A história toda começou na última década,
quando, para se livrar de pilhas, baterias de celulares usadas e
toda a parafernália tecnológica vinda com os computadores
na carona da globalização, ninguém sabia o
que fazer. Enquanto isso, quem sofreu foi o meio ambiente. Nos aterros
sanitários que recebem o lixo comum, começou a surgir,
aos poucos, uma nova categoria de lixo: o lixo eletrônico,
que, com seus metais pesados, é considerado um risco à
saúde da população e ao meio ambiente.
As autoridades, governos e, principalmente, os fabricantes desses
produtos ainda não despertaram para o resultado dessa falta
de destinação correta para o acúmulo do despejo
advindo da vida moderna. Contaminação do solo, da
água e, conseqüentemente, dos alimentos estão
entre os sérios resultados do descaso. Mercúrio, níquel,
cádmio, arsênico e chumbo são alguns dos metais
pesados que podem causar danos ao sistema nervoso, edemas pulmonares,
osteoporose e câncer, além de serem nocivos ao meio
ambiente.
A União Européia saiu na frente no que se refere
a responsabilizar as próprias empresas fabricantes de tecnologia
pela eliminação adequada dos dejetos eletrônicos.
São medidas que ainda estão por virar lei, mas que
já causam polêmica, pois, provavelmente, os produtos
sofrerão aumento de preços ao consumidor final para
a cobertura dos gastos das empresas com a coleta e com os procedimentos
de reciclagem. Na Europa, a preocupação com o assunto
é anterior. Em 2000, os fabricantes de carros já começaram
a pagar pelo recolhimento de resíduos de carros velhos.
No Brasil, o puxão de orelhas veio do Conama - Conselho
Nacional do Meio Ambiente -, que, por meio da Resolução
257, tornou lei a destinação correta de pilhas
e baterias, obrigando os fabricantes, importadores, redes autorizadas
de assistência técnica e comerciantes a implantarem
mecanismos de coleta e de responsabilidade sobre o material tóxico
que produzem. Quem não cumprir as regras poderá arcar
com multa de até 2 milhões de reais.
As ONGs ambientalistas também se mobilizaram. A SPVS - Sociedade
de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental
-, por exemplo, firmou parceria com a TIM em uma campanha para o
recolhimento de baterias de celulares. De setembro de 1999 a dezembro
de 2001, foram recolhidas quase 50 mil baterias no sul do Brasil,
o que significa que mais de 20 toneladas de baterias deixaram de
contaminar o meio ambiente. A Global Telecom é outro exemplo.
Desenvolveu um projeto de responsabilidade ambiental em parceria
com o setor de Ciências Agrárias da UFPR - Universidade
Federal do Paraná -, por meio de um programa de recolhimento
de baterias junto à comunidade, devolvendo-as aos seus respectivos
fabricantes para a destinação adequada.
A primeira providência quanto a bateria de celular, por exemplo,
é entrar em contato com o fabricante para saber qual o melhor
procedimento para devolvê-la - caso ele esteja disposto a
recebê-la de volta. O ideal é que ela seja enviada
em uma embalagem adequada. Os fabricantes poderão reciclar
e reaproveitar plástico ou metais pesados, exportá-la
ou, ainda, mandá-la para aterros especiais.
Lei
Ainda não foi decretada uma lei internacional quanto ao
destino do lixo eletrônico produzido no mundo. Por enquanto,
o que vale é a Convenção da Basiléia,
de 1989, única regulamentação internacional
que proíbe o movimento de resíduos perigosos entre
fronteiras de 120 países, incluindo o Brasil. O acordo foi
estabelecido pelos representantes governamentais desses países,
por ONGs e por indústrias.
Lixo rentável
Enquanto uns não querem nem saber do destino do e-lixo,
outros já descobriram oportunidades de lucro vindas dessa
nova sucata. Os países em desenvolvimento foram os primeiros
a perceber como tirar proveito do que está sendo jogado fora.
Metais preciosos, como a prata e o ouro, além de valiosos,
podem ser 98% reutilizados. Uma das maiores empresas de reciclagem
da Itália, a Geodis Logistics, garante que 94% dos componentes
de um microcomputador são reaproveitáveis.
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Você sabe do que é
feito um computador?
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Materiais de computadores
descartados até 2004
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Plástico - 40%
Metais - 37%
Dispositivos eletrônicos - 5%
Borracha - 1%
Outros - 17%
Materiais recuperáveis - 94%
(fonte: Geodis Logistics) |
Plástico - 2 milhões
Chumbo - 600 mil
Cádmio - 1.000
Cromo - 600
Mercúrio - 200
* Previsão em toneladas.
Fonte: MCC (Microelectronics and Computer Technology Corporation)
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Para ir mais longe:
Reportagem da IstoÉ, com dados e depoimentos sobre lixo
eletrônico. Bem completa, traz ainda o posicionamento de algumas
empresas sobre a questão e informa sobre os produtos tóxicos
e seus males ao meio ambiente.
Clique
aqui para ver o site.
As páginas acima trazem informações sobre
a discussão do lixo eletrônico na União Européia
e fazem parte de um portal sobre produtos recicláveis.
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aqui para ver o site.
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aqui para ver o site.
Notícia que fala sobre a preocupação com o
futuro do lixo eletrônico
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aqui para ver o site.
Aqui você encontra a íntegra da Resolução
257 do Conama, que regulamenta a correta destinação
de pilhas e baterias de celulares no Brasil.
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aqui para ver o site.
Você quer saber o que fazer com pilhas usadas ou com aquela
bateria de celular que não funciona mais? Aqui você
aprende, passo a passo, como jogar fora o lixo eletrônico
que tem em casa. São boas dicas para você e sua família
ajudarem na conservação do meio ambiente por meio
de atitudes responsáveis e conscientes. Faça a sua
parte!
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aqui para ver o site.
De doação de lixo eletrônico, o técnico
em informática José Carlos Valle alimentou um museu:
o Museu do Computador. E sem gastar um centavo. Foram 600 monitores,
500 teclados, além de muitos manuais e mapas de feiras de
informática.
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