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O reconhecimento do valor da biodiversidade brasileira deve mudar a forma como são tratadas nossas riquezas naturais.
O maior patrimônio natural do nosso país conserva sozinho cerca
de 25% da variedade biológica do mundo. Técnicos do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
fizeram um levantamento e calcularam que a nossa biodiversidade vale aproximadamente
R$ 4 trilhões.
Esses estudos mostraram a necessidade e a grande importância da valorização
dos recursos naturais e têm como objetivo facilitar o trabalho diário
de preservação ambiental e reforçar o peso econômico
do patrimônio natural do país. Essa pesquisa é realizada
de forma conjunta entre o Ibama, o Ministério do Meio Ambiente (MMA),
o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e centros de pesquisas
de algumas universidades brasileiras.
| Crédito: Renata
Sousa |
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| O Parque Nacional do Superagüi
abriga espécies da fauna silvestre ameaçada de extinção
como o papagaio-de-cara-roxa. |
Segundo os pesquisadores, os primeiros levantamentos, que foram feitos nos
Parques Nacionais do Iguaçu e Superagüi, ambos no Paraná,
constataram que a valorização está bem abaixo da esperada,
mas a escolha desses dois locais para o início do projeto tem justificativa.
O Parque do Iguaçu possui uma das maiores biodiversidades do planeta,
e o Parque do Superagüi faz parte do Complexo Estuarino Lagunar, que é
um dos mais valiosos ecossistemas costeiros do mundo. Por causa do difícil
acesso, o Parque do Superagüi tem uma vantagem sobre o Parque do Iguaçu:
a preservação.
Os estudos mostraram que essas áreas, se forem reconhecidas, poderão
proporcionar ao país benefícios ecológicos bastante altos.
E esse ganho ficaria bem acima dos gastos do governo com conservação,
preservação e manutenção.
Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Zona Costeira, Manguezais
e Campos do Sul — além dos Parques Nacionais — também
serão pesquisados para que sejam feitos novos levantamentos que ajudem
a mudar a lógica da expansão econômica e a forma como são
tratados os inúmeros recursos naturais de nosso país.

Fauna, flora e o desenvolvimento sustentável da Amazônia |
por Patrícia Martinelli
Você consegue imaginar quantas espécies da fauna e da flora podem
existir na maior floresta tropical do planeta?
A Amazônia é uma floresta tropical, e estima-se que tenha cerca
de 25% da biodiversidade existente no planeta.
Segundo o Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), existem aproximadamente
200 espécies de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300
de pássaros e 300 de mamíferos; totalizando mais de 2 milhões
de espécies. Muitas plantas da região ainda não foram catalogadas
e identificadas, o que leva os pesquisadores a acreditarem que o número
de plantas pode ser muito maior que o contabilizado em alguns hectares.
A Floresta Amazônica é muito grande e tem uma área de
aproximadamente 5,2 milhões de km², o que corresponde a 61% do território
nacional. Na floresta, há muitos microclimas, que definem temperaturas
e umidades diferenciadas e interferem diretamente no tipo de vegetação.
Dessa forma, determinadas espécies vegetais são endêmicas
e, se a área em que vivem for queimada ou desmatada, isso pode representar
o fim de uma delas. É o que está acontecendo em grande escala
na Mata Atlântica, que é uma floresta de porte menor que a Amazônica.
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| A
biodiversidade da Amazônia também está bem representada
nos peixes e organismos de água doce. |
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Os
pássaros são polinizadores, dispersam sementes e auxiliam
na manutenção das plantas. |
A floresta preservada é fonte de renda para muitas pessoas: da seringueira,
retira-se o látex, matéria-prima para a fabricação
de borracha; o camu-camu é um fruto avermelhado e pequeno, rico em vitamina
C e utilizado na fabricação de sorvetes e sucos; o óleo
da andiroba é também um excelente repelente para insetos, que
já foi testado para espantar até mesmo o mosquito da dengue. Algumas
plantas da Amazônia possuem princípios ativos que podem ser empregados
na cura de doenças e são, há anos, utilizadas pelos indígenas,
caboclos e ribeirinhos.
A prática de um extrativismo planejado pode trazer muitos benefícios
para o Brasil e para o mundo, pois a preservação das espécies
é importante para todos.
A importância da floresta no processo conhecido como “seqüestro
de carbono”
Para entender a absorção e liberação de carbono,
é importante saber que a fotossíntese se dá de maneira
inversa à respiração, ou seja:

No esquema simplificado da fotossíntese, pode-se observar que as plantas
retiram o CO2 do ar e o convertem em elementos
orgânicos. Ao invertermos a fórmula descrita acima, temos o processo
respiratório, que queima os produtos orgânicos produzidos na fotossíntese
e libera o CO2.
Experimentos preliminares mostram que a Floresta Amazônica utiliza mais
carbono no processo fotossintético do que libera por meio da respiração,
sendo um sumidouro de carbono. Dessa forma, a floresta poderia estar atuando
na redução do efeito estufa, que faz elevarem-se as temperaturas
do planeta pelo excesso de carbono na atmosfera — ocasionado pelas queimadas,
consumo de combustíveis fósseis, etc.
A manutenção da Floresta Amazônica proporciona um equilíbrio
climático para todo o planeta, pois ela auxilia na absorção
de carbono. Destruí-la seria destruir a própria casa e comprometer
o planeta como um todo.
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