Entrevistada |
O Second Life é um software que propicia a experiência
de, como o próprio nome diz, uma segunda vida em um ambiente virtual
e tridimensional, muito parecido em alguns aspectos com o existente na vida
real. Trata-se de um simulador que tem sido bastante usado para entretenimento
e formação de redes sociais e comerciais. Ele foi criado em 2003
pela empresa norte-americana Linden Lab, e seu download pode ser feito em seu
site
oficial (em inglês). Segundo Eliane Schlemmer, o Second Life
também pode ser usado para a Educação. Vamos conferir o
que ela tem a nos dizer?
1 - Por que as pessoas se sentem tão
atraídas pelos ambientes virtuais?
As pessoas são atraídas pela novidade. A primeira aproximação
normalmente se dá pela curiosidade. Esses ambientes são dinâmicos
e ampliam as possibilidades de comunicação, propiciando a interação
on-line, a conexão entre as pessoas. O ser humano tem necessidade de
se encontrar, de se relacionar, mesmo que de forma digital virtual, e esses
ambientes permitem “encontrar o outro”, possibilitam novas formas
de convivência, que são de natureza digital virtual, o que acaba
por alimentar essa curiosidade, provocando um processo de familiarização
com o ambiente. É nesse momento que o usuário precisa ver as possibilidades
que a tecnologia oferece, ou seja, para que permaneça nesse espaço
depois de sanada a curiosidade inicial, é necessário que perceba
utilidade, encontre o que veio buscar. Assim, por exemplo, uma pessoa que está
em busca de amigos e entra numa comunidade de relacionamentos como o Orkut,
ou mesmo o Second Life, encontra o que procura lá. Essa experiência
positiva vai alimentar o desejo de voltar novamente àquele espaço,
de forma que ele se torna um espaço para o viver e para o conviver.
Outro motivo pelo qual as pessoas se sentem atraídas são vantagens,
as facilidades, a rapidez e a segurança. Por exemplo: eu posso conversar
com um amigo distante ou com uma pessoa da família que reside em outra
cidade/estado/país de forma fácil, rápida, segura e econômica,
utilizando, por exemplo, um comunicador instantâneo como o MSN, o Skype,
o GTalk, dentre outros, o que me permite, além de me comunicar de forma
textual, ver a pessoa e conversar com ela. Posso ainda, utilizando ambientes
virtuais, fazer um curso on-line, sem precisar me deslocar até uma universidade
e com flexibilidade de horário para estudar.
2 - Que recursos uma instituição de ensino poderia oferecer
por meio do Second Life (SL)?
Instituições de ensino dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha,
Portugal e também do Brasil, dentre outros países, estão
investigando as potencialidades dessas tecnologias para os processos de ensino-aprendizagem.
Pesquisadores identificam a tecnologia de mundos virtuais em 3D, como o Second
Life, como a evolução da educação a distância.
Segundo especialistas, o Second Life será o marco de uma nova era na
Internet.
Além da oferta de cursos na modalidade a distância, há
também a possibilidade de desenvolver pesquisas, conforme os exemplos
mostrados a seguir:
• A Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, EUA, começou um curso
em que algumas aulas são dadas numa sala virtual.
• Na Universidade Goldsmiths, Londres, Inglaterra, os estudantes de arte apresentaram
seus trabalhos de formatura no SL.
• A Universidade de Aveiro realizou um workshop sobre comunicação,
educação e formação no Second Life. Criou ainda
um campus virtual para e-learning em várias disciplinas. O projeto Second
UA conta com um espaço já concluído, o Aularium,
sala de aula virtual em que já foi dada matéria real. Há
também um balcão de atendimento virtual, o InfoZone, o Second
Caffé, o Auditorium, o Showroom e o Scriptorium.
