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O exercício da cidadania

As sugestões para quem quer garantir os direitos que estão previstos na lei e começar a ver mudanças na sociedade são ações como ter contato com a Constituição brasileira, conhecer os problemas da comunidade onde vive e, principalmente, participar dos espaços públicos. O cientista político Fernando Luiz Abrucio dá algumas dicas práticas: "O jovem pode começar participando, por exemplo, na gestão da sua escola, a pensar como seu bairro e sua cidade são organizados e participar dos vários espaços públicos que há na cidade".

A presidente da UNE complementa afirmando que é interessante se mobilizar e lutar por questões específicas que interferem diretamente no dia a dia, pois "é preciso se engajar de forma coletiva nas transformações que queremos ver implementadas, pois, sozinho, nenhum de nós consegue transformar a realidade. É por isso que espaços coletivos são importantes para o jovem 'se encontrar'".

A orientação de Lúcia vai mais além. Ela recomenda colaborar ou até mesmo fazer parte de ONGs (Organizações Não Governamentais), movimentos sociais e estudantis e filiar-se a partido político. "Hoje há um cenário muito favorável para a participação política dos jovens, pois existem muitos movimentos que permitem à juventude interferir de forma mais direta, inclusive no processo eleitoral, ao se candidatar a um cargo para buscar uma política diferenciada e renovada no poder executivo."

Abrucio acredita que se cada cidadão fizer isso, com a somatória das participações em vários espaços públicos, a tendência é que a Constituição se mova positivamente. "Caso contrário, ela fica parada e, dessa forma, não é usada."

Sem dúvida, a Constituição foi um marco fundamental do período pós-ditadura (1985), mas muitos de nossos problemas ainda não foram resolvidos já que ela não é perfeita e é preciso participação política para vê-la em prática. Porém, como afirma o historiador José Murilo de Carvalho: "A frágil democracia brasileira precisa de tempo. Quanto mais tempo ela sobreviver, maior será a probabilidade de fazer as correções necessárias nos mecanismos políticos e de se consolidar. Sua consolidação nos países que são hoje considerados democráticos, incluindo a Inglaterra, exigiu um aprendizado de séculos." (CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. p. 224)

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