Grande preocupação nos países ricos, doenças
degenerativas como o mal de Alzheimer e doenças cardíacas
e de hipertensão são alvo para as pesquisas farmacêuticas.
A advento dos animais transgênicos auxilia muito essas pesquisas,
e, se o Brasil conseguir desenvolver um pólo científico
competitivo, como no caso do projeto Genoma Humano, por exemplo,
poderá contribuir muito com as pesquisas e ter, ao mesmo
tempo, um grande retorno científico e financeiro. O domínio
da técnica que criou Vítor vai resultar em uma economia
substancial de dinheiro e tempo para o estudo de doenças,
medicamentos e vacinas.
Mas, afinal, o que são transgênicos?
Um organismo transgênico é qualquer organismo modificado
geneticamente através da engenharia genética. Normalmente,
é conseguido pela introdução de seqüências
de DNA provenientes de outra espécie ou uma seqüência
modificada da mesma espécie em seu DNA. Uma planta transgênica,
por exemplo, é aquela que recebe um gene, ou seja, um pedaço
de DNA que não existia na planta inicial. Pode-se até
mesmo misturar genes animais com o de plantas e de bactérias.
Os transgênicos também são conhecidos como organismos
geneticamente modificados ou, simplesmente, OGMs.
Mas a utilização dessa técnica implica várias
outras questões. Muitos cientistas, organizações
não-governamentais, governos e outros especialistas alertam
para o perigo da manipulação genética. No caso
dos clones - que apesar de não serem organismos transgênicos,
são mais notórios -, os especialistas lembram as questões
éticas, teológicas e legais envolvidas, mas, no caso
dos transgênicos, apontam que ainda é muito cedo para
se tirar conclusões sobre seus perigos.
A verdade é que a engenharia genética é fundamentalmente
diferente do melhoramento genético. O melhoramento é
aceito, pois não mistura genes de organismos diferentes,
sendo considerado uma espécie de "evolução
forçada".
Perigos
O tipo transgênico mais combatido é o das plantas,
já que estas, diferentes dos animais, assimilam qualquer
tipo de manipulação e mistura genética sem
problemas. O problema é que não se sabe como a absorção
delas pode modificar o metabolismo humano. Por isso, a maioria dos
países obriga os fabricantes de alimentos a avisar o consumidor
quando utilizam transgênicos nos seus produtos.
Muitas plantas produzem naturalmente uma variedade de compostos
como as neurotoxinas, inibidoras de enzimas e outras que podem ser
tóxicas e alterar a qualidade dos alimentos. Geralmente,
esses compostos estão presentes em níveis não
tóxicos, mas, através da engenharia genética,
podem ser alterados e aparecer em altos níveis.
Existe também o problema das pragas. É sabido que
se um agricultor semear somente algumas sementes de plantas transgênicas,
estas passam a ser predominantes na sua lavoura, tornando rapidamente
toda a produção alterada. Como todas têm as
mesmas características genéticas, uma praga resistente
a algum agrotóxico destruiria 100% da produção,
já que todas as plantas também teriam as mesmas fraquezas.
Além do mais, existem inúmeras razões para
se esperar a ocorrência de distúrbios ecológicos
que, pela natureza da tecnologia empregada, provavelmente serão,
em sua maioria, impossíveis de reparar.
Onde mais dói é no bolso
Mas é a área econômica que gera as maiores discussões.
A OMC (Organização Mundial do Comércio) já
alertou que a engenharia genética aumentará o domínio
dos países pobres pelos detentores dessas tecnologias, ou
seja, os mais ricos. A utilização de híbridos,
plantas que têm reduzido seu poder fértil a cada nova
geração depois de plantadas, já é uma
realidade na agricultura mundial há alguns anos. Estima-se
que quase toda a produção de soja e milho mundial
seja transgênica.
