Meu Professor Inesquecível
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Marcelo Madureira em Meu professor Inesquecível


“Eu tive muitos professores e professoras que me ‘marcaram’ muito, porque, na minha época, ainda se batia muito na escola, puxava-se orelha, ajoelhava-se no milho, essas coisas. Naquela época, era pedagogia moderna.

Eu acho que a coisa mais útil que eu aprendi na escola foi a ler e escrever, que é a base de tudo, e a fazer contas, as quatro contas aritméticas. Na minha época, não era matemática, era aritmética.

Eu estava tentando me lembrar da professora que me ensinou a ler e a escrever... Na verdade, quando eu entrei na escola, eu já sabia ler e escrever porque a minha mãe também é professora. Coitada, era outra sofredora.

Uma professora que me marcou muito foi, já no Segundo Grau, uma professora de literatura brasileira e língua portuguesa, a professor Emília, que conseguia incutir no aluno um grande prazer não só pela leitura, mas em admirar a qualidade da prosa e da poesia em língua portuguesa. Através dela, eu descobri aquele que é, para mim, o maior autor em língua portuguesa — apesar de não ser brasileiro —, Eça de Queirós.

Bom, eu fico emocionado de lembrar da professora Emília. Ela era uma pessoa de muito bom humor, era sarcástica, contava muitas piadas e foi uma das primeiras pessoas que começou a apreciar as babaquices que eu falava, começou a ver ali algum rasgo de inteligência. Então, ela tem uma certa culpa por eu ter virado o que eu sou hoje. Qualquer reclamação, vocês podem falar com ela. Espero que ela esteja viva e gozando de perfeita saúde. Senão, coitada, que Deus a perdoe. Faz um pouco de tempo já.

Outra professora que eu não poderia deixar de lembrar é a Dona Célia, professora do Grupo Escolar Rosa Saporski, onde eu estudei aqui [em Curitiba/PR], que me apresentou a Monteiro Lobato, essencial à formação de toda criança. Monteiro Lobato foi o grande responsável por eu me aproximar dos livros. E eu acho que fora dos livros não existe salvação.

Então, vocês estudem, parem de matar aula, deixem de ser vagabundos e procurem dar valor aos bons professores que vocês têm. Mas os professores ruins, tem mais é que sacanear mesmo. Eu tinha uma professora de sociologia e, na aula dela, a gente fazia uma bagunça danada. Coitada, a gente fazia bagunça o tempo todo. Um dia, ela estava escrevendo no quadro-negro e a gente começou a tacar giz e papel nela. Ela virou para a gente chorando: ‘Olha, parem de jogar papel em mim, parem de jogar coisas em mim. Eu não estou aqui porque eu quero, eu estou aqui porque eu preciso, eu preciso desse dinheiro, eu dou aula porque eu preciso desse dinheiro.’ E virou para o quadro e continuou escrevendo. Então, a gente começou a tacar moedinhas para melhorar a renda dela. Ela desistiu da nossa turma. Foi uma professora inesquecível (risos).”

 

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