Quanto vale a biodiversidade do Brasil?
03/06/2005
Por Gizáh Szewczak

     
 

O reconhecimento do valor da biodiversidade brasileira deve mudar a forma como são tratadas nossas riquezas naturais.

O maior patrimônio natural do nosso país conserva sozinho cerca de 25% da variedade biológica do mundo. Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fizeram um levantamento e calcularam que a nossa biodiversidade vale aproximadamente R$ 4 trilhões.

Esses estudos mostraram a necessidade e a grande importância da valorização dos recursos naturais e têm como objetivo facilitar o trabalho diário de preservação ambiental e reforçar o peso econômico do patrimônio natural do país. Essa pesquisa é realizada de forma conjunta entre o Ibama, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e centros de pesquisas de algumas universidades brasileiras.

Crédito: Renata Sousa
O Parque Nacional do Superagüi abriga espécies da fauna silvestre ameaçada de extinção como o papagaio-de-cara-roxa.

Segundo os pesquisadores, os primeiros levantamentos, que foram feitos nos Parques Nacionais do Iguaçu e Superagüi, ambos no Paraná, constataram que a valorização está bem abaixo da esperada, mas a escolha desses dois locais para o início do projeto tem justificativa. O Parque do Iguaçu possui uma das maiores biodiversidades do planeta, e o Parque do Superagüi faz parte do Complexo Estuarino Lagunar, que é um dos mais valiosos ecossistemas costeiros do mundo. Por causa do difícil acesso, o Parque do Superagüi tem uma vantagem sobre o Parque do Iguaçu: a preservação.

Os estudos mostraram que essas áreas, se forem reconhecidas, poderão proporcionar ao país benefícios ecológicos bastante altos. E esse ganho ficaria bem acima dos gastos do governo com conservação, preservação e manutenção.

Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Zona Costeira, Manguezais e Campos do Sul — além dos Parques Nacionais — também serão pesquisados para que sejam feitos novos levantamentos que ajudem a mudar a lógica da expansão econômica e a forma como são tratados os inúmeros recursos naturais de nosso país.


Fauna, flora e o desenvolvimento sustentável da Amazônia

por Patrícia Martinelli

Você consegue imaginar quantas espécies da fauna e da flora podem existir na maior floresta tropical do planeta?

A Amazônia é uma floresta tropical, e estima-se que tenha cerca de 25% da biodiversidade existente no planeta.

Segundo o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), existem aproximadamente 200 espécies de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300 de pássaros e 300 de mamíferos; totalizando mais de 2 milhões de espécies. Muitas plantas da região ainda não foram catalogadas e identificadas, o que leva os pesquisadores a acreditarem que o número de plantas pode ser muito maior que o contabilizado em alguns hectares.

A Floresta Amazônica é muito grande e tem uma área de aproximadamente 5,2 milhões de km², o que corresponde a 61% do território nacional. Na floresta, há muitos microclimas, que definem temperaturas e umidades diferenciadas e interferem diretamente no tipo de vegetação. Dessa forma, determinadas espécies vegetais são endêmicas e, se a área em que vivem for queimada ou desmatada, isso pode representar o fim de uma delas. É o que está acontecendo em grande escala na Mata Atlântica, que é uma floresta de porte menor que a Amazônica.

 
A biodiversidade da Amazônia também está bem representada nos peixes e organismos de água doce.   Os pássaros são polinizadores, dispersam sementes e auxiliam na manutenção das plantas.

A floresta preservada é fonte de renda para muitas pessoas: da seringueira, retira-se o látex, matéria-prima para a fabricação de borracha; o camu-camu é um fruto avermelhado e pequeno, rico em vitamina C e utilizado na fabricação de sorvetes e sucos; o óleo da andiroba é também um excelente repelente para insetos, que já foi testado para espantar até mesmo o mosquito da dengue. Algumas plantas da Amazônia possuem princípios ativos que podem ser empregados na cura de doenças e são, há anos, utilizadas pelos indígenas, caboclos e ribeirinhos.

A prática de um extrativismo planejado pode trazer muitos benefícios para o Brasil e para o mundo, pois a preservação das espécies é importante para todos.

A importância da floresta no processo conhecido como “seqüestro de carbono”

Para entender a absorção e liberação de carbono, é importante saber que a fotossíntese se dá de maneira inversa à respiração, ou seja:

No esquema simplificado da fotossíntese, pode-se observar que as plantas retiram o CO2 do ar e o convertem em elementos orgânicos. Ao invertermos a fórmula descrita acima, temos o processo respiratório, que queima os produtos orgânicos produzidos na fotossíntese e libera o CO2.

Experimentos preliminares mostram que a Floresta Amazônica utiliza mais carbono no processo fotossintético do que libera por meio da respiração, sendo um sumidouro de carbono. Dessa forma, a floresta poderia estar atuando na redução do efeito estufa, que faz elevarem-se as temperaturas do planeta pelo excesso de carbono na atmosfera — ocasionado pelas queimadas, consumo de combustíveis fósseis, etc.

A manutenção da Floresta Amazônica proporciona um equilíbrio climático para todo o planeta, pois ela auxilia na absorção de carbono. Destruí-la seria destruir a própria casa e comprometer o planeta como um todo.

 
     
 

Para ir mais longe

Página que mostra a beleza e a diversidade encontradas no Parque Nacional do Iguaçu.
Clique aqui para saber mais

 
     
 
[ Leia outras notícias comentadas ]