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Mudanças ortográficas

A mudança que ocorreu recentemente foi ortográfica: mudaram-se algumas normas relativas à grafia das palavras. As alterações dizem respeito essencialmente ao emprego de alguns acentos e do hífen. É bom deixar claro que língua é uma coisa; ortografia é outra. A reforma ortográfica não acarreta (nem poderia acarretar) nenhuma mudança na estrutura da língua, no vocabulário etc. Também não acarreta nenhuma mudança na pronúncia das palavras. O “u” de “linguiça”, por exemplo, perdeu o trema, mas não deixará de ser pronunciado.
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Emprego da crase na indicação de páginas

No primeiro caso, a forma correta é “leitura da pág. 10 à 14”, já que a palavra “página” está implícita em sua segunda ocorrência. O que temos é mais ou menos isto: “Leitura da página 10 à página 20”. Temos aí a fusão da preposição “a” (que fecha o nexo “de tal a tal”) com um segundo “a”, cujo referente é o substantivo feminino “página”. Quando se imagina uma palavra masculina no lugar de “página”, o que ocorre? Tomemos como exemplo a palavra “capítulo”: “Leitura do capítulo 10 ao (capítulo) 14”. Pronto! Acaba de ser comprovado o motivo do acento indicador de crase em “da página 10 à 14”.

No segundo caso, a história é outra. Nada de acento indicador de crase: a forma correta é “páginas 1 a 20”. O “a” em questão é apenas preposição. Novamente, o artifício da troca por um substantivo masculino resolve o impasse: “Capítulos 1 a 20".
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"A nivel de"

“A nível de” foi modismo durante um bom tempo. Salvo engano, a expressão (graças a Deus!!!) caiu em desgraça e já rareia. Também salvo engano, trata-se da tradução literal (ao pé da letra) da expressão inglesa “at level of”. Em português, a expressão “a nível de “ não significa nada e funciona apenas como um penduricalho inútil nas frases em que aparece: “A nível de repertório, o disco é bom”; “A nível de feijão, a safra vai bem”; “A decisão deve ser tomada a nível de diretoria”. Essas três frases melhoram muito quando se elimina a inútil e rebarbativa expressão: “O repertório do disco é bom”; “A safra de feijão vai bem”;  “A decisão deve ser tomada pela diretoria”.

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"risco de vida" X "risco de morte"

De fato, de uns tempos para cá muitos jornalistas (sobretudo no rádio e na TV) deixaram de empregar a expressão “risco de vida”, que foi substituída por “risco de morte”. No entanto não há nenhum motivo para o banimento de “risco de vida” (“Ele ainda corre risco de vida”; “Ela não corre mais risco de vida”), construção tão legítima quanto “risco de morte” (“Ele ainda corre risco de morte”; “Ela não corre mais risco de morte”). As duas expressões são perfeitamente possíveis. Em “risco de vida” há mesmo a elipse (omissão de termo que se deduz). Quando se diz “Ele não corre risco de vida”, deixa-se elíptico o bloco “perder a”, isto é, “Ele não corre risco de vida” equivale a “Ele não corre risco de perder a vida”.
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Qual é o correto de "10 à 20/02" ou de "10 a 20/02"?

A resposta pode ser encontrada no início da própria expressão (“De 10...”). Se dizemos “De 10...” (e não “Da 10...”), fica claro que aí não há artigo combinado com a preposição “de”, o que é claro sinal de que também não há artigo no passo seguinte, que fecha o nexo com a preposição que inicia a expressão (de tal dia a tal dia).

Moral da história: se não há artigo antes de “10” (“De 10...”) também não há antes de “20” (“...a 20”), o que significa que não ocorre “a” + “a”, ou seja, não há fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”, portanto não se emprega o acento grave (acento indicador de crase) no “a” que vem antes de “20”. A forma correta é “De 10/02 a 20/02” (“De 15 a 20 de outubro”, “De 20 de janeiro a 15 de março” etc.). 
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Diante do novo acordo ortográfico, como ficam os acentos em nome próprio?

O texto oficial do Acordo Ortográfico diz o seguinte: “Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registro legal, adote na assinatura do seu nome. Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos inscritos em registro público”.

 Isso significa que pessoas cujo nome ou sobrenome tenham sido registrados com acento continuarão a assinar assim (“Andréia”, “Sabóia”, “Pompéia” etc.). Nomes e sobrenomes de pessoas mortas serão escritos de acordo com a ortografia vigente, o que também deve ocorrer com novos registros. Quando se trata de nomes de logradouros (praças, avenidas, ruas etc.), bairros e cidades, prevalece a grafia “nova”: Pompeia (cidade paulista e nome de bairro, rua e avenida em diversas cidades brasileiras), Quintino Bocaiuva (nome de rua), Eritreia (nome de país), Saboia (nome de região da França) etc.    
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Está correto utilizarmos a palavra "muito" na expressão: “É muito maior o número ..."

Não há problema algum no uso de “maior” em casos como esse. Convém lembrar que “maior” é a forma sintética de “mais grande”, portanto em “muito maior” há algo equivalente a “muito mais grande”. A construção “muito mais + adjetivo” é absolutamente comum em nossa língua (“muito mais alto”, “muito mais feroz”, “muito mais inteligente”, “muito mais saboroso”, “muito mais bonita” etc.).
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É correto o uso da expressão "através de" quando usada no sentido de "por meio de"?

Durante muito tempo, os dicionários se negaram terminantemente a registrar o que já era e continua sendo mais do que comum na língua: o uso da expressão “através de” com o sentido de “por intermédio de”, “por meio de”, “mediante”, o que se vê na frase em que se baseia esta consulta (“Ele alcançou o sucesso através de muito estudo”). É provável que a edição do “Aurélio” consultada por quem faz esta pergunta seja antiga, já que na primeira edição do “Novo Aurélio Século XXI” (de 1999) finalmente consta a expressão “através de” com o sentido de “por intermédio de”. O “Houaiss” (de 2001) também registra o fato.

Convém lembrar que o uso de “através de” para introduzir o agente da passiva (comum nas transmissões esportivas do rádio e da TV) é algo de gosto duvidoso. Em frases como “O Brasil ganhou da Alemanha com dois gols marcados através de Ronaldo”, deve-se substituir “através de” por “por” (“...dois gols marcados por Ronaldo”).  
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