Quando
eu vi você
Tive uma idéia brilhante
Foi como se eu olhasse
De dentro de um diamante
E meu olho ganhasse
Mil faces num só instante. Paulo Leminsky
Acreditando na necessidade das crianças estarem em contato
desde muito cedo com o texto literário, com a produção
cultural de nossa sociedade e de outras é que pensamos em desenvolver
um trabalho de língua, tendo como eixo a linguagem poética
contida nos poemas parlendas e quadrinhas.
A literatura é portadora de uma linguagem carregada de significados,
permitindo releituras e oferecendo novas visões para os leitores.
É certo que cada um lê de acordo com seu conhecimento
de mundo. Como diz Leonardo Boff “cada um lê com os olhos
que têm ... e interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo ponto de vista é a vista de um ponto.”
Precisamos resgatar o ouvir poético, a poesia do texto, o encantamento
da palavra visando o despertar da sensibilidade das crianças
envolvendo-as numa comunidade de leitura prazerosa.
A escola deve oferecer aos alunos um espaço onde esteja presente
uma linguagem carregada de magia possibilitando uma relação
entre o pensar e o sentir, uma relação mais sedutora
com a palavra, com a poesia. Roland Barthes nos fala da escritura
em seu aspecto de imagens que sugerem formas, cores e significados,
onde as palavras não são mais concebidas ilusoriamente
como simples instrumentos, são lançadas como projeções,
explosões, vibrações, maquinarias sabores: a
escritura faz do saber uma festa.
A qualidade dos textos é fundamental Fany Abramovich fala que
a poesia para crianças, assim como a prosa poética,
tem que ser, antes de tudo muito boa, de primeiríssima qualidade!
Bela, movente, prazerosa, cutucante, surpreendente, bem escrita...
Selecionaremos textos de poetas modernos e contemporâneos levando
em conta a qualidade a ludicidade verbal, sonora e musical. Poetas
que brincam com as palavras tornando-as sedutoras. A beleza da imagem
deve misturar-se à cadência ao ritmo das palavras.
A familiaridade com textos poéticos de forma divertida e significativa
leva a criança a perceber o encanto da poesia.
Para José Paulo Paes a poesia não é mais do que
uma brincadeira com as palavras. Nessa brincadeira, cada palavra pode
e deve significar mais de uma coisa ao mesmo tempo. O tracadilho e
a leveza das imagens de Sidônio Muralha é um bom exemplo:
E
tudo há
havia,
e tudo o que havia
há,
que se chamasse alegria
que se chamasse poesia
só sabia o sabiá
Ouçam como ele assobia
assobia
o sabiá.
O educador deve instrumentalizar as crianças para que cada
uma construa o seu próprio percurso, ir se transformando
leitor.
É fundamental que o professor seja apaixonado pela poesia
para que possa transmitir paixão e desejo para as crianças,
seduzi-las poeticamente.
A linguagem poética é essencial no âmbito escolar
a serviço do desenvolvimento da criança. O pensar
e o sentir devem ser valorizados, percebidos em toda sua dimensão. |