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O alerta foi dado em uma conferência científica em Brasília:
se o desmatamento e as queimadas continuarem, uma grande parte da Floresta Amazônica
vai se transformar, dentro de meio século, em savana.
| Crédito: LBA |
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| Queimada na Amazônia |
Imagine um passeio de jipe por savanas, no melhor estilo safári: a vegetação
rala e escassa, animais correndo em bando, turistas curiosos, sol a pino. E
tudo isso na... Amazônia!
Pois é. Esse ambiente, típico das savanas africanas, pode ser
o futuro de grande parte da floresta tropical caso as queimadas e o desmatamento
continuem. O alerta foi dado durante a III Conferência Científica
do LBA (sigla, em inglês, para Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera
na Amazônia), que aconteceu no último mês de julho.
O LBA é um projeto internacional que estuda o ecossistema da Amazônia.
Os pesquisadores envolvidos no experimento se reúnem a cada dois anos
para divulgar suas descobertas e debater a melhor maneira de aplicar os resultados
dos estudos na formulação de políticas públicas
voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.
De acordo com os pesquisadores que fazem parte do projeto, o desmatamento e
as queimadas na Amazônia estão modificando o clima e ampliando
o efeito estufa no planeta. As queimadas e o aquecimento global poderão
transformar de 20 a 30% da Floresta Amazônica em savana, em um período
de 50 a 100 anos; ou, sob uma perspectiva ainda mais pessimista, dentro desse
mesmo período, 60% da Amazônia poderá estar transformada
em savana.
O estudo foi feito com base em simulações e uso de modelos matemáticos
e só levou em conta o aquecimento global. De acordo com os dados coletados,
o fogo das queimadas já atingiu uma faixa de cerca de 250 quilômetros
de largura nas “bordas” da Amazônia, que está transformando-se
em uma savana.
| Crédito: LBA |
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| Área queimada |
Os estudos também mostram que as queimadas podem estar relacionadas
às mudanças no regime das chuvas no Sul e Sudeste do país
e podem ocasionar alterações climáticas até mesmo
na Europa. Outro efeito negativo é a “exportação
da fumaça” proveniente da queima da biomassa nas estações
secas (com as queimadas na Amazônia, está aumentando a emissão
de partículas no ar, que têm sido levadas para outras regiões
do planeta, causando efeitos como, por exemplo, a diminuição da
radiação solar).

[ notícia comentada ] |
Por Patrícia Martinelli, especialista do portal em Biologia
A Floresta Amazônica vem sendo alvo de interesses distintos. Madeireiros
e fazendeiros têm agido de forma indiscriminada, retirando madeira para
comercialização ou abrindo grandes clareiras para pastagem. Os
seringueiros fazem associações para definir a melhor forma de
extrativismo na floresta, o qual nem sempre é realizado de modo sustentável.
Pesquisadores tentam avaliar os danos causados até agora pelo homem e
prever o que acontecerá se medidas contra o desmatamento e as queimadas
não forem tomadas imediatamente, pois se trata de problemas que atingem
a maior floresta equatorial contínua do planeta.
| Crédito: Paulo Artaxo |
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| Vista aérea de queimada na Amazônia |
O LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia)
é o maior e mais completo experimento científico sobre a relação
floresta-atmosfera que já foi realizado na região da Amazônia.
No planeta, existe o que conhecemos como ciclo do carbono, que ocorre da seguinte
maneira: seres vivos em decomposição, processos respiratórios
e a queima de matéria orgânica liberam carbono na forma de CO2,
que é reabsorvido pelas plantas por meio da fotossíntese, constituindo
assim um ciclo. No entanto, a queima de combustíveis fósseis e
as queimadas têm liberado muito mais carbono do que as plantas podem absorver.
Essa ação do homem desequilibra o ciclo, pois faz com que haja
muito carbono dissolvido na atmosfera, favorecendo o efeito estufa e o aumento
da temperatura no planeta.
Pesquisadores do LBA colocaram torres dispersas na Amazônia para verificar
o que está acontecendo com o excesso de CO2 existente na natureza e,
assim, descobriram que a Floresta Amazônica retira mais CO2 do que libera;
portanto, poderia estar auxiliando na redução do excesso de CO2
na atmosfera.
Entretanto, as coisas não são tão simples assim: eles
observaram que, em determinadas regiões, está acontecendo um crescimento
exagerado das plantas, pois elas têm mais CO2 disponível (aumentando
o processo fotossintético). Os estudiosos verificaram também que
algumas plantas, como os cipós, estão tendo um crescimento acelerado
em relação a outras espécies; ao passo que algumas vêm
apresentando curto período de vida e estão sendo substituídas
por plantas mais jovens com muita rapidez.
Esses problemas podem afetar a biodiversidade da floresta como um todo, embora
cada parte dela reaja de forma diferente por possuir características
genéticas, fisiológicas e morfológicas diversas. Regiões
já desmatadas, com solos expostos ao sol e temperaturas elevadas, em
decorrência do efeito estufa, poderiam gerar plantas com características
de cerrado, extinguindo assim as espécies típicas da região.
As queimadas e desmatamentos praticados na Amazônia têm efeitos
que se alastram por todo o planeta, podendo gerar um desequilíbrio do
qual ainda não temos conhecimento, pois o que a LBA mostrou na conferência
foram hipóteses baseadas em algumas experiências; ainda não
temos idéia do problema como um todo. Preservar e manter a floresta é
o mínimo que podemos fazer. É um ato de manutenção
da vida no planeta.
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