O Universo é uma bola de futebol
14/10/03
por Diogo Dreyer

     
 

Cientistas afirmam que, além de ser finito, o Universo pode ter a forma de uma grande bola de futebol, contrariando a hipótese atual de que ele é infinito e plano.

Crédito: NASA
A sonda WMAP deixa a órbita da Terra. O aparelho está dando nova dimensão às discussões sobre o universo.

Você se lembra daquelas aulas em que o professor contava que, até o fim da Idade Média, acreditava-se que a terra era plana e que, se alguém navegasse muito próximo de sua borda, simplesmente poderia cair para fora do mundo? Bem, respeitadas as devidas proporções, é mais ou menos o que acontece hoje quando se fala nas teorias sobre o tamanho do Universo.

A última delas afirmava que o Universo é plano e infinito e que ainda está expandindo-se. Agora, cientistas franceses, com base em novas observações, sugerem que o Universo é redondo, “remendado” como uma bola de futebol e finito, ou seja, fechado em si mesmo. Para ter um exemplo do que isso significa, imagine que a nave Enterprise, da série Jornada nas Estrelas, realmente existisse. Caso os tripulantes fossem “audaciosamente aonde nenhum homem jamais foi”, quer dizer, atrás do fim do Universo, acabariam chegando novamente ao ponto de onde partiram.

Idéias como essa circulam na Física desde Albert Einstein, que, usando sua Teoria da Relatividade, propôs um modelo de cosmo esférico e fechado.

A hipótese atual surgiu da análise de dados enviados pela sonda WMAP, da Nasa, que "vê" como era o Universo quando ele tinha apenas 380 mil anos. Na pesquisa, que mereceu a capa da respeitada revista científica britânica Nature, os cientistas disseram que os dados da WMAP não são consistentes se for considerada a noção de Universo infinito.

As informações da sonda revelam que o Universo, além de finito, pode ser um dodecaedro esférico composto por gomos pentagonais. A sonda WMAP mede a radiação cósmica de fundo, uma espécie de eco deixado pelo Big Bang (explosão que teria dado origem ao cosmo) na forma de microondas vindas de toda parte. Medindo-se as pequenas variações de intensidade dessa radiação, é possível estimar a densidade do Universo — fator crucial para se definir a natureza de sua geometria.

 


[ notícia comentada ]
Por Júlio Cezar Winkler

E agora? Será que a finitude do Universo vai se tornar o limite para as ambições da humanidade? Ou os cientistas mais uma vez estão enganados, e novas observações vão mostrar que o Universo é infinito?

O fato é que ainda somos extremamente jovens se comparados à pesquisa cosmológica — a Cosmologia estuda o Universo, sua estrutura, início e possíveis fins — e ainda temos muito a aprender. A cada dia, novos equipamentos são criados, levando nossa observação cada vez mais distante. Esse termo “mais distante” também significa para trás no tempo, ou seja, podemos saber como era o Universo quando ele ainda era bastante jovem. Assim, os pesquisadores vão acumulando informações e realizando medições que se “encaixem” nas teorias mais recentes sobre a origem e as dimensões do Universo. Neste instante, as indicações apontam para um Universo finito, rodeado por outra dimensão, que é regida por outras leis físicas, as quais ainda não podemos mensurar. As bordas do Universo seriam como portais que nos levariam novamente ao ponto de partida, o que pode ser um tanto confuso, pois estamos acostumados a uma realidade linear.

A teoria que sugere que o Universo é infinito e está em constante expansão pode ser aceita bem mais facilmente. Se o Universo surgiu de uma explosão inicial e tudo está expandindo-se a partir desse ponto, é fácil imaginar que há espaço somente até onde existe matéria, já que o espaço é uma medida que existe em função da matéria (só podemos medir uma distância entre dois pontos). Assim, o espaço existe até onde ele já se expandiu e, à medida que ele for expandido-se, tanto maior será o Universo; o resto é vazio, ou seja, nada.

Embora esse assunto mexa com as pessoas; por enquanto, é a mais pura abstração imaginar o tamanho do Universo. A solução desse milenar problema deverá ficar a cargo dos futuros pesquisadores. Quem sabe, você poderá ser um deles...

 

Para ir mais longe

Muitas vezes, além de sabermos sobre Física, é necessário conhecermos um pouco de Filosofia para podermos compreender melhor o que os cientistas dizem.
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Conheça a opinião de Marcelo Gleiser — professor de Física Teórica do Dartmouth College, Hanover (EUA), e autor do livro O Fim da Terra e do Céu — sobre o tamanho do Universo.
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Leia a reportagem sobre a participação da brasileira Angélica de Oliveira-Costa na pesquisa sobre o tamanho do Universo. Angélica é formada pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e está atualmente na Universidade da Pensilvânia (EUA).
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