• A escola de idiomas LanguageLab, sediada em Londres, Inglaterra, oferece aulas
virtuais de inglês e espanhol. A escola receberá, a partir de setembro,
os avatares dos estudantes em sua ilha no mundo virtual, onde uma cidade inteira
foi construída. Os avatares encontrarão seus professores para
atividades nos hotéis, bares, clubes, escritórios e lojas detalhadamente
realistas, e os estudantes e professores falarão uns com os outros utilizando
uma tecnologia VoIP (voz sobre IP).
No Brasil, temos algumas experiências, tais como:
• O Anhembi Morumbi, localizado na Ilha Brasil, realizou um evento para estudantes
do Ensino Médio que desejavam conhecer de perto o dia-a-dia das profissões,
tirar dúvidas e descobrir curiosidades sobre as mais diversas possibilidades
de carreira.
• A Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) tem uma ilha no SL —
Ilha Unisinos (a primeira ilha de uma universidade brasileira no SL), em que
foram modelados o campus, a biblioteca — a maior da América Latina
— e o auditório para eventos. Essa universidade criou também
o primeiro grupo de pesquisa em educação digital, vinculado ao
programa de Pós-Graduação em Educação, que
apresenta as pesquisas que desenvolve e tem espaços para discussão
e trabalho em grupos, usados pelos alunos do mestrado em Educação
e também pelos graduandos em Pedagogia.
O SL tem sido utilizado em pesquisas para desenvolver simulações
sociais e para investigar os relacionamentos sociais de residentes do SL, a
história, a teoria e a prática da representação
e da produção de arquitetura, as questões relacionadas
à aprendizagem de pessoas com algum tipo de deficiência, as habilidades
ensinadas em ambientes virtuais e os meios e a nova cultura digital, dentre
outros temas.
Além dessas experiências, estão sendo criados eventos científicos,
bibliotecas, exposições e museus digitais virtuais.
3 - Que tipo de cursos estão sendo oferecidos atualmente no SL?
A metodologia usada nesses cursos apresenta alguma inovação?
Muitos dos cursos ofertados e que são abertos, ou seja, com acesso livre,
estão relacionados a orientações sobre o próprio
uso do Second Life. Algumas empresas, como a IBM, a Nike e a Apple, estão
utilizando o Second Life para ofertar processos formativos aos seus colaboradores.
As universidades também estão se movimentando nesse sentido. Voando
pelas ilhas do Second Life, encontramos diversas instituições
de ensino, principalmente norte-americanas e européias, mas também
algumas brasileiras, que já oferecem algum tipo de processo formativo
utilizando essa tecnologia, conforme explicitado acima.
No entanto, quanto às metodologias utilizadas nos cursos abertos, o
que observamos é uma certa transferência para o SL das metodologias
tradicionalmente conhecidas. Vemos salas de aulas com carteiras enfileiradas,
quadro-negro, etc., quando, na verdade, precisamos investigar que possibilidades
essa tecnologia oferece e como podemos pensar em metodologias que sejam de fato
inovadoras, que aproveitem todo o potencial da natureza específica desse
meio. Usar uma nova tecnologia não garante inovação, a
inovação está na forma criativa de utilizá-la, na
forma como aproveitamos todas as potencialidades para os processos de ensino-aprendizagem.
De outra forma, podemos estar simplesmente falando de uma novidade, e não
de uma inovação.
4 - Como se cria um espaço próprio, como um clube ou uma
sala de aula, para desenvolver conteúdos, capacidades e habilidades?
Existem basicamente três formas: ou você aluga um espaço
numa ilha, ou compra um espaço numa ilha, ou adquire uma ilha (nesse
caso, precisará fazer um planejamento urbano digital virtual). Isso depende
da sua necessidade em termos de espaço. A partir do momento em que você
tem o terreno digital virtual, pode iniciar a construção com as
ferramentas próprias do Second Life, tanto para o desenho dos objetos
quanto para a programação. Esse espaço pode ser público,
aberto a todos os que visitarem a ilha ou ser restrito a um grupo predefinido,
já que existe a possibilidade de criar grupos e mapear determinado espaço
de forma que somente as pessoas que estão naquele grupo, ou seja, pessoas
autorizadas, possam visualizar e/ou utilizar aquele espaço. Com relação
ao desenvolvimento do conteúdo, das capacidades e das habilidades, isso
depende de como é construído o projeto pedagógico do curso.
