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Por André Mendes Capraro
O doping começou a acontecer em larga escala durante a
Guerra Fria, quando o esporte era uma forma de propaganda e de luta
pela hegemonia mundial. O bloco socialista, sempre mais fechado,
a partir da década de 1950 passou a formar atletas vencedores
em várias modalidades, que acabaram sendo mitificados como
superatletas, produzidos nos mais sofisticados laboratórios
da URSS. No entanto, hoje se sabe que os métodos de treinamento
não eram o diferencial dos atletas soviéticos, mas,
sim, a ingestão de hormônios masculinos, que desenvolvem
o corpo em proporções que não poderiam ser
atingidas de outra forma.
Os jornalistas Andrew Jennings e Vyv Simon, em seu livro Os Senhores
dos Anéis: Poder, Dinheiro e Drogas nas Olimpíadas
Modernas, relatam uma situação inusitada. Depois de
se infiltrarem na alta cúpula do COI (Comitê Olímpico
Internacional), foram a uma reunião entre uma empresa de
material esportivo, os dirigentes do COI e uma importante atleta
olímpica da Alemanha Oriental. Após algum tempo, eles
começaram a estranhar o não-comparecimento da atleta
alemã. Foi então que notaram que ela estava presente
sim, só que eles a confundiram com um homem, pois estava
barbada! As altas doses de hormônio ingeridas pela atleta
fizeram com que nascessem pêlos em seu rosto. Esse é
só um dos exemplos entre as centenas de casos ocorridos nas
Olimpíadas. Alguns pesquisadores, mais céticos, acreditam
que os números estão na casa dos milhares.
Mas por que duvidar dos números se é só contar
os casos de atletas pegos em exame antidoping? A resposta é
simples e lamentável: os fabricantes das substâncias
usadas em doping (hoje em dia existem milhares) estão tecnologicamente
passos à frente da tecnologia usada para detectá-las.
E esse não é o problema maior. Muitas vezes, as autoridades
são coniventes com o doping.
Um exemplo disso aconteceu alguns anos atrás, quando os
atletas de ciclismo que participariam do Tour de France (uma das
mais famosas provas de ciclismo do mundo) ameaçaram fazer
greve caso houvesse exames antidoping periodicamente e sem aviso
prévio. Por sinal, o livro Os Senhores dos Anéis teve
seus direitos adquiridos pelo próprio COI, que retirou as
edições de circulação, pois ele comprovava
a negligência da própria entidade com alguns atletas
que eram patrocinados por grandes marcas esportivas ou países
exponenciais no cenário mundial.
Casos notórios
Os casos sobre manipulação política e doping
que repercutiram bastante foram da americana Florence Griffith Joyner
e do canadense Ben Johnson, nos Jogos de Seul, em 1988. Florence
era uma atleta que surpreendeu o mundo, não só por
seu porte físico extremamente desenvolvido, mas por sua rápida
ascensão: de atleta mediana, que quase não obteve
resultados para participar das Olimpíadas, a vencedora e
recordista mundial dos 100 metros, e tudo isso em pouco mais de
um ano. Florence acabou morrendo alguns anos depois, dentro de um
avião, devido a problemas cardíacos — fato bastante
incomum em atletas, principalmente do sexo feminino. Acredita-se
que se tratava de doping, negligenciado pelas autoridades encarregadas
de investigar esses casos.
A história de Ben Johnson é quase o inverso. Alguns
jornalistas afirmam que o caso só foi diagnosticado porque
o segundo colocado seria um dos atletas mais conhecidos de toda
a história do esporte: o americano Karl Lewis, que, naquela
Olimpíada, estava encerrando sua carreira.
Ineficácia do antidoping
As célebres frases “o importante é competir”
e “esporte é saúde” nunca estiveram tão
fora de moda como hoje em dia. A preocupação com o
doping chegou a níveis alarmantes. E essa é a maior
preocupação do Wada, que pretende, com o estabelecimento
das leis antidoping no mundo e o endurecimento das penas, diminuir
o uso de substâncias estimulantes para níveis aceitáveis.
Chegou-se ao absurdo de se considerar um problema secundário
o uso de esteróides anabolizantes, embora eles estejam cada
vez mais sofisticados. As atenções voltaram-se, então,
para a dopagem “natural”, que dificilmente é
detectada por exames laboratoriais.
As mais clássicas são a gravidez seguida de aborto
— que faz com que as atletas produzam naturalmente altas doses
de hormônios que poderão aumentar seu desempenho —
e a transfusão sangüínea — que consiste
na retirada e armazenamento do sangue do próprio atleta alguns
meses antes da competição e na injeção
dele às vésperas da competição, o que
aumenta o volume sangüíneo e, conseqüentemente,
a capacidade de oxigenação.
Outros casos ocorrem na natação: alguns atletas de
ponta estão fazendo cirurgias para extração
de algumas costelas, o que favorece a flutuação, além
de cirurgias plásticas para a inserção de membranas
entre os dedos das mãos para que o impulso também
aumente.
A situação é tão extrema que alguns
pesquisadores afirmam que atualmente é impossível
que um atleta vença uma competição de alto
rendimento em esportes que exigem muito do físico, principalmente
em provas de explosão muscular, sem a utilização
de qualquer tipo de doping. Esses pesquisadores acreditam que a
ineficácia do sistema antidoping é tão grande
que seria melhor liberar o doping do que ficar exposto de tal forma
à situação constrangedora de saber da utilização
e fingir que está tudo em ordem.
Para ir mais longe
Conheça o site (em inglês) da Wada, agência
que pretende, com o Código Mundial Antidoping, regularizar
a prática esportiva em todos os países e diminuir
o uso do doping.
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aqui para ver o site
Saiba Mais do portal que explica de que forma os esteróides
anabolizantes agem no organismo humano e quais são os efeitos
colaterais deles e mostra, por meio de textos e do simulador, a
cromatografia — técnica usada no exame antidoping.
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Conheça a opinião do ex-diretor de uma equipe de
ciclismo francês sobre a possibilidade de se ganhar uma prova
nesse esporte sem o uso de doping.
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Saiba mais sobre o que é doping e quais são os perigos
que o uso de anabolizantes pode causar, na seção de
Educação Física do portal.
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E para o “atleta ocasional”, o doping funciona? Que
riscos ele oferece para a saúde? O artigo de nossa nutricionista
fala sobre o consumo de suplementos alimentares, que já tomou
conta dos freqüentadores de academia.
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Notícia da BBC que mostra que cientistas americanos anunciaram
a descoberta de uma pílula capaz de deixar os músculos
tonificados sem a necessidade de exercícios físicos.
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Atualmente, fala-se muito sobre suplementos alimentares, que são
utilizados para incrementar o ganho de massa muscular. Um dos mais
conhecidos é a creatina. Mas você sabe o que é
isso?
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