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Competência

A discussão sobre competências não é totalmente nova e, como disse o pedagogo suíço Philippe Perrenoud: “O debate sobre as competências reanima a eterna discussão sobre cabeças bem-feitas ou cabeças bem cheias”.

Os partidários das “cabeças bem-feitas”, que são os que defendem hoje um currículo voltado para a construção de competências, enfatizam a necessidade de não apenas aprender conteúdos, mas de praticar seu uso em situações em que eles precisam ser mobilizados.

Um ótimo exemplo de educação voltada para a construção de competências pode ser encontrado na Pedagogia Freinet, com sua proposta de que cada turma produza seu próprio jornal e troque-o com classes de outros lugares. Nesse tipo de trabalho, a aprendizagem da linguagem escrita acontece juntamente com o desenvolvimento de atitudes e procedimentos que fazem parte do perfil de pessoas competentes como produtoras de textos.

Os defensores de uma educação para as competências querem um processo didático menos centrado na transmissão de conteúdos. Eles afirmam que basear o ensino apenas na “transmissão” de conceitos e regras (como no caso da ortografia e da gramática ou da simples “decoreba” de nomes e datas em Geografia e História) torna impossível desenvolver a habilidade para aplicar os conhecimentos em situações em que eles são necessários. Em 1929, o filósofo inglês Alfred N. Whitehead (1861-1947) já tinha uma opinião parecida: “A importância do conhecimento está em seu uso, em nosso domínio ativo sobre ele”.

Apesar da posição dos defensores das “cabeças bem-feitas” ser muito sensata, é preciso reconhecer que, em pleno século XXI, a prática de nossas salas de aula ainda é dominada pela didática das “cabeças cheias”. Portanto, parece haver bastante espaço, na concepção de materiais e de processos didáticos, para a busca de novas formas de apresentação dos conceitos, sugestões de problemas, atividades de pesquisa e de produção de textos, etc.

Podemos dizer que não se trata de escolher entre cabeças bem-feitas ou cabeças cheias, mas de achar o equilíbrio necessário entre esses dois extremos. Afinal de contas, não queremos ensinar competências abstratas, que não se exerçam sobre conteúdo nenhum e, por outro lado, não desejamos ensinar apenas conteúdos irrelevantes para os quais alunas e alunos não conseguem encontrar nenhum uso no contexto de suas ações e reflexões dentro e fora da escola.

A prioridade dada ao conceito de competências é um recurso para quem busca uma educação mais equilibrada, em que os objetivos são definidos não apenas em termos de conteúdos a serem assimilados, mas com base na discussão das capacidades que alunas e alunos devem possuir para poderem atuar de forma eficiente, dentro e fora da escola, ao produzirem textos, buscarem a solução de problemas, fazerem uma pesquisa, consultarem um mapa, etc.

Em resumo, os defensores de uma escola que trabalha para construir competências nos trazem uma ideia interessante que permite encarar a construção de currículos de uma maneira diferente e que veio jogar mais lenha na fogueira de um dos mais antigos debates da pedagogia.



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Última alteração em 27/02/2007 11:23:58 por Luca Rischbieter (editor)