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Zona proximal de desenvolvimento

De todos os conceitos desenvolvidos pelo grande psicólogo Vygotsky, o da zona proximal de desenvolvimento (ZPD) é o que mais influência tem exercido sobre a pesquisa e a prática educacional. Ele tenta explicar, entre outros fenômenos, a aprendizagem de conceitos científicos, como aqueles que as escolas se propõem a ensinar.

Por trás desse nome complicado, há uma ideia extremamente simples: o que a criança faz hoje em conjunto com outros poderá fazer sozinha amanhã.

É claro que não é possível levar a criança a fazer qualquer tipo de coisa. Por exemplo, não se pode ensinar álgebra para um aluno que nem conhece as quatro operações. Mas é possível, dentro de certos limites, apresentar desafios e informações cuja utilidade ele possa começar a perceber. Esse limite entre o que o sujeito não pode fazer sozinho e as instruções que ele é incapaz de compreender é o que define a zona proximal de desenvolvimento para a aprendizagem de um determinado campo de conhecimentos.

Um bom exemplo de atuação na ZPD é uma mãe ensinando um filho a falar. Ela sempre reage às tentativas da criança, incentivando, corrigindo, fazendo novas perguntas e exigências, em função de sua percepção do que a criança pode ou não fazer. A criança evolui porque sempre está recebendo novas informações e desafios, que exigem que ela vá um pouco além do que já sabe. Aos poucos, o que acontecia na ZPD passa a ser feito pela criança sozinha, e a mãe pode elevar novamente o nível de seus desafios e exigências.

Para a pedagogia, o conceito de ZPD tem várias implicações. Na avaliação, por exemplo, que normalmente é centrada no que cada aluno pode fazer sozinho. Para Vygotsky, isso é um erro. O que deve ser avaliado é a capacidade que o aluno tem de fazer coisas colaborando com os outros e até recebendo informações e instruções.

A ZPD oferece também novas perspectivas para a área da "construção da autonomia". Para Vygotsky, só uma criança que foi "bem regulada" pelos outros poderá um dia assumir o papel de reguladora (passando a dar a si mesma orientações que encontram sua origem nas ordens que recebeu dos outros - uma ideia que tem o seu parentesco com o conceito de superego, de Freud). A consequência pedagógica é clara: para construir autonomia, não basta dar liberdade às crianças. É preciso pensar em formas de levá-las também a controlar a própria atividade.

Existe ainda outra consequência de se levar em conta o conceito de ZPD. Em vez de esperar que a criança esteja "pronta" para aprender, o processo de ensino deve se antecipar às aprendizagens e tentar criar novas possibilidades de desenvolvimento. Começamos a aprender qualquer conceito apenas no momento em que o vemos pela primeira vez, pois somente a partir desse momento seu significado poderá começar a transformar nosso pensamento.

Para Vygotsky, as escolas pecam ora porque propõem atividades fora dos limites da ZPD (conceitos e exigências abstratos demais), ora porque não levam em conta sua existência (como no caso do ensino baseado apenas em materiais concretos e na espera de que a criança esteja "pronta" para aprender conteúdos mais sofisticados).

As ideias de Vygotsky e conceitos como o da ZPD inspiram - e devem continuar inspirando pelo século XXI afora - diferentes tentativas de renovação dos métodos educacionais, que vão desde a busca de contextos ricos para as descobertas das crianças (aqui há uma semelhança com as ideias da Escola Nova) até a análise de como a comunicação dos tutores pode influenciar os processos de aprendizagem dos alunos.



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Última alteração em 27/02/2007 16:40:53 por Luca Rischbieter (editor)