Extinção: perigo também para as plantas
22/11/02
 


Quando falamos em extinção de espécies, sempre nos lembramos dos animais. Mas um estudo recente feito por dois botânicos americanos levanta a alarmante hipótese de que metade das plantas do planeta podem estar ameaçadas de extinção.

Com base em pesquisa, dois botânicos americanos fizeram uma descoberta que, apesar de ser trágica, certamente é curiosa. Até hoje, por incrível que pareça, divulgavam-se as espécies de plantas em extinção, mas sem que fossem consideradas as florestas tropicais. Ignorava-se o fato de que qualquer aluno de 5.ª série aprende, nas aulas de ecologia, que as florestas tropicais, ao mesmo tempo em que cobrem apenas 2% da superfície da Terra, são habitat de cerca de metade das espécies vegetais e animais do planeta.

Foto: SEMA - PR
Sassafrás
(Ocotea odorifera)

A pesquisa — realizada pelos botânicos Nigel Pitman, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte e Peter Jorgensen, do Missouri Botanical Garden, de Saint Louis, e publicada na revista norte-americana Science — revela que quase metade das espécies de plantas podem estar em processo de extinção. Essa previsão pode triplicar as estimativas anteriores. Até sua divulgação, acreditava-se que o número de plantas ameaçadas, de acordo com a Liga Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), era de apenas uma em cada oito espécies.

Para os pesquisadores, o número de plantas inscritas na lista vermelha da IUCN não condiz com a totalidade das plantas em extinção porque não contém informações sobre as florestas tropicais. Quando estas são consideradas na estimativa, a porcentagem de espécies sob ameaça de extinção passa de 13% para valores entre 22% e 47%.

Pitman afirma que o custo para se manter um banco de dados global de plantas ameaçadas custaria em torno de 100 dólares por ano e por espécie. O orçamento anual estaria próximo dos 12 milhões de dólares para todos os pontos que apresentam problemas. Ou seja, não é um valor absurdo.

Ameaça

Foto: Hamilton Bettes Junior
Pinheiro-do-Paraná

Trabalhando em países tropicais, Pitman e Jorgensen descobriram que o número de espécies únicas a cada país (que somente existem naquela região) é um indicador aproximado do número de plantas ameaçadas nesse mesmo país.

No Equador, por exemplo, existem 4 mil espécies únicas. Cerca de 3,5 mil estão sob ameaça de extinção porque estão limitadas a pequenas áreas nas quais um desastre natural, como fogo ou deslizamento de terra, pode as eliminar.

Para encontrar uma proporção global de plantas ameaçadas, Pitman e Jorgensen calcularam o número total de espécies únicas a determinado país. Segundo eles, o número exato é difícil de ser obtido porque as estimativas oscilam entre 310 mil e 422 mil. “No pior dos cenários, metade de todas as plantas do planeta estão em risco de extinção”, afirma Jorgensen.

 

Características das florestas tropicais

- Cobrem 2% da superfície do planeta (ou 6% da superfície de terras aparentes), mas são habitat para cerca de metade de suas espécies vegetais e animais.Originalmente, cobriam pelo menos o dobro da área atual.

- Constituem os ecossistemas mais antigos da Terra.

- São destruídas em um ritmo assustador. De acordo com a Academia Nacional de Ciências Americana, cerca de 200 mil quilômetros quadrados de floresta são abatidos por ano, o equivalente a uma área aproximadamente igual aos territórios da Inglaterra, País de Gales e Escócia juntos.

- Cerca de 25% dos medicamentos utilizados atualmente foram desenvolvidos com base em componentes químicos retirados de plantas. Apenas 1% das espécies vegetais encontradas em florestas tropicais foi investigado em termos de composição química.

- As florestas tropicais desempenham papel fundamental na manutenção da atmosfera e dos climas terrestres.

 

 
 
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por Patrícia Martinelli

As florestas tropicais estão distribuídas nos trópicos, sendo que quatro países (Brasil, Indonésia, Zaire e Peru) contêm mais da metade dessa formação vegetal.
Nos últimos 150 anos, o homem modificou cerca de 47% da superfície terrestre, comprometendo a biodiversidade no planeta, principalmente nas florestas tropicais, onde as populações animais e vegetais estão bem-representadas, dada a grande variedade de alimento e habitat disponíveis para a adaptação de várias espécies.
A extinção de espécies vegetais pode comprometer a vida no planeta porque provoca desde o desaparecimento dos próprios vegetais como também de espécies que dependem deles, como epífitas, insetos, pássaros e pequenos roedores.

Foto: SEMA - PR
Palmito
(Euterpe edulis)

Também a estrutura do solo pode ficar comprometida, já que, em muitas florestas, a camada fértil do solo está relacionada com o aproveitamento dos nutrientes produzidos pela decomposição de folhas, troncos, animais mortos, etc.

Com o solo danificado e a diminuição da biodiversidade, muitas espécies podem desaparecer, comprometendo também o campo medicinal. Na Floresta Amazônica, por exemplo, existem cerca de 1,3 mil tipos de vegetais com reconhecido valor terapêutico. De lá são retirados diferentes princípios ativos para a fabricação de medicamentos. Além disso, podem desaparecer espécies vegetais que ainda não foram analisadas quimicamente com vistas à extração de componentes.
Para diminuir o impacto da extinção de espécies vegetais, existem locais como jardins botânicos e estações ambientais, onde podem ser mantidos exemplares de diferentes plantas. Outra forma de se controlar a perda da biodiversidade consiste no armazenamento de embriões e sementes em laboratórios especializados.

Para ir mais longe

Pode parecer estranho, mas a extinção também faz parte da evolução da vida no planeta; ou você gostaria de ter que dividir o planeta com dinossauros? No site da Editora Saraiva, você encontra uma pesquisa sobre a evolução e extinção de espécies.
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Depois que os botânicos Pitman e Jorgensen divulgaram sua pesquisa, o IUCN reconsiderou a lista que não incluía as florestas tropicais. No site da instituição, você encontra um texto que comenta a descoberta dos dois americanos. (Em inglês)
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Conheça, no site da Universidade Católica de Santos, a lista oficial das espécies da flora brasileira que estão ameaçadas de extinção.
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Em Brasília, existe o Cenargen (Centro Nacional de Pesquisas de Recursos Genéticos e Biotecnologia), órgão da EMBRAPA que guarda mais de 70 mil amostras de sementes de 373 espécies vegetais. O Centro começou a funcionar em 1976 e é o quarto melhor do mundo, depois de órgãos de pesquisa dos EUA, Japão e Índia.
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Conheça o programa da ONU sobre o meio ambiente. Lá, você encontra informações sobre as espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção e os projetos que estão sendo desenvolvidos para salvá-las. (Em inglês)
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Mas não no esqueçamos dos animais. Essa reportagem da BBC mostra que um quarto dos mamíferos deve sumir em 30 anos.
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Confira uma reportagem sobre a Mata Atlântica no nosso portal e veja como está a preservação de nossas matas e como você pode colaborar com a preservação do meio ambiente.
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