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E a culpa é de quem?
Após os atentados, explodiu mundo afora o preconceito contra os povos muçulmanos, mesmo tendo sua maioria se declarado contra esse tipo de ação terrorista e mostrado solidariedade aos EUA. Entenda um pouco mais o ódio que os fundamentalistas nutrem contra o capitalismo exemplificado no modo de vida americano.


Foto por Jim Mikowski
Marco Zero do atentado no dia 12 de setembro de 2001.
Após a queda do socialismo soviético, os EUA se tornaram hegemônicos no mundo. Mas os problemas que a universalização do capital apregoava não sumiram com o muro de Berlim. Na verdade, a globalização que se seguiu apenas expôs feridas ainda mais profundas. Esperava-se que os EUA, por serem hegemônicos, policiassem a ascensão dos países pobres e se tornassem juízes neutros dos conflitos ao redor do planeta.

Mas muitos estudiosos apontam como umas das causas dos ataques de 11 de setembro o fato de os EUA terem seguido exatamente o caminho inverso: posaram como vencedores da Guerra Fria, mas continuaram a ditar políticas que favoreciam apenas a eles — como a não-assinatura do Protocolo de Kyoto —, além de sempre tomarem partido nos conflitos — como na questão dos israelenses e dos palestinos. Ou seja, ainda agiam como se estivessem num mundo bipolar.

Mas o professor Sampaio não aposta inteiramente nessa versão como gatilho para os ataques do ano passado. “Ao meu modo de ver, não foram os EUA que deflagraram essa reação. Pelo menos não no sentido consciente. O problema é o que eles representam para o resto do mundo”, explica o professor. Ele conta que, depois do ressurgimento dos países árabes na década de 20, houve o renascimento do Islã, e com ele, a volta da religião muçulmana, que, na essência, combate o materialismo e prega ferrenhamente os valores espirituais. “Depois de se voltarem contra a ex-URSS, o que culminou na guerra do Afeganistão, os fundamentalistas que governam esses países se voltaram contra os EUA”.

Sampaio diz que a própria posição geográfica desses países impede que eles tenham uma revolução industrial e possam se inserir na visão capitalista do mundo, já que, em sua maioria, estão cercados de deserto. “Os fundamentalistas islâmicos pregam ainda uma volta ao sistema tribal, o que traz a volta de regras culturais arcaicas, como por exemplo, a posição da mulher na sociedade. Elas ficam estagnadas sem poder nem mesmo terem acesso à escolarização. Impedidas de trabalhar, perde-se 50% da força de trabalho nos países islâmicos”.

Mesmo assim, explica Sampaio, eles têm o desejo e sonhos materialistas, o que é reforçado pela propaganda e marketing americanos. Daí a responsabilidade não consciente dos EUA nos atentados.

 
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