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Bicicleta na cidade: + mobilidade + sustentabilidade
Ciclovia ou ciclofaixa?
Imagem: Marcello Casal JR/ABr
Ciclofaixa, uma faixa para bicicletas na mesma rua usada por carros: a melhor forma de integrar a bicicleta ao transporte urbano. | Imagem: Marcello Casal JR/ABr
Ciclofaixa, uma faixa para bicicletas na mesma rua usada por carros: a melhor forma de integrar a bicicleta ao transporte urbano.

Daniel e Carla Duc, ou simplesmente Ducs, como preferem ser chamados, são fãs da magrela. Há um ano, eles saíram de São Paulo para morar em Amsterdã, na Holanda. Lá, o principal meio de locomoção é a bicicleta. Surgida no século 12 como uma pequena vila de pescadores, a capital holandesa tem ruas estreitas e confusas. Casa com garagem? Nem pensar, já que os automóveis só surgiram no século 18. “Aqui, uma criança aprende a andar de bicicleta com pouco mais de um ano. Ela aprende a andar e a andar de bike praticamente na mesma época”, conta Daniel. Muito diferente da vida que levavam aqui no Brasil. Para eles, cidades como São Paulo não foram projetadas para pessoas. Pelo contrário, são hostis a elas. Locomover-se com carro na capital paulista já é um problema. Sem ele, então, é uma guerra. “Não usávamos a bicicleta em São Paulo. Simplesmente não era factível.” E quanto às ciclovias? As grandes cidades não estão repletas delas? Bem, na verdade, não. O número de ciclovias está longe do suficiente. Em São Paulo, há pouco mais de 30 quilômetros e sabe-se que muitas estão em condições precárias. Além disso, a maioria está localizada em parques (reforçando a ideia de que bicicleta só serve para passear). Em Curitiba, cidade que popularizou o conceito de ciclovia no Brasil no fim dos anos 80, há apenas 120 quilômetros delas. É muito pouco para uma cidade cuja região metropolitana já tem mais de 2 milhões de habitantes.

Outro problema é que os governantes estão acostumados com a ideia de que basta construir ciclovias e “tá resolvido”. O que também não é verdade. “A falta de ciclovias é o de menos, pois não é a ciclovia que protege o ciclista, mas, sim, a mentalidade dos motoristas.” Não apenas dos motoristas, mas de tudo o que se locomove, incluindo o pedestre. Uma das principais reclamações do ciclista urbano é que o pedestre não entende que a ciclovia é do ciclista e a invade, deixando absolutamente nenhum espaço para quem pedala. A não ser a rua. Na verdade, esta é a situação ideal: ciclistas e motoristas compartilhando a rua e deixando a calçada para o pedestre. Carro e bicicleta juntos numa mesma via? Isso funciona? “Em Amsterdã, a lei está do lado dos ciclistas”, diz Daniel Duc, explicando que uma forma de educação para o trânsito é o estabelecimento de penas rígidas. “Isso pode parecer pesado, mas o resultado é visível. Os motoristas são muito defensivos com os ciclistas e há pouquíssimos acidentes fatais.” Essa é a realidade de Amsterdã, uma sociedade onde a bicicleta sempre foi o veículo dominante. Na maior parte das vias, o que ocorre é o tráfego compartilhado, no qual carros, bicicletas, motos, ônibus — enfim, tudo o que tem rodas — dividem a rua.

Imagem: Marcello Casal JR/ABr
Estacionamento de bicicletas em Amsterdã, Holanda: penas rígidas para motoristas e uma cultura que privilegia o uso da bicicleta. | Imagem: Marcello Casal JR/ABr
Estacionamento de bicicletas em Amsterdã, Holanda: penas rígidas para motoristas e uma cultura que privilegia o uso da bicicleta.

E na sua cidade, onde os carros ainda são maioria? Uma medida muito importante é a implementação de ciclofaixas, que são bem diferentes das ciclovias. As ciclovias são isoladas das vias principais. Normalmente, retira-se um pedaço da calçada do pedestre e faz-se uma ciclovia. A ciclofaixa é, como o próprio nome diz, uma faixa para bicicletas na mesma rua usada por carros. É, na opinião dos cicloativistas, a melhor forma de integrar a bicicleta ao transporte urbano, pois a assume como um veículo, e não apenas como uma forma de lazer, e o faz de maneira segura. Conforme explica a jornalista e cicloativista Mariana Sanchez, que, em 2005, trocou o carro pela bicicleta, “é uma solução viável que já existe em países da Europa e até na Argentina. São faixas de trânsito de 1,5 a 2 metros de largura pintadas no bordo direito da via, indicando o uso preferencial de bicicletas. Não se trata de um espaço de uso exclusivo, apenas compartilhado, algo que o Código Brasileiro de Trânsito até já prevê, mas que ainda não se respeita.”



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