É ele que definirá os espaços que você precisará
criar, as metodologias e a forma de mediação que utilizará.
5 - Como é possível criar um projeto educacional no sentido
de simular situações no SL para que o aluno aprenda com elas?
Existem ferramentas próprias no SL que possibilitam criar objetos em
3D e programar ações para eles. É dessa forma que é
possível realizar simulações e propiciar situações
de aprendizagem baseadas em interação, tanto do avatar com os
objetos quanto dos avatares entre si. Por exemplo: podemos simular um ambiente
ecologicamente correto de forma que o avatar interaja com os espaços
criados e aprenda com eles.
Outro exemplo que posso trazer refere-se aos projetos que o nosso grupo de
pesquisa em educação digital — GP e-du Unisinos/CNPq —
desenvolve no SL, os quais têm por princípio serem educativos desde
a sua concepção, ou seja, no planejamento urbano digital virtual
estão presentes desde conceitos relacionados à ecologia ao uso
eficiente dos recursos naturais. Além disso, buscamos explorar as propriedades
específicas, a natureza desse meio, experimentando as possibilidades
de construção gráfica, de criação do inventário,
do blog, do teleporte. Estudamos formas de dar vida a diferentes objetos, criar
bots, de maneira que o avatar possa interagir também com esses elementos.
Buscamos criar espaços imaginários, e não somente representações
de um mundo presencial físico. Por exemplo: o espaço do GP e-du
(Figura 1) propicia a realização de pesquisas (encontros do grupo
para planejamento, discussões teóricas, reuniões, ações
de pesquisa, orientações, processos de ensino-aprendizagem relacionados
à educação digital). Ou seja, para nós, a pesquisa
está presente desde o momento da busca e organização das
informações para a construção dos espaços,
do planejamento urbano digital virtual, pensando-se nas questões relacionadas
à educação para o desenvolvimento sustentável do
ponto de vista dos recursos naturais, até o acompanhamento e avaliação
do uso dessa tecnologia. Eu posso dizer que esse conjunto compõe o “corpus”
para as análises que serão realizadas de acordo com o que se quer
investigar em cada situação.
| Imagens: Copyright 2007, Linden Research,
Inc. All Rights Reserved. |
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| Figura 1: Gp e-du Unisinos/CNPq |
6 - Em que tipo de disciplinas o SL pode render melhores resultados?
Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, pois é
necessário realizar pesquisas para poder dizer em que tipo de disciplina
o SL pode apresentar melhores resultados. As pesquisas nessa área ainda
são muito incipientes, pois é algo relativamente novo e que nós,
pesquisadores, precisaremos investigar com profundidade. Mas, se entendermos
que a educação a distância, tal como a conhecemos hoje —
com o uso de ambientes virtuais de aprendizagem em que a comunicação
se dá basicamente de forma textual — é utilizada para oferecer,
por exemplo, cursos na área médica, podemos imaginar que a tecnologia
de mundos virtuais em 3D, como o SL, que, além de possibilitar a comunicação
textual, permite a comunicação gestual, gráfica e oral,
propicie um diferencial significativo com relação às potencialidades
para os processos de ensino-aprendizagem, independentemente do tipo de disciplina.
Agora, é importante salientar que não pensamos nessa tecnologia
em termos de substituição às demais tecnologias, mas, sim,
como complementação.
7 - O processo de ensino-aprendizagem no SL é realmente eficiente?
O que faz com que um processo de ensino-aprendizagem seja eficiente não
é a opção tecnológica, mas, sim, a proposta epistemológica
e didático-pedagógica que suporta o uso de determinada tecnologia.
Em nossas pesquisas, temos identificado que as metodologias e a mediação
pedagógica desenvolvidas são fatores fundamentais para que o processo
de aprendizagem ocorra de forma satisfatória, tanto para o aluno quanto
para o professor. Assim, a formação docente se torna prioritária.
