Meu Professor Inesquecível
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Paulo Henrique Amorim em Meu professor Inesquecível


"O meu professor inesquecível foi um professor de História chamado Manuel Maurício de Albuquerque, também conhecido como 'China'. O professor Manuel Maurício tinha evidentemente, para merecer o apelido, os olhos meio puxados, embora fosse pernambucano. Não tinha nada de chinês. Ele fumava ininterruptamente, dava aula fumando e equilibrava o giz e o apagador com a mesma mão com que administrava o cigarro. Me lembro dele com uma profunda emoção, me sensibilizo até hoje.

Eu fui aluno dele no curso ginasial, no curso clássico e depois na faculdade. Eu comecei a estudar com ele História das Américas e me lembro muito bem que ele nos ajudou a colocar o Brasil em perspectiva, dentro da visão do mundo ibérico, com os vizinhos de língua espanhola, nos mostrou a história fantástica de Bolívar e nos falava de Thomas Jefferson. Isso foi no segundo ano ginasial. Depois, no curso clássico, ele dava aula de História do Brasil, e me lembro dele nos falando de história colonial e nos fazendo ler Capistrano de Abreu.

Mas o meu melhor momento de convivência com o professor Manuel Maurício foi quando entrei na universidade, na PUC, para estudar Sociologia. Ele nos deu aula de história e nos levou a ler Gilberto Freyre. Fizemos uma leitura monitorada por ele, guiada por ele, de Casa-Grande e Senzala. Acho que é um patrimônio que carrego comigo até hoje.

Além disso, o professor Maurício nos orientou. Eu estudava no Colégio Aplicação, no Rio de Janeiro, onde fiz o ginásio e o clássico. O professor Manuel Maurício foi o nosso guia numa excursão que fizemos a Ouro Preto e a todo o barroco de Minas. Fomos a Congonhas, Mariana, Tiradentes, Ouro Preto, passamos duas semanas inesquecíveis. Eram 40 garotos e garotas de ginásio e foi uma farra monumental. Visitávamos aquelas igrejas, acompanhávamos o Aleijadinho, Congonhas do Campo e tudo aquilo sob os olhos quase que cúmplices do professor Manuel Maurício, que também era um profundo conhecedor da história do barroco mineiro. Além de outras virtudes, conhecia a história do barroco mineiro muito bem e isso também é um patrimônio cultural que eu carrego comigo e devo a esse grande professor, Manuel Maurício de Albuquerque."