A abordagem inovadora do Reggio Emilia
 
Maria Cecília Cury é psicóloga e pedagoga, mas acima de tudo é uma pesquisadora da Educação. Já percorreu diversos países para estudar diferentes estruturas educacionais. E foi numa dessas viagens (Estados Unidos, 1996) que ela conheceu, no plano teórico, a abordagem Reggio Emília. No ano seguinte, teve a oportunidade de vê-la aplicada em uma escola americana e, mais tarde, na Dinamarca. A partir daí, começou a buscar uma forma de conhecer in loco esse trabalho revolucionário, reverenciado pela Universidade de Harvard. A procura dos americanos e europeus por um curso em Reggio Emilia era enorme e tornava difícil agendar uma visita. Finalmente, em janeiro de 2001, ela pôde, acompanhada por educadores do Rio de Janeiro e São Paulo, conhecer as razões que fazem de Reggio Emilia, hoje, referencial de excelência em Educação Infantil.

Reggio Emília é uma cidade localizada no nordeste da Itália que tem 130 mil habitantes. Nos anos 50, quando o país tentava reconstruir o que fora arrasado pela guerra, uma figura ousada chamada Loris Malaguzzi idealizou uma abordagem de ensino inovadora, que atualmente é considerada a melhor dentro da Educação Infantil. Nela, não existem disciplinas convencionais e as atividades pedagógicas são feitas por meio de projetos elaborados pelas próprias crianças. Dessa forma, elas são estimuladas a desenvolver o senso tátil, criativo, estético, auditivo, visual, espacial, entre outros.

Crescendo em um ambiente favorável às inquietações do saber, os pequenos estudantes, ainda que não formalizem conceitos por meio de disciplinas fixas, buscam respostas que passam pela sua língua materna, Matemática, Geografia, Ética, História e outros temas. A abordagem evita impor às crianças um método de trabalho, fazendo com que elas construam espontaneamente o aprendizado.

Hoje, a cidade financia e administra 11 escolas para alunos de 3 a 6 anos e mais 13 centros para as crianças de 0 a 3 anos. Em todas elas, a excelência é incontestável. O exemplo de Reggio Emília mostra que a idéia de uma educação mais livre e inquietante é plausível e pode ser aplicada em outras partes do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem 200 escolas seguindo a abordagem.

 
Copyright © 1999 - 2014. Portal Educacional . Todos os direitos reservados.