No final do século passado, com o crescimento das informações
meteorológicas nos meios de comunicação, começou-se
a falar muito no fenômeno El Niño, que, ao contrário
do que muitos pensam, não é recente. Ele é
normalmente detectado entre março e maio, tendo seu ápice
em dezembro. É por isso que o furioso acontecimento tem esse
nome. O menino, em espanhol, deve-se à proximidade do Natal
e do nascimento do menino Jesus. Ele foi batizado por pescadores
peruanos que, em 1700, perceberam que, em certos anos, as águas
ficavam mais quentes e havia falta de peixes. Relatos do conquistador
espanhol Francisco Pizarro, por volta de 1525, já mostravam
que um fenômeno semelhante acontecia.
O El Niño é basicamente um aquecimento anormal das
águas do Oceano Pacífico tropical. O grande problema
está nas conseqüências desse aquecimento para
o planeta. Sua interferência na circulação atmosférica
de toda a Terra provoca mudanças nas condições
climáticas de várias regiões, como o aumento
de chuva em alguns lugares e seca em outros. Mas apesar de todas
as pesquisas e esforços dos estudiosos em entender como e
por que o fenômeno El Niño acontece e qual a sua origem,
atualmente não há uma conclusão definitiva.
No Brasil, as pesquisas e o monitoramento do El Niño indicam
que três regiões são afetadas pelas mudanças
na circulação atmosférica: o semi-árido
do Nordeste, o norte e o leste da Amazônia e o sul do Brasil.
A Região Sul é afetada pelo aumento de chuva. O norte
e o leste da Amazônia e o Nordeste sofrem pela diminuição
da chuva. O sudeste do Brasil apresenta temperaturas mais altas,
o que torna o inverno mais ameno. Já para as demais regiões
do país, os efeitos são considerados mais fracos.
Em contrapartida, no mundo, os efeitos do El Niño são
bastante significativos em algumas regiões. Acontecem grandes
secas na Índia, na Austrália, Indonésia e África
decorrentes do fenômeno, assim como algumas enchentes no Peru,
Equador e no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Em algumas áreas,
observam-se temperaturas mais elevadas que o normal, enquanto, em
outras, ocorrem frio e neve em excesso.
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Entenda o fenômeno
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| Sem El Niño, os
ventos alísios correm em direção à
Austrália, onde se formam nuvens de chuva. A movimentação
de ar faz com que a água superficial do Pacífico
se acumule sobre a costa australiana, esvaziando a costa peruana.
A água do fundo sobe à tona trazendo plâncton,
atraindo os peixes para comer. |
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O El Niño inverte a circulação dos ventos
alísios, fazendo com que a água da costa peruana
esquente, ficando acumulada. O calor e o acúmulo de
água impedem que o plâncton do fundo do oceano
chegue à superfície. Os peixes passam fome,
não se reproduzem e a pesca fica escassa.
O ar úmido sobe longe da costa da Austrália
e a chuva cai apenas no oceano, causando secas e queimadas
no continente.
Infográficos: Felipe Santos
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Triste história
Em 1983, aconteceu o mais forte El Niño já registrado
por cientistas. O sul do Brasil foi arrasado por chuvas e inundações
e o Nordeste sofreu com uma seca acentuada. Austrália, África
e Indonésia sofreram enchentes, tempestades de poeira e incêndios
florestais. O Peru foi atingido pela pior tempestade de que se tem
notícia. Alguns de seus rios subiram mil vezes acima do leito
normal. Calcula-se que o fenômeno foi responsável pela
morte de 1.300 a 2.000 pessoas mundo afora e por prejuízos
de U$13 bilhões na economia global.
Por isso, em 1986, assustados com o poder destrutivo que a anomalia
havia mostrado anos antes, pesquisadores americanos lançaram
equipamentos meteorológicos a 600 metros de profundidade
no Pacífico para dar início às pesquisas sobre
o aquecimento daquelas águas e sobre o El Niño.
Nos anos de 1991 a 1994, o fenômeno se manifestou de maneira
diferente. Apesar de sua baixa intensidade, permaneceu por quatro
anos consecutivos.
Mas, em 1997, o El Niño trouxe novamente a tragédia:
a Austrália sofreu prejuízos terríveis causados
pela seca e por incêndios florestais, e a Flórida foi
arrasada por furacões que deveriam ter ido para o Caribe,
como o Nora. Foi o segundo El Niño mais forte de todos os
tempos.
Além do clima, o El Niño pode trazer consigo doenças.
Cientistas americanos afirmam que enfermidades transmitidas pela
água e por mosquitos devem aumentar e se espalhar com mais
rapidez nas regiões onde o ecossistema for mais afetado pelo
fenômeno. A epidemia de dengue no Brasil pode disparar até
o fim do ano enquanto o El Niño provocar mais chuvas e calor
fora de hora nos estados do Sudeste. Além disso, em lugares
onde predomina a seca, é comum registrarem-se muitos casos
de encefalite.
Mas apesar de tudo...
As conseqüências do El Niño também têm
alguns efeitos benéficos. Entre os mais significativos, estão
as correntes do Golfo do México, que impedem a formação
de furacões naquela região e no Caribe, e a abundância
de chuvas para as lavouras do centro da América do Sul. Nos
estados do Nordeste americano, o consumo de gás e eletricidade,
utilizados para aquecimento, tende a diminuir.
Na verdade, colocar na conta do El Niño todos os problemas
climáticos é injusto. As anomalias que mais afetam
o Brasil, por exemplo, ocorrem no Oceano Atlântico Equatorial
e também são poucos conhecidas. A melhor maneira de
prevenir os estragos que a anomalia pode causar é saber quando
e onde o clima será alterado e de que maneira. Por isso,
ter um sistema meteorológico confiável faz a diferença.
Para ir mais longe:
Site do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) sobre a chegada
do fenômeno El Niño em 2002. Oferece boletins atualizados
sobre o assunto.
Clique
aqui para ver o site.
Boletim da empresa de meteorologia WM7 sobre a volta do El Niño
e o outono 2002 em todo o Brasil.
Clique
aqui para ver o site.
Página do National Oceanic & Atmospheric Administration,
órgão do governo norte-americano que cuida da meteorologia
no país, dedicada inteiramente ao El Niño. Possivelmente,
o site mais completo sobre o assunto. Em inglês.
Clique
aqui para ver o site.
Site da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
com links para textos sobre o impacto do El Niño e da La
Niña na agricultura da Região Sul do Brasil.
Clique
aqui para ver o site.
Conheça os efeitos que o fenômeno La Niña,
a "irmã" do El Niño, provocou no Brasil
em 1998 nesse relatório do Centro de Previsão de Tempo
e Estudos Climáticos (CPTEC) do Ministério da Ciência
e Desenvolvimento.
Clique
aqui para ver o site.
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