Ser um “bom” professor na modalidade presencial física não
garante que eu seja um “bom” professor ou saiba desenvolver um processo
educativo on-line. Portanto, é necessário um processo formativo
em que o professor passe pela experiência de ser um aluno on-line para
que possa compreender o que isso realmente significa e o que isso implica na
sua forma de promover a aprendizagem.
“Pode parecer uma brincadeira para alguns, mas tenho a sensação
de que estamos diante do futuro da Internet. O Second Life torna possível
fazer tudo o que já fazemos na web, mas de uma maneira mais amigável.”
(Sam Palmisano, presidente mundial da IBM)
“O Second Life é um exemplo de inovação dos programas
de interação entre homens e máquinas. A interface em três
dimensões é o futuro da Internet. Ela vai provocar uma revolução
tão grande quanto a própria criação da World Wide
Web. (…) Hoje, se eu quiser, posso comprar uma carruagem e dois cavalos.
Mas sei que andar de carro é mais eficiente. Quem vive no Second Life
tem exatamente essa sensação. De que, no fundo, está um
passo à frente dos outros.” (Theodor Nelson, professor da Universidade
de Oxford, criador dos conceitos de hipertexto e hipermídia nos anos
60)
8 - O SL é um ambiente seguro para ser usado pelo professor e
seus alunos? Existe a possibilidade de fazer algum tipo de adaptação
do ambiente para a educação?
Depende do tipo de segurança de que estamos falando. Se esse “seguro”
estiver se referindo às informações, às produções
realizadas pelo professor e seus alunos e disponibilizadas no SL, é importante
que se saiba que, pelo menos por enquanto, todo o material disponibilizado no
SL fica em servidores nos EUA.
Agora, se essa segurança disser respeito a ter um espaço que
somente pessoas autorizadas possam acessar, a resposta é sim. Conforme
mencionado na pergunta 4, o SL possibilita a criação de grupos
fechados, de forma que pessoas que não façam parte do grupo não
possam acessar o que é de acesso restrito.
Quanto à possibilidade de fazer algum tipo de adaptação
do ambiente para a educação, posso dizer que, na verdade, não
se trata de adaptar o ambiente para a educação, mas, sim, de criar
espaços que, desde o seu planejamento até a sua construção
e seu uso, sejam pensados para a educação.
9 - Você acredita que os alunos estão preparados para interagir
e aprender no ambiente do SL? E usar esse ambiente não é perigoso,
já que muitas pessoas o usam com outras finalidades?
Durante os 13 anos em que estive próxima de crianças e adolescentes,
trabalhando com eles, “os nativos digitais”, pude perceber a facilidade
com que se apropriam das tecnologias digitais (TDs) e com que as utilizam. Aqueles
que interagem desde cedo com as TDs, principalmente as relacionadas ao ambiente
web, parecem desenvolver um tipo de convivência peculiar ao meio de interação,
eu diria uma “convivência digital virtual”, com regras criadas
no próprio conviver. Assim, criam redes de relacionamentos de amizade,
de namoro, etc. O que eu tenho observado é que essas tecnologias via
web têm propiciado a formação de verdadeiras comunidades
virtuais em que existem trocas significativas, manifestações de
emoções e um movimento de solidariedade muito intenso que provoca
aprendizagens. Acredito que temos muito ainda a aprender sobre as potencialidades
dessas tecnologias, mas aprender usando efetivamente, experimentando, se envolvendo.
