cor de sua pele.

Ele não queria ver seus filhos — e todas as outras crianças da África do Sul — crescerem em meio a esse sistema e estava disposto a dar a própria vida para que esses meninos e meninas tivessem um futuro melhor. Sua luta contra o apartheid e pela liberdade das crianças sul-africanas lhe custaram 27 anos de prisão!

Mandela tinha 72 anos quando conseguiu sua liberdade. Apesar dos maus-tratos de que foi vítima, não queria se vingar dos responsáveis pelo apartheid. Ele queria que brancos e negros vivessem em paz para construírem juntos um futuro melhor.

”Nosso maior tesouro”

Em 1993, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, Mandela declarou: “Os filhos da África do Sul brincarão em campo aberto, sem serem torturados pelas dores da fome e das doenças e sem sofrerem ameaças de agressão. As crianças são nosso maior tesouro”.

Ele foi eleito presidente da África do Sul em 1994 e fez com que todas as leis injustas fossem suspensas. Hoje, as crianças brancas e negras podem ser amigas, e todos têm direitos iguais.

Atualmente, Mandela está aposentado e dirige sua própria fundação, que presta auxílio a crianças. Ele diz que o contato com essas pessoas lhe dá força: “Quando estou em contato com jovens ativos, sinto-me com a bateria recarregada”.

Texto: Annika Forsberg Langa

» Veja o vídeo de Nelson Mandela e Graça Machel.
baixa resolução | alta resolução