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O Brasil e o sétimo objetivo:
Garantir a sustentabilidade ambiental

O sétimo objetivo recomenda que os países encontrem formas de manter sua economia bem desenvolvida que não prejudiquem o meio ambiente. É uma tarefa difícil e complexa e, por isso mesmo, sua avaliação leva em conta diversos critérios: um deles é a proporção de áreas cobertas por florestas e, neste, o Brasil não está nada bem.

A área original da Mata Atlântica era de 1,36 milhões de quilômetros quadrados. De 1990 para cá, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados foi destruído, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que concentram 90% de toda a área da mata. A Floresta Amazônica também está caminhando para a destruição, graças, principalmente, ao surto desenvolvimentista da região, iniciado nos anos 60. Atraídos por incentivos fiscais, agropecuaristas instalaram grandes propriedades lá. Hoje, a ameaça também vem da ação dos extrativistas, que incitam a população local e derrubar árvores indiscriminadamente, alimentando o mercado do contrabando de madeira. De acordo com o INPE, a taxa média de desmatamento na Região Amazônica é de 18.427/ano de 1998 para cá.

Esses resultados também servem, indiretamente, para avaliar nosso desempenho no segundo critério desse sétimo objetivo, que é o da proporção de área protegida suficiente para preservar a diversidade biológica. Todo mundo sabe que o Brasil é um dos países com maior diversidade de espécies do planeta. Mas é preciso preservar as florestas nas quais essas espécies todas habitam.

Para tanto, existe o Sistema Nacional de Unidades de Conservação do IBAMA, que, como o nome indica, cria e mantém áreas destinadas à preservação de espécies. Algumas dessas unidades são parques, como, por exemplo, o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR). Hoje, há 728 unidades espalhadas pelo Brasil, sendo que 299 são administradas pelo Estado e as outras são reservas particulares, preservadas por seus proprietários com orientação e fiscalização do Ibama. Existem ainda as unidades de conservação municipais que, apesar de serem, em sua maioria, pequenas áreas, servem como uma importante malha que une grandes áreas administradas pelos governos federais e estaduais.

• Uma questão polêmica envolve a administração dos parques nacionais. Saiba mais lendo a entrevista que o portal fez com o coordenador geral de Unidades de Conservação do Ibama.




E PELO MUNDO AFORA...

• Em todo o mundo, 13 milhões de hectares de florestas são desmatados por ano para dar lugar a empreendimentos agropecuários. Boa parte dessa perda foi “reparada” por ações de reflorestamento. O problema é que áreas reflorestadas não têm o mesmo valor ecológico que florestas originais. Por exemplo: não adianta derrubar uma floresta que ajudava a preservar uma grande variedade de animais e depois reflorestar a área. A biodiversidade nunca mais será a mesma.

Uma agenda de desenvolvimento sustentável envolve também o uso inteligente dos recursos energéticos do país. Por exemplo: quanto menos energia um país utilizar para se desenvolver, e quanto mais “limpas” e renováveis forem as fontes de energia que alimentam esse desenvolvimento, melhor. Não dá para dizer que o Brasil consome pouca energia, ele está na média dos países chamados “em desenvolvimento”. Mas o nosso ponto forte é o tipo de energia que usamos: 43% das fontes são renováveis, quando a média mundial é de 14%. Aqui, emprega-se muito a energia hidrelétrica, o que, segundo ambientalistas, é bom. Houve aumento no consumo de petróleo, mas nosso país diminuiu sua participação proporcionalmente em relação a outras fontes.

Saiba mais sobre a matriz energética brasileira, lendo a entrevista que o portal fez com Enes Gonçalves e Wagner da Silva Lima, do Núcleo de Pesquisa em Processamento de Energia e Qualidade da Universidade Federal de Goiás.




E PELO MUNDO AFORA...

• A taxa que relaciona a quantidade de energia consumida ao desenvolvimento industrial dos países baixou 10% em todo o mundo, o que é ótimo.



Quanto à emissão de gases nocivos à atmosfera, a situação brasileira não é das melhores. Primeiro, porque os números nacionais mais “recentes” são de 1994. A impressão que se tem é que nossos governantes não estão nem aí para o problema. Segundo, porque as estatísticas indicam aumento da emissão de CO2 (5% entre 1990 e 1994), metano (6% no mesmo período), óxido nitroso (12%) e monóxido de carbono (1%).

Há dados mais atuais sobre gases CFC, com uma notícia boa e uma ruim: a boa é que a emissão diminuiu dois terços de 1992 a 2003; a ruim é que, para substituir os CFCs, as empresas dobraram a emissão de HCFCs, que, apesar de menos poluentes (não contribuem tanto para o aquecimento global), têm alto poder destruidor sobre a camada de ozônio. Não espanta saber que, no território brasileiro, a camada tenha diminuído 61% entre 1992 e 2003. O Brasil se comprometeu a eliminar a emissão de CFCs até 2010, e de HCFCs até 2040. Vamos cobrar, pessoal!



E PELO MUNDO AFORA...

• A emissão de CO2 continua a crescer em todo o mundo, mas aumentou especialmente nos países desenvolvidos.

Saneamento básico também tem relação com desenvolvimento sustentável. O tratamento de esgoto e o acesso à água potável são dois indicadores importantes para garantir a boa qualidade de vida da população. A oferta de redes de esgoto à população brasileira tem números ridículos: está disponível para 75% dos habitantes das cidades e para 17% dos que moram no campo. Apenas um terço de todo o esgoto é tratado. E quanto à água? O IBGE informa que 95% dos brasileiros têm acesso à água potável. Mas esses números são discutíveis.

Entenda por que, lendo a entrevista que o portal fez com a pesquisadora Débora Cynamon, da Fundação Oswaldo Cruz.




OS OBJETIVOS DO MILÊNIO SEM O RACISMO

Os negros são menos atendidos por serviços de água e esgoto. A diferença em relação aos brancos é de 19 pontos percentuais.




E PELO MUNDO AFORA...

• A cobertura mundial de serviços sanitários cresceu de 35% para 50% entre 1990 e 2004.
• 80% das pessoas têm acesso à água potável, mas há muita disparidade, principalmente entre regiões urbanas e rurais.

E, já que estamos falando em qualidade de vida, não dá para esquecer a questão habitacional. No Brasil, o principal problema continua sendo o das pessoas que, sem condições de terem uma casa decente, acabam morando em favelas, assentamentos, cortiços e loteamentos clandestinos. Há 6,6 milhões de brasileiros vivendo nessas condições, e metade deles se encontra nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Há gente morando até em áreas de proteção ambiental. Além de viverem “na pior”, essas pessoas acabam por causar sérios danos ao meio ambiente, que se volta contra eles quando acontecem desabamentos e enchentes.




OS OBJETIVOS DO MILÊNIO SEM O RACISMO

71% dos lares considerados “bons” são chefiados por brancos, contra 46% comandados por negros.




E PELO MUNDO AFORA...

• Você sabia que 2007 é o primeiro ano em que as estatísticas mostram mais da metade da população mundial vivendo em cidades?
• Na África Subsaariana e no oeste da Ásia, duas das regiões onde as cidades mais crescem atualmente, observa-se a formação de grandes concentrações de favelas.
• O único lugar, entre as regiões menos desenvolvidas, onde a população favelada “diminuiu” foi o norte da África: 0,15%. Fala sério: dá para chamar isso de “redução” de verdade?

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