Agora a empresa Delta & Pine, dos EUA, patenteou um gene classificado
como terminador (exterminador). Muito mais radical que os híbridos,
ele é incorporado às sementes que, quando plantadas
e colhidas, têm sementes estéreis já na primeira
geração. Isto obriga o agricultor a comprar novas
sementes sempre que for plantar, fazendo com que os países
em desenvolvimento ou pobres dependam sempre dos ricos para a agricultura
ou cultivo de determinados alimentos.
O gene exterminador também pode ser levado pelo vento junto
com os grãos de pólen e fecundar as flores de plantas
silvestres ou domésticas, tornando-as também estéreis,
provocando uma destruição irreparável ao meio-ambiente.
Outro agravante é que os cientistas usam genes antibiótico-resistentes
para selecionar e marcar os organismos alterados que foram sucesso.
Genes marcadores que produzem enzimas inativadas clinicamente usando
antibióticos teoricamente podem reduzir a eficácia
da terapêutica de antibióticos nos seres humanos e
animais se ingeridos através dos alimentos.
Defesas
Os defensores da utilização das plantas transgênicas
em larga escala acreditam que, com essas técnicas, podem
produzir alimentos mais nutritivos e baratos, com um cultivo mais
eficiente do que o convencional e que isso pode vir a ser a solução
para abastecer a população mundial. Além disso,
esses alimentos teriam uma vida útil alongada, mais qualidade
e maior resistência contra pragas.
O Brasil se defende com a Lei da Biossegurança. Essa lei
tem o objetivo de proteger a diversidade e integridade do patrimônio
genético do país e funciona através da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBIO), que tem
o poder de aprovar ou não testes de campo e a comercialização
de plantas e animais transgênicos e de outros produtos da
biotecnologia.
No caso dos animais transgênicos, a discussão apresenta-se
menos acirrada, já que os avanços na área médica
parecem se sobrepor a eventuais danos que possam vir a causar a
ecossistemas, além de serem uma alternativa válida
à clonagem e a pesquisa com células-tronco, que encontram
dificuldades pela polêmica envolvida na utilização
de suas técnicas.
Para ir mais longe:
Reportagem do jornal da Unifesp que traz mais detalhes
sobre o processo de criação do camundongo Vítor.
Clique
aqui para ver o site.
Site da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança,
no qual você encontra notícias e a legislação
sobre a utilização da manipulação genética
no Brasil.
Clique
aqui para ver o site.
Texto da jornalista Luisa Massarani, especialista em biociências,
sobre os organismos geneticamente modificados (OGMs), mais precisamente
sobre os alimentos transgênicos. Ela ressalta a necessidade
de uma discussão com diferentes pontos de vista antes da
utilização desses produtos em nossas mesas.
Clique
aqui para ver o site.
Se a sua praia é radicalizar e levantar bandeiras, você
encontrará mil e um motivos para a não-utilização
dos transgênicos e seus riscos para o meio-ambiente na página
do Greenpeace dedicada ao assunto, além de saber o
que a organização já faz contra a utilização
desenfreada da biotecnologia e como participar.
Clique
aqui para ver o site.
Parecer sobre os OGMs e seus produtos elaborado por Flavio Lewgoy,
conselheiro da Agapan, Associação Gaúcha de
Proteção ao Ambiente Natural, que considera o tema
o último grande debate do século XX.
Clique
aqui para ver o site.
Artigo de nossa nutricionista sobre as modificações
genéticas em produtos alimentícios e os prós
e contras dos alimentos transgênicos.
http://www.educacional.com.br/falecom/nutricionista_artigo054.asp
Pesquisa sobre biossegurança de alimentos derivados da biotecnologia
rDNA, feita por cientistas que visam à modificação
de alimentos para combater agentes alergênicos. (PDF)
Clique
aqui para ver o site.
Texto de Nélio Bizzo, professor de Prática de Ensino
de Biologia e de Metodologia do Ensino de Ciência na Faculdade
de Educação da USP, sobre a possibilidade de os alimentos
transgênicos fazerem mal à saúde.
Clique
aqui para ver o site.
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