O Ministério do Meio Ambiente e o Ibama divulgaram a nova
“lista vermelha” dos animais ameaçados de extinção
no país. A idéia é que o documento sirva como
base para a luta contra o tráfico de animais e a caça
clandestina, que geram bilhões de reais para criminosos e
o desaparecimento de espécies na natureza.
| Foto: Carlos Ravazzani |
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| Papagaio-da-cara-roxa. |
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Cientistas do Plano das Nações Unidas para o Meio
Ambiente calculam que existam entre 10 e 100 milhões de espécies
de seres vivos no planeta. Hoje, somente 1,4 milhão é
conhecido, e 25% estão ameaçados de extinção.
Todo dia, no mundo inteiro, desaparecem quase trezentas espécies
animais e vegetais devido à destruição de seus
habitats. Pensando em preservar a riqueza da maior biodiversidade
do planeta, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ibama
divulgaram, no fim do mês de maio, a nova lista de espécies
da fauna brasileira que estão ameaçadas de extinção.
A relação traz 395 nomes de mamíferos, aves,
répteis, anfíbios, insetos e invertebrados terrestres.
Ficaram de fora os peixes e invertebrados aquáticos (caranguejos,
camarões e lagostas, por exemplo), que deverão aparecer
em uma lista específica a ser lançada ainda neste
ano. Pela nova “lista vermelha”, 8,5% da fauna de vertebrados
do país — estimada em 3.100 espécies, excluindo-se
os peixes — é considerada ameaçada. A última
relação, publicada em 1989, apontava 219 espécies
em extinção.
Ao contrário das edições anteriores, dessa
vez, a lista tem como característica o fomento à preservação
dos habitats e das espécies que neles vivem. Seus objetivos
são orientar programas de recuperação dos animais
ameaçados, trazer propostas para a implementação
de unidades de conservação, diminuir impactos ambientais,
estimular programas de pesquisa e ainda servir como referência
na aplicação da Lei de Crimes Ambientais. Além
da divulgação da lista, foi criado um grupo de técnicos
para definir a periodicidade da publicação e a criação
de uma classificação de graus de ameaça para
as espécies.
Os incluídos e excluídos
| Foto: Carlos Ravazzani |
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| Jacaré-de-papo-amarelo:
conservação da espécie fez com que o animal
fosse retirado da "lista vermelha". |
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Na nova relação, algumas espécies, como o jacaré-de-papo-amarelo
e o gavião-real deixaram de ser incluídas, pois eles já
estão recuperando-se na natureza. Para outras bastante ameaçadas,
o Ibama anunciou a criação de comitês especiais, encarregados
de ações específicas — entre as espécies contempladas,
estão o cervo-do-pantanal, o muriqui, o mutum-de-alagoas e duas subespécies
do macaco Cebus (xanthosternos e robustus) —, além da reestruturação
dos comitês já existentes da arara-azul-de-lear (que chega a ser
vendida por US$ 40 mil no mercado negro) e de mamíferos aquáticos.
A cobra surucucu, que estava na lista antiga, já não
corre risco de extinção e cedeu lugar a outros três
tipos de jararacas. A nova relação traz inúmeros
insetos, como besouros existentes apenas em cavernas.
Outras ações anunciadas em relação
às espécies ameaçadas foram a publicação
de um edital do Programa de Diversidade Biológica e do Fundo
Nacional do Meio Ambiente, em que estão previstos R$ 6 milhões
para ações de recuperação e proteção
das espécies da lista, e a realização de uma
campanha institucional do MMA informando a população
e pedindo colaboração para a conservação
dessas espécies.

[ notícia comentada ] |
Por Patrícia Martinelli
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| Onça-pintada. |
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A divulgação da nova lista de animais ameaçados
de extinção, que cresceu de 219 espécies para
395, provocou vários questionamentos, como: quais são
as causas do aumento do número de espécies ameaçadas?
Por que algumas espécies desapareceram e, hoje, podem ser
encontradas apenas em cativeiro? Até quando espécies
animais podem desaparecer dos ambientes em que vivem?
Inúmeras são as causas do aumento do número
de espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção.
