Meu Professor Inesquecível
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Ruy Castro

Ruy Castro"Lamento dizer que não tive nenhum professor fundamental, porque, principalmente na época da faculdade, grande parte dos bons professores já tinha sido afastada por motivos políticos. Mas eu tive 'professores' na vida real que foram muito importantes. Um deles foi o José Lino Grünewald, um crítico de cinema do Rio que morreu no ano passado. Ele foi profundamente importante para mim, não só pelo que escrevia, mas também depois, quando nos tornamos amigos. Me admitiu em sua casa e, durante os trinta anos seguintes, aprendi muito com ele. Outro com quem aprendi muito foi o Paulo Francis, que foi o meu primeiro editor. Convivi profundamente com ele até a sua morte. Em cada conversa - descontraída, meio moleque - a gente ria muito junto, mas era sempre um ensinamento."


Biografia

Ruy Castro é jornalista, tradutor e escritor. Em mais de 30 anos trabalhando como repórter, já integrou as redações de Pasquim, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Veja São Paulo, IstoÉ, Playboy, Status e Manchete, sobretudo nas seções culturais. Em seu depoimento, lembra de seu primeiro emprego, em 1967, no jornal Correio da Manhã, onde conviveu com Paulo Francis.

Como tradutor, transpôs para o português dois clássicos: Frankenstein, de Mary Shelley, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Iniciou sua carreira de escritor com a publicação do primeiro volume de uma trilogia de livros sobre a irritação, o aborrecimento e a destemperança, O Melhor do Mau Humor (1989), seguido de O Amor de Mau Humor (1991) e O Poder de Mau Humor (1993).

Como biógrafo, uniu o estilo de narrador refinado a seu talento para decifrar a alma de personalidades ilustres lançando livros como Chega de Saudade - A História e as Histórias da Bossa Nova (1990), O Anjo Pornográfico - A Vida de Nelson Rodrigues (1992), Saudades do Século XX (1994), Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha (1995) e, Ela é Carioca - Uma Enciclopédia de Ipanema (1999). Todos os livros foram editados pela Companhia das Letras, que coordena o relançamento da obra não teatral de Nelson Rodrigues.

Fez sua estréia como ficcionista com o romance policial Bilac Vê Estrelas. O título faz referência ao trecho em que Olavo Bilac, Príncipe dos Poetas leva uma cassetada na cabeça e, ainda zonzo, sonha estar no Parnaso onde vê "sentado num trono, com uma lira nas mãos, o jovem alto, belíssimo, de serena fisionomia", que é Apolo.