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Qual é o complemento do verbo "entregar" ?

A sintaxe padrão impõe a construção “entrega(s) em domicílio”, por analogia com outras expressões de que faria parte a palavra “entrega” (“A entrega pode ser feita em qualquer lugar do país”; “Fazemos entregas em toda a região sudeste”) ou o próprio verbo “entregar” (“Podemos entregar em qualquer lugar do país”; “O senhor quer que entreguemos o livro em sua casa?”).

Não se pode negar, no entanto, que é muito comum a construção “entrega a domicílio”. Como diz a professora Maria Helena de Moura Neves em seu “Guia de Uso do Português”, o fato de a preposição “a” ser muito usada para indicar “movimento em direção a” pode ser a explicação para seu uso em construções como “Entrega a domicílio”, “Entregamos a domicílio”, em que existe “alguma sugestão de movimento”. De qualquer maneira, em se tratando de sintaxe formal, a construção comum é “entrega” (ou ‘entregar’) em domicílio”.  

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Quando usar "muita vez" e "muitas vezes"?

Não há diferença entre “muita vez” e “muitas vezes”, que equivalem a “freqüentemente”, “não raro”. Na linguagem de hoje, é muito mais comum o emprego de “muitas vezes”, mas nos textos literários (mesmo de autores do século XX, como José Lins do Rego, que faleceu em 1957) há registro de “muita vez”, como se vê neste exemplo do grande autor nordestino, citado no dicionário “Aurélio”: “O mar  batia no navio e muita vez caía água em cima deles” (da obra “Gregos e Troianos”). 
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Devo usar “par de olhos” ou “par de olho”, “par de sapato” ou “pares de sapatos”?

Em casos como esses, a palavra “par” é substantivo e sempre vem acompanhada de uma locução formada por preposição + substantivo flexionado no plural: um par de pernas, um par de brincos, um par de ases, um par de coelhos, um par de sonhos, um par de olhos, um par de sapatos. É claro que, se houver mais de um par, será empregada a expressão “pares de”, com o especificador no plural (dois pares de sapatos, três pares de brincos, quatro pares de cadeiras etc.).

 

O mesmo raciocínio se aplica quando se emprega a palavra “dúzia”, que também é substantivo: uma dúzia de laranjas, uma dúzia de ovos, duas dúzias de limões, três dúzias de bananas.

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Quando utilizo as expressões "ao invés de" e "em vez de"?

No uso diário da língua, muitas pessoas igualaram as duas expressões, isto é, deram a elas sentido equivalente. Não é o que dizem os dicionários. Na língua culta, só se usa ao invés de para ligar expressões de sentido oposto: “Quando chegou a safra, ao invés de baixar, o preço subiu”; “Ao invés de muito triste, é um ser intensamente alegre” (Aurélio).

Nos exemplos vistos, ao invés de relaciona opostos (baixar/subir e triste/alegre). 

A expressão em vez de significa em lugar de, em substituição a e pode ser usada para ligar termos que guardam oposição ou não: “Em vez destes livros, traga-me outros” (Aurélio); “Comprou um vestido de seda em vez daquele de algodão” (Houaiss); “Em vez da esperada tristeza, manifestava alegria”.

Nota-se, pois, que se pode usar em vez de no lugar de ao invés de (“Quando chegou ao corredor, em vez/ao invés de subir, desceu”). Resumo da ópera: a expressão em vez de pode relacionar termos opostos ou não; a expressão ao invés de só relaciona termos de sentido oposto.

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Qual destas expressões devo utilizar: "ele tinha chego" ou "ele tinha chegado"?

O verbo chegar não apresenta particípio abundante. A única forma de particípio de chegar é chegado, portanto a frase adequada ao padrão culto da língua é “Ele tinha chegado”.

No entanto convém tentar entender o que leva muitos falantes ao emprego da construção “Ele tinha chego” (e de outras semelhantes, como “Ele tinha trago”, “Ele tinha falo”, “Ele tinha compro”, cada vez mais comuns na linguagem de muitas pessoas). Como se sabe, alguns verbos têm duas formas de particípio, uma das quais muitas vezes é igual à primeira pessoa do singular do presente do indicativo (ocorre isso com expulsar, aceitar, pagar, salvar, ganhar, entre outros).

