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  Nova tragédia na Ásia  
  21/07/2006
Por César Munhoz e Guilherme Prendin
Comentários de Josemara Boiko (Geografia), Patrícia Martinelli e Alexandre Loureiro (Biologia).
 

 

Novo tsunami atinge o “Círculo de Fogo”.

 
AFP PHOTO/ROSLAN ARMAN
Resort de Phi Phi, na Tailândia: um dos locais mais atingidos pelos tsunamis que causaram milhares de mortes no sul da Ásia e no leste da África em 2004.

Os dias 26 de dezembro de 2004 e 17 de julho de 2006 ficarão marcados para sempre na memória. Nessas fatídicas datas, o mundo assistiu a duas tragédias de grandes proporções causadas pela devastadora fúria da natureza. Em 2004, um terremoto com intensidade de nove graus na escala Richter provocou um maremoto que atingiu o sul da Ásia, matando milhares de pessoas. Gigantescas ondas de cerca de 10 metros de altura se formaram e invadiram as praias de países como Bangladesh, Índia, Indonésia, Malásia, Maldivas, Mianmar, Sri Lanka, Tanzânia e Tailândia. O epicentro do terremoto estava na costa oeste da ilha de Sumatra, a 1.620 quilômetros da capital da Indonésia, Jacarta.


Naquela ocasião, os efeitos desses tsunamis (nome dado às ondas oceânicas de um tipo especial, geradas por abalos sísmicos e que possuem alto poder destrutivo quando chegam à região costeira) foram sentidos até mesmo em países como a Somália, na África, distante 4.800 quilômetros do local onde se originou o tremor. Segundo agências de notícias internacionais, o fenômeno provocou mais de 140 mil mortes. Os países mais atingidos pela catástrofe foram Tailândia, Sri Lanka, Índia e Indonésia. Este último voltou a sofrer as conseqüências dos tsunamis em 2006. Em 17 de junho, um terremoto de 7,7 graus na escala Richter no leito marinho gerou uma onda de dois metros de altura, que invadiu o sul da ilha de Java. O número de mortes só foi menor dessa vez (a contagem ainda não chegou a mil corpos) porque boa parte dos moradores — ainda traumatizados pela tragédia anterior — sentiu o tremor e fugiu para o interior. O que mais assusta na ocorrência deste ano é que, mesmo depois do terror vivido anteriormente, a área ainda não conta com um sistema de alarme eficiente.

Intensidade

A Indonésia faz parte de uma região conhecida como “Círculo de Fogo”, onde a atividade sísmica é constante. Em 19 de julho (apenas dois dias após o último tsunami), um novo tremor foi sentido a oeste de Java, e a população foi alertada de que pode haver mais um tsunami. Um tremor já havia atingido a ilha em maio deste ano, matando quase 6 mil pessoas. E o terremoto de 2004, de acordo com o Centro de Pesquisa Geológica dos EUA, foi o quinto maior já registrado nos últimos 104 anos e o mais intenso desde o tremor de 9,2 graus na escala Richter que atingiu o estado do Alasca em 1964.

Veja abaixo uma animação que mostra como aconteceu a tragédia daquele ano, a mais destruidora de todas até agora.



Tsunamis na Ásia: a força da natureza

A natureza mais uma vez mostra sua força. Mesmo no século XXI, com todo o avanço tecnológico e científico, ainda não conseguimos prever alguns fenômenos naturais, como terremotos, vendavais e tornados, que normalmente têm curta duração, mas geram grande sofrimento pelas vidas perdidas e os estragos que causam. Os terremotos que provocaram as ondas gigantes, chamadas de tsunamis na Ásia, são exemplos disso.

Em instantes, uma grande quantidade de água oceânica invadiu a costa, pegando inúmeros turistas e moradores de surpresa. Pessoas ainda não localizadas, lamento pelos já encontrados sem vida, limpeza e reconstrução são o desafio para as populações atingidas.

Ainda não estamos acostumados a conviver com a constante transformação da natureza. A acomodação das placas tectônicas já aconteceu no passado, ocorre hoje e provavelmente continuará a existir no futuro, pois o planeta Terra está vivo. Busca-se cada vez mais conhecer a natureza, suas características e funcionamento, mas a previsão de tsunamis e outros fenômenos naturais ainda é um desafio. E essa procura pode ser o diferencial entre a vida e a morte. As ciências voltadas ao conhecimento da Terra, como a Geologia e a Geografia, intensificam as pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias que possam auxiliar nesse sentido. Equipamentos de alta tecnologia e novos estudos já dão uma visão mais aprofundada do nosso planeta, mas há muito para conhecer e compreender, pois somente assim conseguiremos entender a natureza e seus fenômenos e conviver de maneira mais harmoniosa com ela, evitando que mais vidas sejam perdidas e minimizando os prejuízos econômicos.