Esse tipo de aprendizagem não é algo que conseguimos lendo. Precisamos
estar imersos para conhecer, compreender, criticar, etc. Eu digo que o conhecimento
que tenho construído ao longo desses anos ainda é muito incipiente
no meu ponto de vista, até porque tenho uma limitação,
sou uma “imigrante digital”. Embora faça uso das tecnologias
digitais desde os 17 anos, não nasci nesse mundo, o meu mundo de interação
quando criança ainda era analógico. Portanto, acredito que tenha
até limitações cognitivas para compreender como as crianças
se desenvolvem e criam teorias sobre o mundo na interação com
essas tecnologias. O que sei é que esses “nativos digitais”
têm uma forma diferente de se relacionar com as tecnologias. Para perceber
isso, basta observar como uma criança de 4 anos, como a minha filha,
por exemplo, interage com esses meios. Agora, embora nós tenhamos limitações,
é nossa responsabilidade de pais e professores orientar essas crianças
e adolescentes, colocar limites, alertando também para os perigos que
possam existir nessa interação, nessa convivência digital
virtual. Mas, para isso, para que nos reconheçam como legítimos
na nossa fala, é preciso conhecermos esse mundo.
Assim, posso dizer que acredito que os “nativos digitais” estejam
mais preparados para interagir e aprender no SL do que nós, os “imigrantes
digitais”. Entretanto, assim como acontece com as demais tecnologias,
eles precisam ser orientados. É importante que saibam que, mesmo que
possam ser construídas por eles nesses espaços, as regras precisam
existir, pois são fundamentais para o bom desenvolvimento dos processos
de ensino-aprendizagem.
Quanto aos perigos do ambiente, é prioritário esclarecer que,
assim como no First Life existem pessoas que nem sempre praticam o bem, essas
mesmas pessoas também podem estar no Second Life.
10 - O ambiente virtual é recomendável para todas
as idades?
Depende do ambiente virtual, pois esse conceito é muito amplo. Agora,
se estamos falando em mundos virtuais, existe, por exemplo, um Teen Second Life,
para adolescentes de 13 a 17 anos. Para crianças, existem outros ambientes
virtuais, tais como o Club Penguin, um MMOSG (Massively Multiplayer On-line
Social Game — Jogo Multiplayer Social em Massa) que oferece uma mescla
de jogos e chats para crianças entre 6 e 14 anos. O ambiente é
baseado na idéia de comunidades on-line e mundos virtuais. O cenário
é todo coberto por neve e tem pistas de esqui, restaurantes, danceterias,
lojas, bibliotecas e até uma praia. Usando avatares em forma de pingüins,
as crianças e adolescentes podem conversar e jogar. Os jogos vão
de esqui e pescaria a aulas de culinária. As crianças e adolescentes
podem fazer novos amigos, agregando outros pingüins à sua lista,
podem avisar se alguém não está se comportando direito
e são incentivados a dar bons exemplos. Ajudando os outros, por exemplo,
podem ganhar moedas, que servem para adquirir alguns objetos no ambiente. Além
disso, os pais podem escolher um modo de inscrição de seus filhos
que limite certas frases, impedindo que os menores se envolvam em diálogos
e situações indevidas. Além desses ambientes, existem outros
que você pode conhecer fazendo uma busca na Internet.
11 - Você não acredita que a inserção dos
alunos nessa vida virtual possa ser mais um obstáculo para a convivência
social, que está tão prejudicada hoje em dia?
Conforme comentado na pergunta 9, percebo que as crianças e adolescentes
que interagem com as tecnologias digitais, principalmente as relacionadas ao
ambiente web, desenvolvem um tipo de convivência que me parece ter peculiaridades
próprias ao meio, uma “convivência digital virtual”,
com regras criadas no próprio conviver. Assim, criam redes de relacionamentos
de amizade, de namoro, etc. que podem não existir fora daquele meio.
Normalmente, as pessoas que fazem parte dessas redes não se conhecem
de forma presencial, nunca tiveram um contato físico, mas se conhecem
de forma presencial digital virtual, por contato digital virtual, seja ele por
meio da escrita ou por meio da voz, de foto em formato digital, de telepresença
via avatar, etc. Em alguns casos, essa convivência digital virtual provoca
em algumas pessoas a curiosidade, a necessidade, o desejo de se conhecer de
forma presencial, tanto que existem casos de namoros que se iniciaram nesse
meio e resultaram em casamento no mundo físico. O que tenho observado
é que essas tecnologias via web têm propiciado a formação
de verdadeiras comunidades virtuais em que existem trocas significativas, manifestações
de emoções e um movimento de solidariedade muito intenso.
