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Ziraldo
em Meu professor Inesquecível

A história é a seguinte:
eu acho que eu tive uma boa quantidade de professores
inesquecíveis. A minha primeira professora
foi fantástica. Chamava-se Dona Cat, de
Catarina. Era uma menina de 16 anos, e a gente
chamava ela de Dona Cat. Ela era libertária,
porque, na verdade, era uma criança. Ela
queria era se divertir na sala de aula, e a gente
se divertia com ela. A gente lia muito, aprendeu
a ler com muita facilidade porque ela gostava
muito de ler e nós todos da escola também
aprendemos a gostar.
Na minha época, a Helena Antipof veio pra
Minas Gerais. Ela é uma discípula
do Claparède e veio fazer uma reforma no
ensino. Ela usou uma coisa que as escolas, o Ministério
de hoje, não se lembra, que são
os monitores, para monitorar as propostas novas
de ensino. Quer dizer, em vez de mandar folheto,
mandar bilhete, mandar filme, mandava tudo isso,
mas mandava também uma professora para
aplicar tudo, para ensinar, para renovar o ensino
de cada pequena cidade.
Lá em Caratinga (MG), foi uma moça
chamada Dona Glorinha dÁvila, uma
mulher maravilhosa também, que foi fundamental
na mudança de estrutura do ensino da minha
cidade e que acabou sendo expulsa de lá
todas as duas porque eram muito
revolucionárias para o conservadorismo
de Minas naquela época.
Depois foi o ginásio e vieram os professores.
Aí tem um garoto também na casa
dos vinte e poucos anos... E a gente se lembra
deles com uma alegria muito grande. O professor
marca muito a vida da gente, sabe? É mais
fácil nomear quem você esqueceu do
que os que você não esquece nunca.
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