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    Sobre as Oficinas

    Lançadas pela primeira vez no ano de 2000, as Oficinas do Texto são um dos grandes diferenciais do portal.

    Apesar da enorme quantidade de inovações implementadas desde as primeiras edições, a idéia básica permanece a mesma: trabalhar a produção de textos de uma forma absolutamente original.

    Em cada oficina, os alunos e alunas criam no computador a sua versão de um livro virtual, com base em uma seqüência de imagens e/ou textos produzidos por artistas de renome. A obra virtual é impressa com excelente qualidade gráfica e entregue a cada co-autor ou co-autora em sua escola.

    Centenas de milhares de livros e jornais entregues por todo o Brasil atestam o espetacular sucesso dessa experiência, que chama a atenção dentro e fora das escolas.

    Referências pedagógicas

    Dois nomes importantes para a pedagogia estão por trás da concepção dessa proposta:

    • O pedagogo francês Célestin Freinet (1896-1966), grande renovador da escola, que tinha uma proposta que chamava de “Método Natural”. Em resumo, ele dizia que a escola ensinava de modo mecânico e desprovido de significado e que deveria seguir mais o exemplo de aprendizagens extra-escolares. Assim, afirmava Freinet, temos de levar em conta que o melhor modo de aprender a andar é andando; a melhor forma de aprender a falar é falando; e, conseqüentemente, o melhor modo de aprender a escrever é escrevendo! Em suas experiências inovadoras e bem-sucedidas, Freinet usou a autoria de jornais e livros com um recurso importante para ensinar a ler e a escrever.
    • Outra fonte é o psicólogo bielo-russo Lev S. Vygotsky (1896–1934), que, com sua teoria de aprendizagem que atribui um papel decisivo às interações sociais, inspira todas as iniciativas em que as atividades escolares possuem uma função prática (escrevemos um “livro” para ser lido pelos outros) e há interações do aprendiz com pessoas que ele admira e que são referência de qualidade (por exemplo, artistas como Ziraldo e Luís Fernando Verissimo, dois parceiros das Oficinas do Texto).

    Inspirados nesses autores e em outros que pertencem à mesma linha psicológica e pedagógica e cientes de que um dos desafios de ensinar a ler e a escrever é evitar que o processo resulte em uma aprendizagem que não desperta o interesse genuíno por essas atividades, criamos as primeiras experiências de autoria de “livros” e “jornais” em nossas oficinas.

    Os resultados que observamos nos primeiros anos nos mostraram que a participação nessas atividades oferece grande motivação para fazer pesquisas, análises, reflexões e para o exercício da criatividade. Elas levam crianças e adolescentes a escrever com interesse e oferecem situações divertidas e significativas de contato prazeroso com a linguagem escrita.

    Sobre correção

    Durante a realização da primeira Oficina do Livro, cujo tema eram os direitos da criança, surgiu uma discussão sobre a necessidade de os textos dos alunos serem corrigidos antes de ser feita a impressão definitiva do livro.

    Chegou até nós um exemplo de um aluno que escreveu “caxorro” e recebeu o livro impresso com a palavra grafada dessa forma.

    Quanto à necessidade de correção, existem duas opiniões mais correntes:

    • Como se trata de uma atividade em que a criatividade é solicitada, cada texto é original, e qualquer espécie de revisão afeta o aluno. Essa é uma opinião radical, e parece-nos que o bom senso indica a alternativa a seguir;
    • A revisão é necessária, principalmente para a correção dos erros ortográficos e gramaticais mais sérios. Já a interferência em relação ao conteúdo e ao desenrolar da história é mais criticável, pois pode alterar o significado de um texto.

    Uma vez decidido que há necessidade de fazer uma revisão embasada no bom senso, é preciso levar em conta outros aspectos:

    • O processo de revisão exige que se conheça o estudante. Conforme a faixa etária, o grau de acerto que se pode exigir é maior ou menor. Além disso, existem alunos específicos para quem qualquer correção pode ser até mesmo traumática e provocar a perda de vontade de participar de atividades do mesmo gênero;
    • Cada professor sabe o que pode ser exigido de seus alunos, quais são mais sensíveis a críticas, quais cometeram erros por distração, etc.

    Dessa forma, fica claro que o processo de revisão em uma atividade dessas, especialmente na Educação Infantil e nas séries iniciais, não pode ser feito de forma impessoal, e cada caso exige determinado tratamento. Por isso, acreditamos que não cabe ao portal realizar esse trabalho e, sim, a cada escola e educador.

    Na verdade, entendemos a Oficina do Livro como uma atividade altamente motivadora que, justamente por dar origem a um material impresso, incentiva ainda mais os alunos a escrever de maneira correta. A atividade de correção, que pode ser feita por meio da impressão de cada texto, na escola, antes do envio da versão final, é uma ótima chance de conduzir um trabalho de alto valor educativo.

    Assim, acreditamos que a responsabilidade pela correção dos textos da Oficina do Livro deve ser de cada escola. Sabemos que isso provoca algumas dificuldades, mas também temos convicção de que esse é mais um desafio que só leva a um aumento da qualidade do trabalho educativo.

    Para auxiliar os professores nessa tarefa, estamos oferecendo alguns recursos que podem ser acessados pelo Gerenciador de Oficinas. Um deles é a possibilidade de deixar “ativa” uma ferramenta automática de revisão ortográfica que se limita a corrigir erros de grafia; e a outra, a de o professor visualizar e editar os textos elaborados por seus alunos antes que eles sejam impressos pelo portal. Nesse caso, é o professor quem define o quanto deve interferir nas produções dos estudantes. Mesmo oferecendo esses recursos para correções dos textos, nossa recomendação é que as idéias originais dos alunos sejam preservadas e os livros possam mostrar o jeito como cada criança e adolescente escreve em determinada idade.



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