por Gilson Brun
Imagine a cena: verão chegando, você na academia fazendo
a sua série de musculação... Só que você não está satisfeito porque, por mais
que saiba que o seu treinamento vai dar certo, gostaria que o resultado fosse
imediato. Ao ouvir suas reclamações, um cara daqueles que treinam 24 horas por
dia na academia se aproxima e oferece um produto que vai lhe dar esse resultado
imediato. Qual é a sua reação?
Antes de tomarmos qualquer atitude, temos de saber que os anabolizantes ou esteróides
anabólicos são substâncias químicas sintéticas. Semelhantes ao hormônio masculino
testosterona, ajudam a aumentar a velocidade do metabolismo do nosso corpo.
Quando administrada no organismo, essa substância entra em contato com as células
do tecido muscular e age aumentando o tamanho dos músculos. As pessoas que a
consomem ganham força, potência e maior tolerância ao exercício físico. Mas
tudo isso pessoas sadias, bem alimentadas e com atividade física adequada também
ganham, uma vez que o organismo executa perfeitamente todas essas funções.
O uso dos esteróides em larga escala e em altas doses com fins estéticos vem
ocorrendo entre os freqüentadores de academias sem que eles saibam dos malefícios
que esses medicamentos podem causar.
A melhora que os anabolizantes podem proporcionar não é significativa em face
dos seus numerosos efeitos colaterais, que trazem graves conseqüências.
As superdosagens que alguns atletas, principalmente os praticantes do fisiculturismo,
se administram - essas dosagens ultrapassam as terapêuticas em até 15 ou 20
vezes - e a utilização desses medicamentos por um tempo prolongado podem tornar
os efeitos colaterais irreversíveis.
Mas como a droga age?
A maioria dos anabolizantes esteróides ativa o metabolismo protéico, que, associado
a exercícios físicos, aumenta a massa muscular e a força. Tanto homens quanto
mulheres produzem a testosterona, estas em quantidade muito menor. A hipófise,
glândula localizada no cérebro, produz uma substância chamada gonadotrofina,
que avisa aos órgãos reprodutores que é necessária a produção de testosterona.
Mas, quando se consome a testosterona sintética, o organismo suspende o comando
de liberação de gonadotrofina pela hipófise e, conseqüentemente, as funções
dos testículos, onde se produzem o hormônio e os espermatozóides. Por isso,
o uso de anabolizantes causa infertilidade, que, na maioria das vezes, é irreversível
mesmo com a suspensão do uso da droga. Esse descontrole hormonal desencadeia
outros processos sexuais secundários, como o surgimento de mamas, acne e a mudança
do tom de voz, que fica mais grave.
Os anabolizantes ainda sobrecarregam o fígado, e qualquer tipo de tumor que
porventura ali exista terá seu desenvolvimento acelerado pela droga.
Essa substância causa ainda uma alteração dos níveis de colesterol, reduzindo
o chamado colesterol protetor (HDL) e aumentando o colesterol causador do infarto
do miocárdio (LDL). Surgem também problemas cardíacos, acarretados pela hipertensão
que atinge praticamente 100% dos atletas anabolizados. O coração envelhece cada
dia mais rápido, levando à insuficiência cardíaca.
No sistema locomotor, o que ocorre freqüentemente é um rompimento das inserções
musculotendinosas, que se tornam relativamente frágeis para suportar a tração
de um músculo cuja força foi bastante ampliada, em função do aumento desproporcional
da massa. Os esteróides também interferem no metabolismo do tecido ósseo, alterando
o equilíbrio do cálcio. O osso perde a sua elasticidade e tende a sofrer fraturas.
Em crianças e adolescentes, a conseqüência mais grave é a consolidação precoce
das cartilagens, provocando a interrupção no processo de crescimento.
O maior exemplo da ação nociva dos esteróides sobre o nosso corpo é o fisiculturista
número 1 da Alemanha, Andréas Munzer. Quando morreu, seu corpo se assemelhava
a uma massa disforme de carne crua. O estômago de Munzer sangrou até a última
gota. Rins e fígado não resistiram às substâncias químicas que ele vinha tomando
para redesenhar a sua massa muscular.
O atleta, quando entra no circuito dos anabolizantes, não procura orientação
médica, nem se orienta com um profissional capacitado. Segue somente o que seus
amigos de treino falam. Geralmente quem indica os anabolizantes são atletas
veteranos, que recomendam as substâncias que eles mesmos já utilizam, sem se
importar com os danos que causam.
Será que, por vaidade pessoal, vale a pena correr todos esses riscos? Sabe-se
que apenas com treinamento, sem o uso de esteróides anabolizantes, pode-se conseguir
bons resultados. Basta apenas ter paciência.
Não use drogas. Se fizer isso, o seu corpo pode até ficar belo por fora, mas
lá dentro seu organismo não será mais o mesmo.
Depois de toda essa explicação, a sua reação seria a mesma?
Você aceitaria o produto, mesmo sabendo que ele faz mal (e como!) ao seu organismo?
