Todos sabemos que os esportes, em geral, são um bom meio para se obter
uma condição física saudável. Também temos
conhecimento de seu valor enquanto atividade de lazer - seja praticando-o ou apenas
assistindo a sua prática - ou ainda, e o mais importante, enquanto um valioso
elemento educativo que serve para o reforço de valores morais adequados
e hábitos que valorizam a qualidade de vida. Indiscutivelmente, a importância
dos esportes é elevada na sociedade atual.
Contudo, mesmo sabendo-se dos valores relacionados ao esporte, existe uma grande
polêmica em torno da forma como se deve ensiná-lo.
O princípio básico dos esportes na escola é a inclusão,
ou seja, o de que todos os alunos devem participar da aula durante toda a sua
duração. Assim, na verdade, não se deve trabalhar o esporte
propriamente dito, porque alguns alunos necessariamente teriam de ficar de fora
das atividades e, mesmo que o professor dispusesse de várias quadras no
colégio e muito material disponível, como redes, bolas, antenas,
etc., o esporte seguindo as regras oficiais seria inviável, porque o educador
acabaria perdendo o controle das atividades que seus alunos estariam executando.
O ideal é a utilização de jogos pré-desportivos, adaptados
à participação de todos os alunos. Exemplificando: se o professor
vai trabalhar o conteúdo voleibol, ele não pode realizar o esporte
com todas as suas regras, porque, além de os alunos não estarem
preparados para realizar determinados movimentos que podem ocasionar lesões,
se ele fizer tal atividade, apenas doze alunos praticarão de cada vez,
e o restante da turma ficará sem fazer nada, apenas aguardando a sua vez
de jogar. Ora, o tempo de duração de uma aula varia entre 40 e 50
minutos e, se os alunos ficarem esperando para jogar, eles não estarão
tendo uma aula na sua totalidade e sim apenas uma fração do tempo
adequado destinado à Educação Física. Além
disso, pesquisas comprovam que, quando o professor adota tal postura, a tendência
é que aqueles alunos que já têm certa habilidade acabem participando
mais que aqueles que encontram dificuldades no aprendizado na modalidade. Portanto,
o professor acaba reforçando a exclusão, desprivilegiando exatamente
aqueles que precisam de mais ajuda, pois a tendência é que aqueles
que já têm certa aptidão física melhorem ainda mais
e que os alunos com dificuldades mantenham o baixo nível de aprendizagem
motora. Em longo prazo, a situação piora mais ainda: os alunos excluídos
começam a se sentir discriminados, já que a aula de Educação
Física serve apenas para expô-los à ridicularização
feita pelos colegas esportistas. Logo, esses alunos acabarão pegando ojeriza
de qualquer tipo de atividade física e, conseqüentemente, vão
se tornar sedentários.
A opção metodológica mais utilizada no ensino dos esportes
nas aulas de Educação Física é o jogo recreativo.
Este consiste em atividades adaptadas com as seguintes características:
elas devem ser envolventes, motivadoras, inclusivas e, principalmente, ter regras
com a finalidade de incentivar a participação de todos os alunos.
Um bom exemplo se chama "grande futebol": a turma toda é dividida
em duas equipes e inicia-se o jogo de futebol. A tendência é que
alguns meninos mais habilidosos acabem prevalecendo. O professor deve, então,
parar o jogo e incluir algumas regras novas (os alunos podem participar desse
processo de construção): uma boa solução seria limitar
o número de toques que cada pessoa poderia dar na bola seguidamente - dois
ou três no máximo. Também poderia ser solicitado que somente
as meninas - que, nesse jogo, geralmente são excluídas - pudessem
marcar os gols. Ou, ainda, que o gol só pudesse ser feito por alguém
que ainda não o tivesse feito.
Mas, então, em quais circunstâncias o professor deve trabalhar o
esporte propriamente dito? O ensino do esporte visando ao rendimento chama-se
treinamento esportivo, e este ocorre geralmente em "escolinhas", clubes
e até nas escolas e colégios, só que existe uma condição
essencial para isso: que a atividade seja realizada fora do horário das
aulas de Educação Física (geralmente no contraturno). Nesse
caso, o professor pode até ser criterioso, pois o treinamento deve ter
grupos mais homogêneos e, por isso, pode haver uma pré-seleção
dentro das próprias aulas de Educação Física.
No treinamento esportivo, a técnica de ensino mais utilizada é a
chamada progressão de fundamento, que consiste em exercícios para
aperfeiçoar a fundamentação técnica e tática,
partindo-se sempre do mais simples para o mais complexo. Feitos esses exercícios,
o professor ou técnico deve trabalhar com o esporte na sua totalidade de
regras.
Agora, os dois tipos de ensinamento dos esportes têm alguns pontos em comum:
ambos precisam de professores capacitados que saibam as necessidades e os limites
dos seus alunos, respeitando-os e favorecendo o processo de ensino-aprendizagem.