A redução dos habitats é uma das principais.
O Brasil abriga grande diversidade biológica de espécies,
principalmente em dois ecossistemas, a Mata Atlântica e a
Floresta Amazônica, que têm sido devastadas em grande
escala. Da Mata Atlântica, que vai do Rio Grande do Sul ao
Ceará, restam cerca de 8% da coberta original intacta, pois
o restante foi modificado pelo homem por meio de agricultura, queimadas,
extrativismo incorreto, poluição, desmatamento, entre
outros fatores.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
mostram que a Mata Atlântica concentra muitas espécies
endêmicas, ou seja, que só existem lá, e que
ela tem uma biodiversidade maior que a da Amazônia. No entanto,
é na Floresta Amazônica que estão concentradas
cerca de 50% das espécies animais e vegetais de todo o planeta.
Quando uma espécie é extinta, um sistema inteiro fica
comprometido, porque há um ciclo de vida de que muitas espécies
se beneficiam. Se, por exemplo, um pássaro é extinto,
podem desaparecer espécies de plantas que necessitavam dele
para o transporte de pólen ou de sementes.
Além da redução de habitats, outros fatores
comprometem a sobrevivência de espécies, como o tráfico
de animais silvestres e a caça e a pesca predatórias.
O tráfico internacional de animais é planejado e
mantido por milionários, que pagam altas quantias como suborno
para conseguirem espécies raras. Quanto mais rara é
a espécie, maior é o valor dela. Isso faz com que
os poucos exemplares que restam sejam capturados e comercializados
a preço de ouro, reduzindo ainda mais as chances de sua sobrevivência
em cativeiro.
Já o tráfico interno é desenvolvido por pequenos
produtores e pessoas de baixa renda que capturam animais silvestres
e os vendem para caminhoneiros e motoristas de ônibus, que
os levam até possíveis compradores.
Quando a fiscalização encontra esses animais, muitos
já estão mortos, dopados, maltratados e com fome,
sede e frio. De dez animais capturados, somente um sobrevive aos
maus-tratos.
A crescente ocupação humana, a exploração
inadequada do meio ambiente e a falta de conhecimento, dentre outros
fatores, fazem com que o número de espécies ameaçadas
de extinção aumente a cada ano.
A ararinha-azul não pode mais ser vista livre, somente
em cativeiro. Até quando veremos esse desrespeito com as
espécies silvestres? Até quando a lista de animais
ameaçados de extinção vai crescer?
Entre os 395 animais ameaçados de extinção,
estão o pato-mergulhão, a jacutinga, o sabiá-castanho,
o cervo-do-pantanal, o lobo-guará, a jaguatirica e a ariranha.
Felizmente, já saíram da lista espécies como
o jacaré-de-papo-amarelo e o gavião-real. Isso pode
ser um sinal de que podemos salvar muitas espécies da extinção.
O uso sustentável dos ecossistemas — incluindo a prevenção
e o controle de queimadas — e uma intensa fiscalização
para evitar o contrabando de animais, aliados à educação
ambiental, podem ser o primeiro passo para a recuperação
das espécies.
Para ir mais longe
Veja no site do MMA a lista completa dos animais ameaçados
de extinção.
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aqui para ver o site
Em maio deste ano, ocorreu em Los Cabos, México, a reunião
“Desafiando o Fim dos Oceanos”. De lá, saiu a
lista das espécies marinhas mais ameaçadas de extinção
em todo o mundo. Confira.
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A seção Animais Ameaçados de Extinção
explica por que devemos nos preocupar com a extinção
dos animais, o que acontece quando uma espécie se extingue
e de que modo podemos colaborar para que isso não ocorra.
Conheça também algumas das espécies ameaçadas
de extinção em nosso planeta.
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Reportagem sobre a luta pela conservação da baleia,
um dos principais símbolos da preservação da
fauna. Traz também entrevista com a bióloga Marcia
Engel sobre a baleia-jubarte em Abrolhos.
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A Europa já apagou de seu continente a presença de
leões. Na África, esses felinos são encontrados
em grupos cada vez menores. A perda do habitat e a consangüinidade
põem em risco a sobrevivência do rei das selvas.
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