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Cidadania

A preocupação com a construção da cidadania é constante em nossa história. Em 1882, Rui Barbosa já afirmava que "a instrução do povo tem especialmente em mira habilitá-lo a governar a si mesmo." (citado por Lourenço Filho, in A pedagogia de Rui Barbosa. 2. ed. São Paulo : Melhoramentos, 1956. p. 17.)

Nas últimas décadas, com a volta da democracia ao Brasil, o desenvolvimento da cidadania ganhou uma nova importância. Surgiu a necessidade de preparar os alunos para viver em uma sociedade na qual os problemas são discutidos coletivamente, o diálogo e a cooperação tentam superar a violência e é preciso não se alienar da vida política, sob o risco de deixá-la livre para os políticos aproveitadores e para a corrupção.

Mas como podemos construir cidadania, desenvolver em nossas crianças o interesse pela vida e pelos problemas de nossa sociedade e despertar nelas a vontade de participar ativamente de uma democracia em constante construção?

Em termos de conteúdos de ensino, é importante a discussão dos imensos problemas sociais que enfrentamos, de suas possíveis origens, etc., em matérias como história e geografia. A realização de passeios pela cidade, simulações de eleições e entrevistas com políticos também é uma forma para despertar o interesse pelos problemas e pelo funcionamento de nossa sociedade. Mas a melhor maneira de construir cidadania é através de situações em que seja preciso dialogar, colaborar e tomar decisões coletivamente.

Alguns autores vão ao extremo de defender o autogoverno nas escolas. Por exemplo, Piaget afirmava em 1948 que "unicamente a vida social entre os próprios alunos, isto é, um autogoverno levado tão longe quanto possível e paralelo ao trabalho intelectual em comum, poderá levar a esse duplo desenvolvimento de personalidades donas de si mesmas e de seu respeito mútuo." (Jean Piaget. Para onde vai a educação? 13. ed. Rio de Janeiro : José Olympio, 1996. p. 63.)

Apesar de radical, a ideia apresenta um ponto de vista que parece claro: só crianças que dialogam, discutem, tomam e aplicam decisões em equipe estarão se preparando bem para ser cidadãos de uma democracia, ou seja, para dialogar e tomar decisões em conjunto sem recorrer ao autoritarismo.

Veja o que dizia Piaget (em 1932) sobre como conseguir isso: "O problema é saber o que vai preparar melhor a criança para seu futuro papel de cidadão. Será o hábito da disciplina exterior adquirido sob a influência do respeito unilateral e da coerção adulta, ou será o hábito da disciplina interior, do respeito mútuo e do autogoverno?" (Jean Piaget. O juízo moral na criança. São Paulo : Summus, 1994. p. 270.)

Não que a disciplina não seja importante para Piaget e para muitos outros autores. Muito pelo contrário. Eles acham que ela é tão importante que só pode ser implantada pelas próprias crianças.

Uma escola em que os alunos, além de aprender sobre os grandes problemas do país e do mundo, têm muitas chances de debater entre si, de criar regras, de trabalhar em equipe será um lugar onde haverá mais Construção da cidadania do que em locais onde as crianças apenas recebem, passivas, lições sobre a democracia...



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Última alteração em 27/02/2007 11:30:02 por Luca Rischbieter (editor)