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  Brasil leva bomba no Pisa
07/12/01
por Vitor Casimiro
 


Dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) revelam que, entre os 32 países submetidos ao exame para medir a capacidade de leitura dos alunos, o Brasil é o pior da turma.

Avaliação revela que leitura e domínio da linguagem são os pontos fracos da educação brasileira.


Na lanterninha. A julgar pelos resultados do Pisa, divulgados no dia 5 de dezembro, em Brasília, os estudantes brasileiros pouco entendem do que lêem. O Brasil ficou em último lugar, numa pesquisa que envolveu 32 países e avaliou, sobretudo, a compreensão de textos em alunos de 15 anos.

O Brasil obteve 396 pontos, 150 a menos que a Finlândia, país mais bem colocado. A Finlândia atingiu o nível 4, enquanto a média brasileira não passou do nível 1, atrás de outros países emergentes, como Rússia e México, que alcançaram o nível 2. No Brasil, as provas foram aplicadas em 4,8 mil alunos, da 7a série ao 2º ano do Ensino Médio.


 
 
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A década de 90 foi um marco para a avaliação educacional. Somente nos últimos dez anos, foram feitos oito estudos internacionais com o intuito de comparar o desempenho de alunos e sistemas escolares. Entre eles, destacam-se o Laboratório Latino-Americano de Avaliação da Qualidade de Ensino (Unesco/Oreal), o Terceiro Estudo Internacional de Matemática e Ciência (Timms) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

O Pisa é uma avaliação patrocinada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que visa traçar um panorama mundial da educação com a aplicação de testes trienais nas diversas áreas do conhecimento. Realizado pela primeira vez em 2000, o Pisa enfatizou a proficiência em leitura.

Em 2003, a prioridade será dada à Matemática e, em sua terceira edição, às questões de Ciências. Em 2000, participaram os 29 países membros da OCDE, além de Brasil, Letônia e Rússia. Para a próxima edição do Pisa, Chile, Peru e Tailândia estão com presença confirmada.

Repercussões (Fontes: Agência PontoEdu, Agência USP e MEC Notícias)

Paulo Renato Souza, ministro da Educação
Para o ministro, o mau resultado tem duas explicações. O último lugar se deve ao confronto com os países desenvolvidos. Por outro lado, como o exame foi aplicado em alunos de 15 anos dos diversos países, a defasagem entre idade e série prejudicou o Brasil. Paulo Renato acredita que a LDB traz soluções para o problema, através de iniciativas para reduzir a repetência. Ele cita a substituição de séries pelo sistema de ciclos e as classes de aceleração.

"Nosso desempenho não foi trágico. (...) Fomos audaciosos ao nos comparar com os países mais desenvolvidos. (...) Se nós eliminarmos a defasagem entre idade e série, nossos resultados vão melhorar. (...) Há políticas do ministério que corrigem essa diferença. Porém, sua implementação é responsabilidade do mantenedor do sistema educacional, ou seja, dos municípios e estados."

Marcos Bagno, doutor em Lingüística da USP

Segundo o especialista, as notas baixas no Pisa são resultado da maneira equivocada com que a escola encara o ensino de Língua Portuguesa: "Pesquisas apontam que o grande foco do ensino de língua portuguesa está na gramática, pois a maior parte dos professores dedica setenta por cento de suas aulas às normas, quando a ênfase deveria ser na leitura e na escrita".

Cláudio de Moura Castro, economista e consultor em educação

Para o consultor, os dados do Pisa são prova de que as escolas estão ensinando muitas coisas, mas não o essencial: o domínio da linguagem. "Das mil coisas e conteúdos que a escola faz ou tenta fazer, o Pisa está nos mostrando que ela se esquece da mais essencial: dar ao aluno o domínio da linguagem. Se fosse necessário gerar um slogan para todas as escolas de todos os níveis, esse seria: só há uma prioridade na escola brasileira: ensinar a ler e entender o que está escrito."

Nelio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da USP

De acordo com o educador, responsável pela coordenação da área de Ciências do Pisa, as questões, discursivas e de múltipla escolha, são elaboradas com a ajuda dos países participantes. O exame, portanto, faz um diagnóstico significativo da educação brasileira. "Os testes foram feitos por alunos de escolas públicas e particulares de todos os cantos do Brasil, de Norte a Sul, de todas as classes sociais, o que torna o Pisa um indicador preciso de nosso sistema educacional. (...) Os exames nacionais, como o Enem e o Saeb, apresentam falhas estruturais, pois se baseiam em questões de múltipla escolha, que praticamente não permitem que o aluno tire nota zero."


Para ir mais longe:

Leia a nota oficial do MEC que avalia o desempenho do Brasil no Pisa. O ministério diz que, se a mesma prova fosse aplicada somente para alunos com 9 ou mais anos de escolaridade, isto é, sem atraso escolar, a média brasileira seria 431, de um total de 625 pontos. Ainda assim, a média brasileira se elevaria apenas ao patamar de outros países emergentes, como México, Rússia e Letônia. Os doze países mais bem colocados atingiram médias entre 507 e 546 pontos.
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Nesse artigo, Gilmar Piolla comenta como a avaliação se tornou uma tendência internacional na década de 90 e suas repercussões na realidade brasileira. O jornalista discorre sobre "os efeitos que elas [as avaliações] têm causado sobre a qualidade do ensino e a influência exercida nas políticas educacionais". Tomando como exemplos o Saeb, o Provão e o Enem, ele considera que a avaliação é indispensável, mas precisa ser repensada.
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Sob o título "Países asiáticos são os melhores", a revista Nova Escola analisa o resultado do Timms, do qual participaram 45 países, um número recorde. Com base nos dados obtidos, o texto procura desfazer certos mitos. Alguns países conseguiram boas notas, mesmo com baixo investimento e muitos alunos em sala. A matéria conclui que não há soluções definitivas e que cada país deve buscar seu modelo. Em um quadro à parte, é relatada a maneira como alguns países fazem a avaliação de seu sistema de ensino.
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Nesse artigo pontuado por muitos dados e tabelas, Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), avalia a participação do Brasil em estudos comparativos da educação mundial. Ela acredita que "o país conseguiu criar um eficiente sistema de informações que abrange todos os níveis e modalidades de ensino, da educação infantil à pós-graduação".
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