Pois bem. Se são legítimas frases como “Ele foi expulso”, “Ele foi salvo”, “Ele foi aceito”, em que a forma de particípio empregada (expulso, salvo, aceito) é igual à da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, o que ocorre? Já sabe, não? A analogia faz o falante empregar chego, compro, falo como particípio. Agora que você já conhece o motivo pelo qual alguns falantes dizem “Tinha chego”, é hora de dizer com todas as letras: em se tratando de língua culta, nada de “Ele tinha chego”. A forma adequada é mesmo “Ele tinha chegado”. 

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Já ouvi várias pessoas falando reaveu. Está correto? Não seria reouve?

O verbo reaver deriva de haver. Ao pé da letra, reaver é “haver (possuir) outra vez”. É interessante notar que o verbo haver perdeu o sentido de possuir, que já teve em português (“Eu hei um amigo” já foi frase corrente em nossa língua). Isso ocorreu também em espanhol, mas não ocorreu em francês (avoir), italiano (avere) e inglês (to have), em que o sentido de possuir continua vivo. Mais interessante ainda é notar que o verbo haver perdeu o sentido de possuir, mas em reaver (re- + haver) esse sentido permanece (“reaver” = “haver/possuir outra vez”).

O verbo reaver não apresenta conjugação completa, por isso é defectivo. Suas flexões seguem as de haver, mas só se registram as formas em que haver apresenta a letra v. O presente do indicativo de reaver, portanto, limita-se a “nós reavemos” e “vós reaveis”. O presente do subjuntivo é nulo, já que, nesse tempo, nenhuma forma de haver apresenta a letra v (“que eu haja, que tu hajas” etc.). O pretérito perfeito de haver é “eu houve, tu houveste, ele houve, nós houvemos...”, portanto o de reaver é “eu reouve, tu reouveste, ele reouve, nós reouvemos, vós reouvestes, eles reouveram”. Não existe a forma reaveu

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Quando se usa "pago" e "pagado"?

As gramáticas tradicionais dizem que, quando um verbo tem dois particípios (salvado/salvo, aceitado/aceito, expulsado/expulso, entregado/entregue, soltado/solto, prendido/preso), é recomendável adotar o seguinte princípio:

a) usa-se a forma breve, irregular (a que não termina em -ado ou -ido) com os auxiliares ser e estar:“O jogador foi expulso”; “A proposta foi aceita”; “A lavoura está salva”;

b) usa-se a forma regular (a que termina em -ado ou –ido) com os auxiliares ter e haver:“O árbitro já tinha expulsado dois jogadores”; “Ninguém tinha aceitado sua proposta”; “O menino foi condecorado por ter salvado o colega”.

No entanto, no uso efetivo da língua (formal ou informal), nota-se que muitas vezes o particípio breve é usado com os auxiliares ter e haver, o que já é registrado e abonado em várias gramáticas: “Foi condecorado por ter salvo o colega”.

Com os verbos pagar, ganhar e gastar, que têm dois particípios (pagado/pago, ganhado/ganho e gastado/gasto), é mais do que consagrado o que se verifica no uso efetivo da língua (formal ou informal): com ser e estar, usa-se o particípio breve (“A conta foi paga”; “O dinheiro foi gasto”; “A batalha foi ganha”); com ter e haver, usam-se, indiferentemente, as duas formas de particípio (“Ele já tinha gastado/gasto todo o salário”; “Ela tinha pagado/pago em dia todas as contas”; “O time só tinha ganhado/ganho em casa”).

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Qual é a forma correta: "perca" ou "perda"?

Na língua culta, as duas formas existem, mas têm valores e aplicações diferentes. Perca é forma verbal (do presente do subjuntivo ou do modo imperativo do verbo perder): “Ela quer que eu perca a cabeça”; “Espero que você não perca a calma”; “Não perca a paciência com esse tipo de gente”; “Perca a piada, mas não perca o amigo”.

Perda é substantivo abstrato, formado por derivação regressiva a partir de perder. Trata-se do ato ou efeito de perder: “Com as chuvas, foram grandes as perdas dos agricultores”; “A morte dele representa uma perda irreparável para o país”.

Na língua oral, é comum o emprego de perca como substantivo (“Foram grandes as percas dos agricultores”). Alguns dicionários chegam a registrar essa forma, mas deixam claro que se trata de uso informal, não recomendado quando se emprega o padrão culto da língua.

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