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Brasil perde Helena Kolody
18/02/04
por Diogo Dreyer

 


Morreu em Curitiba, no dia 14 de fevereiro, a poetisa Helena Kolody. A autora, que completaria 92 anos em outubro, publicou mais de 25 livros e era considerada uma das mais influentes escritoras paranaenses.

O Brasil perdeu Helena Kolody, considerada uma das vozes mais importantes da história da literatura do estado do Paraná. A poetisa morreu no Hospital de Caridade de Curitiba (antiga Santa Casa de Misericórdia) em conseqüência de uma arritmia cardíaca.

Muitas pessoas estiveram presentes no enterro, desde familiares e amigos até ex-alunas da época em que Helena lecionava na então Escola Normal de Curitiba, hoje Instituto de Educação, instituição à qual dedicou 23 anos de sua vida. Também não faltaram integrantes da Academia Paranaense de Letras, onde, desde 1991, a autora ocupava a cadeira de número 28.

Dedicada à arte de escrever de forma sucinta e singela sobre sentimentos ao mesmo tempo preciosos e corriqueiros da vida, Helena deixa como legado vários livros de poemas. Hábil com as palavras, ela tinha uma desenvoltura natural para haicais e tankas — que são pequenos poemas de origem japonesa —, de versos simples, mas profundo significado.

Além de sua obra, a escritora paranaense, que nasceu na cidade de Cruz Machado, no sul do estado do Paraná, deixa como lembrança sua personalidade doce, seu bom humor e sua disposição para ajudar quem mais necessitava.


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 por Luciane Prendin

“Palavras são pássaros,
Voaram!
Não nos pertencem mais.”

(Helena Kolody — “Pássaros Libertos” — 1985)

Ao contrário do que diz a mensagem da composição “Pássaros Libertos”, a mulher Helena Kolody se foi, mas a poetisa permanecerá para sempre entre nós por meio de seus pequenos poemas. Era em suas composições de haicai (poema japonês constituído somente de três versos, dos quais dois são pentassílabos, e um heptassílabo) e tanka (poema japonês com a mesma estrutura do haicai, mas com mais dois versos heptassílabos) que ela conseguia transpor para as palavras as imagens captadas em seu dia-a-dia de modo que estas não perdessem sua magia.

Helena Kolody, que escreveu seu primeiro livro, Paisagem Interior, em 1941, acabou por retomar em sua obra tanto questões de forma defendidas por estéticas anteriores — como o Parnasianismo e o Simbolismo — quanto, em grande medida, o conteúdo idealista e a liberdade do Romantismo. Mesmo retomando essas tendências, ela nunca abriu mão da inovação: foi uma das primeiras escritoras a trabalhar com haicai no Brasil.

A poetisa paranaense, que conseguia unir subjetividade e objetividade numa viagem de versos repletos de significados, não nos deixou somente suas belas palavras, mas lições de vida, pois elas eram muito mais que palavras: eram luz e encantamento!

“Minha poesia é serena, mesmo quando ela tem amargura, quando ela tem dor.”
(Helena Kolody — “Aquarela” — 1993)

 


 
 

 

 
 
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