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20/07/2012 - Mestrado a distância ainda é incomum no Brasil

Longas discussões em salas de aula sempre foram marcas da pós-graduação. Com bibliografia extensa e inúmeros compromissos acadêmicos, quem frequenta a universidade em busca do título de mestre ou doutor sabe que as exigências são grandes e que a dedicação deve ser constante. Mas, seguindo a tendência dos cursos de graduação, em que alunos têm flexibilidade na realização de tarefas, o ensino a distância pode ser alternativa também no mestrado - com promessa de bons resultados.

O grande segredo parece estar no equilíbrio entre práticas dentro e fora da sala de aula. Para o mestre em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis Adriano Vargas Freitas, a educação a distância se apresenta como possibilidade para que professores conheçam outras ferramentas pedagógicas. "É interessante utilizar a internet e o computador para que os profissionais compreendam que também são produtores de conteúdo. O mestrado deve ser um ambiente propício para que se vivencie algo que seja possível levar para a sala de aula", diz.

O formato ainda não é comum no Brasil. O Profmat, voltado à especialização de professores de matemática, é o único mestrado brasileiro recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que atualmente se enquadra na modalidade semipresencial. Com encontros semanais de três horas nos polos autorizados, divide-se também em aulas presenciais, que ocorrem durante os meses de férias escolares. Para Freitas, especialista em Ensino de Matemática, a utilização de outras plataformas é decisiva na formação de professores de todas as áreas. "Muitos acham que trabalhar com matemática é estar frente a verdades incontestáveis, e por isso têm dificuldade em aceitar a proposta de formação continuada. O ensino a distância faz com que o mestrando se depare com novas ferramentas e assuma o papel efetivo de pesquisador, de agente da descoberta e construção do conhecimento. É isso que se quer", destaca.

Criado no final de 2010, o Profmat deu início a suas atividades no primeiro semestre de 2011. Atualmente, está ligado à formação de 2,5 mil professores da rede pública, todos com bolsa da Capes. Segundo a instituição, participam do programa 59 instituições de ensino superior nas cinco regiões, em um total de 74 polos presenciais.

Para o pedagogo, escritor e doutorando em Educação Hamilton Werneck, o ensino a distância também na pós-graduação pode dar certo, contanto que esteja embasado em boa infraestrutura. "Em princípio, não deveria existir sala de aula e, sim, orientação de estudos e pesquisa. Os professores é que desejam reduzir os mestrandos a alunos de graduação, infantilizando-os e impedindo que tenham asas livres para buscar mais conhecimento. Só aceitam aqueles que trilham os caminhos apresentados", opina. Para o especialista, as poucas vagas e a constante exigência de dedicação em tempo integral são, atualmente, os grandes problemas da pós-graduação brasileira. "A questão presencial defendida como a melhor reflete uma época em que as comunicações não ofereciam as ferramentas que oferecem hoje. É uma questão de estar ou não atualizado. Se os mestrandos tiverem responsabilidade, terão êxito no curso e, talvez, seja este o modo de quebrar o monopólio, típica reserva de mercado que os catedráticos das universidades públicas de ensino superior sempre mantiveram através de oferta de poucas vagas, exigência de presença até integral", critica.

Os debates em sala de aula, na opinião de Werneck, não são o cerne do mestrado. "O que um mestrando necessita é de orientação bibliográfica, debate com seu orientador sobre as pesquisas feitas e apoio em caso de elaboração de textos científicos. Basicamente, o mestrando não necessita de aulas. Necessita, sim, de tempo de estudo e de pesquisa", afirma.

Atualmente, a Capes avalia outra proposta de mestrado semipresencial. Para Freitas, coautor do livro "Com giz e laptop - Da concepção à integração de políticas públicas de informática", a disseminação do formato é uma tendência. "Aqui no Brasil, a pós-graduação ainda é recente, estamos apenas engatinhando nessa área. Mas há um crescimento perceptível, e que a tendência é termos cada vez mais cursos para melhorar profissionais. Temos cada vez mais estudos que apontam que a transformação da escola passa pelo docente qualificado, que percebe seu dever de produzir conhecimento, E, para isso, o espaço acadêmico é essencial", diz.

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Fonte: Cartola Agência de Conteúdo / Terra Educação
 

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