Eu acredito que a socialização também acontece nesses
meios, nessa vida digital virtual, o que propicia o desenvolvimento de uma convivência
também de natureza digital virtual, mas que, de forma alguma, substitui
a convivência social física. Não podemos pensar em termos
de exclusão, de substituição, mas, sim, de complementaridade.
É claro que crianças e adolescentes tímidos tendem a se
sentir mais à vontade interagindo nesses meios. Cabe a nós, pais
e professores, orientar, negociar limites e propiciar situações
nas quais eles possam se desenvolver plena e integralmente.
12 - Na sua opinião, o ambiente virtual interfere na vida das
pessoas que o utilizam?
Depende do que você entende por interferir na vida das pessoas. Se essa
interferência estiver se referindo a ocupar espaço na vida das
pessoas, eu digo que sim, que interfere, pois elas passam a dedicar tempo para
interagir com essas tecnologias. Mas imagine se uma pessoa fosse fazer um curso
e, para isso, necessitasse se deslocar, enfrentar trânsito, etc. Se fizesse
esse curso usando um ambiente digital virtual, na modalidade a distância,
eliminaria o tempo gasto com deslocamento e poderia estudar em casa, com flexibilidade
de horário. Atualmente, fala-se muito em teletrabalho: as pessoas trabalham
para uma instituição em qualquer lugar do mundo sem sair da sua
casa, usando os meios digitais virtuais. Não podemos esquecer que essas
tecnologias também são reais. Elas existem, embora tenham uma
existência de outra natureza, digital virtual.
Participaram da entrevista:
Adeilson Nascimento de Souza
Alan Queiroz da Costa
Allison Hideo P. Moriyama
Amanda Alves Prestes
Ana Elisa Rocha De Campos
Ana Flavia Santos Bueno
Ana Silvia Porto Navas
Anderson Moreira
Andressa da Silva Moreira
Assis Volpi Filho
Bruna Los
Bruna Stuart Cardozo
Caio Araujo Belezia
Carine dos Santos Borges
César Pereira Faustino
Claudia Alvarenga
Claudia de Fátima Fraga Barros
Daniela Natsumi Hamasaki Ueda
Edivaldo Francisco da Cruz Junior
Eduardo Domingues Chamiço
Fabricio Costa Rezende
Gabriel de Almeida Ramos dos Santos
Gabriela de Assis Maranho
Giovani Quintino Cosmi
Gustavo Tortelli Cenali
Henrique da Silva Grolli
Janaina Maldonado Guerra da Cunha
Josué Froner Freitas
Juliana Augusta Badaz Milléo
Katia Ethiénne
Larissa Alves de Lima e Souza
Ligia Almeida Prado Nicoletti
Lucas de Souza Rezende
Lucas Henrique Chiamente
Luccas Amaral Fernandes
Luis Fernando Rahn Bodemuller
Luiz Henrique Mayeski Gomes
Maria Cristina Figueiredo
Maria Izabel Marques dos Santos Silva
Mariana de Oliveira Rezende
Miguel Antonio da Silva Júnior
Nicole Kopanakis Toffoli de Oliveira
Palloma Albuquerque Oliveira
Patricia Delázari Meira Lima de Bari Corrêa
Patricia Maria Santos Salles
Rafael Leonard Machado Campolim Moraes
Raquel Lamosa Prado de Oliveira
Ricardo da Silva
Rodrigo Pinheiro
Ruan Ribeiro Silva
Sabrina Rocha Dias
Sandra Araújo
Taís Ribeiro Drabik de Almeida
Veridiana Amaral Vieira
Victoria Nogueira Rezende
Vítor Hugo Bernardo da Silva
Vitor Hugo Braatz de Moura Oliveira
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