DigitalGlobe
antes
depois
Imagens da cidade de Kalutara, em Sri Lanka, obtidas por satélite antes e depois da passagem do tsunami.
Clique nas imagens para ampliá-las e observe a força destrutiva desse fenômeno.

Por Josemara Boiko



Epidemias podem fazer mais vítimas na Ásia

Além de todos os problemas que as regiões atingidas pelo maremoto enfrentam, elas correm um alto risco de sofrerem com epidemias de doenças que se desenvolvem onde existe água contaminada. Durante esse tipo de desastre, várias tubulações de esgoto são rompidas, o que dá origem a reservatórios de água parada e contaminada que causam a proliferação de vetores de doenças, como ratos e insetos. E ainda pode ocorrer a contaminação do lençol freático pelos corpos em decomposição que se acumulam sobre terrenos e em valas comuns construídas muitas vezes de forma inadequada.

Dentre as doenças que podem se tornar epidemias nessas condições, estão leptospirose, hepatites A e E, febre tifóide, cólera, dentre outras.
Para diminuir essa ameaça, são necessárias medidas como fornecimento de água potável e de alimentos para evitar a desnutrição, tratamento dos doentes, condições mínimas de higiene e construção de valas comuns adequadas.

Conheça um pouco sobre as doenças que podem surgir na região atingida pelo maremoto:

MALÁRIA
Causador: protozoário do gênero Plasmodium.
Transmissão: ocorre por meio da picada do mosquito Anopheles quando este está contaminado pelo protozoário Plasmodium, através do compartilhamento de seringas contaminadas, de transfusões de sangue e do contato do sangue da mãe com o do filho durante o parto.
Sintomas: variam de acordo com a espécie de Plasmodium pelo qual a pessoa foi contaminada, mas geralmente são febre, dores de cabeça e musculares, aumento do baço, vômitos, perturbações mentais em alguns casos, dentre outros.
Prevenção: medidas de combate ao inseto transmissor da doença e tratamento dos enfermos.

LEPTOSPIROSE
Causador: bactéria Leptospira interrogans.
Transmissão: é uma zoonose transmitida principalmente pela urina de ratos. A bactéria se reproduz na água e em solos úmidos e penetra na pele e nas mucosas dos seres humanos quando estes entram em contato com a água ou com a lama das enchentes.
Sintomas: febre, náuseas, diarréia, dores musculares e de cabeça (muito parecidos com os da dengue). A infecção se torna grave quando atinge os rins, o fígado e o baço, podendo ser fatal em alguns casos.
Prevenção: evitar ter contato com água e lama contaminadas e nunca consumir água ou alimentos que tiveram contato com a enchente. Medidas de combate aos ratos e prevenção contra as inundações também são eficazes.

HEPATITES A e E
Causador: infecção hepática causada pelo vírus da hepatite.
Transmissão: água e alimentos contaminados ou de uma pessoa para outra.
Sintomas: febre, pele e olhos amarelados, náusea e vômitos, mal-estar, dores abdominais, falta de apetite, urina escura e fezes esbranquiçadas.
Prevenção: saneamento básico adequado, tratamento da água para consumo humano e ingestão somente de alimentos bem lavados ou cozidos.

FEBRE TIFÓIDE
Causador: bactéria Salmonella typhi.
Transmissão: por meio de água e alimentos contaminados ou contato com pessoas doentes. Doença exclusiva dos seres humanos, cuja única porta de entrada é o sistema digestório.
Sintomas: febre, dor de cabeça, cansaço, sono agitado, náusea, vômito, sangramentos nasais, diarréia. Se não tratada, pode levar à morte por hemorragia intestinal.
Prevenção: saneamento básico adequado, tratamento da água para consumo, não acumular lixo e manter as pessoas doentes em isolamento.

CÓLERA
Causador: bactéria Vibrio cholerae.
Transmissão: água e alimentos contaminados.
Sintomas: a bactéria libera uma toxina que causa intensa diarréia.
Prevenção: saneamento básico com tratamento adequado da água e do esgoto.

DENGUE
Causador: vírus da dengue dos tipos 1, 2, 3 e 4.
Transmissão: por meio da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti.
Sintomas: febre alta, fortes dores musculares, nas articulações e de cabeça. Manchas vermelhas no corpo, inchaço, podendo haver sangramentos. A forma hemorrágica é a mais grave e pode ser fatal.
Prevenção: combate ao mosquito transmissor interrompendo seu ciclo de vida. Evitar manter locais com água parada, que é onde a fêmea coloca seus ovos.

Por Patrícia Martinelli e Alexandre Loureiro

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