Morreu em Curitiba, no dia 14 de fevereiro, a poetisa Helena Kolody. A autora,
que completaria 92 anos em outubro, publicou mais de 25 livros e era considerada
uma das mais influentes escritoras paranaenses.
O
Brasil perdeu Helena Kolody, considerada uma das vozes mais importantes da história
da literatura do estado do Paraná. A poetisa morreu no Hospital de Caridade
de Curitiba (antiga Santa Casa de Misericórdia) em conseqüência
de uma arritmia cardíaca.
Muitas pessoas estiveram presentes no enterro, desde familiares e amigos até
ex-alunas da época em que Helena lecionava na então Escola Normal
de Curitiba, hoje Instituto de Educação, instituição
à qual dedicou 23 anos de sua vida. Também não faltaram
integrantes da Academia Paranaense de Letras, onde, desde 1991, a autora ocupava
a cadeira de número 28.
Dedicada à arte de escrever de forma sucinta e singela sobre sentimentos
ao mesmo tempo preciosos e corriqueiros da vida, Helena deixa como legado vários
livros de poemas. Hábil com as palavras, ela tinha uma desenvoltura natural
para haicais e tankas — que são pequenos poemas de origem japonesa
—, de versos simples, mas profundo significado.
Além de sua obra, a escritora paranaense, que nasceu na cidade de Cruz
Machado, no sul do estado do Paraná, deixa como lembrança sua
personalidade doce, seu bom humor e sua disposição para ajudar
quem mais necessitava.

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por Luciane Prendin
“Palavras são pássaros,
Voaram!
Não nos pertencem mais.”
(Helena Kolody — “Pássaros Libertos”
— 1985)
Ao contrário do que diz a mensagem da composição “Pássaros
Libertos”, a mulher Helena Kolody se foi, mas a poetisa permanecerá
para sempre entre nós por meio de seus pequenos poemas. Era em suas composições
de haicai (poema japonês constituído somente de três versos,
dos quais dois são pentassílabos, e um heptassílabo) e
tanka (poema japonês com a mesma estrutura do haicai, mas com mais dois
versos heptassílabos) que ela conseguia transpor para as palavras as
imagens captadas em seu dia-a-dia de modo que estas não perdessem sua
magia.
Helena Kolody, que escreveu seu primeiro livro, Paisagem Interior, em 1941,
acabou por retomar em sua obra tanto questões de forma defendidas por
estéticas anteriores — como o Parnasianismo e o Simbolismo —
quanto, em grande medida, o conteúdo idealista e a liberdade do Romantismo.
Mesmo retomando essas tendências, ela nunca abriu mão da inovação:
foi uma das primeiras escritoras a trabalhar com haicai no Brasil.
A poetisa paranaense, que conseguia unir subjetividade e objetividade numa
viagem de versos repletos de significados, não nos deixou somente suas
belas palavras, mas lições de vida, pois elas eram muito mais
que palavras: eram luz e encantamento!
“Minha poesia é serena, mesmo quando ela tem amargura, quando
ela tem dor.”
(Helena Kolody — “Aquarela” — 1993)
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