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Avaliação interna

Independentemente de estar ou não entre aquelas com Ideb mais baixo, a escola pode promover sua avaliação qualitativa interna. Essa avaliação, se feita com profundidade e visão crítica, pode gerar boas idéias. É assim que pensa a professora Benigna Vilas Boas. “Uma escola pode se desenvolver muito mais por meio da avaliação que ela faz de si mesma. A avaliação externa deve ser tomada como uma fornecedora de dados complementares.” Nara Salamunes, diretora do Departamento de Ensino Fundamental da Prefeitura de Curitiba, explica que estimula essa prática por lá. No ano passado, quando encaminhou os resultados do SAEB para as escolas, a Prefeitura enviou junto um roteiro de análise, orientando-as a considerarem os números dentro de seu próprio contexto social, cultural e econômico. A avaliação foi incentivada em todas as escolas, incluindo as que obtiveram os melhores resultados no exame.

“O professor e o diretor precisam tentar entender o que os dados do Ideb significam”, diz Maria Alice Setúbal, diretora-presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) e da Fundação Tide Setúbal (que promove estudos e ações em cidadania). Ela lamenta que essa não seja uma prática comum no Brasil. Há também muita desinformação, como diz a professora da rede pública do Distrito Federal Claudia Queiroz: “A gente não sabe o que vai acontecer. Há um problema de comunicação do MEC, das escolas, dos gestores e dos próprios professores. Não há discussão sobre os dados, e sobre para que eles vão servir. É como se o Ideb tivesse existido somente quando foi divulgado, mas, depois, esquecido”.

Mas será que as políticas públicas não estão sendo feitas “à distância”, sem uma participação efetiva dos professores, sem ouvir quem está na ponta? Afinal, fica difícil participar de um processo quando ele é apenas imposto. “O professor pode não ter participado da elaboração do decreto, mas a medida em si foi feita a partir de muitos debates e documentos feitos por profissionais de Educação de todo o Brasil”, rebate a secretária do MEC, Maria do Pilar. Quanto à falta de comunicação entre o Ministério e a ponta, ela informa que o site do órgão possui informações atualizadas sobre o processo, no link “Ideb: saiba como melhorar”, mas que é preciso que os dirigentes regionais também ajudem a disseminar a informação.

Benigna acredita na aproximação entre a universidade e a Educação Básica como uma possível solução para o hiato entre o Ministério e as escolas, bem como para o desenvolvimento de boas práticas de avaliação interna. “Eu e meus orientandos estamos sempre desenvolvendo pesquisas dentro das escolas, debatendo com os professores, ajudando, ouvindo sobre suas necessidades e dificuldades”. Mais importante que isso, afirma ela, é aproveitar esses momentos de aproximação para desenvolver pesquisas que possam ir além de constatar o que está ruim. “Chega de ‘denunciar o mau trabalho’. Precisamos de interação de verdade entre a escola e a universidade, precisamos de avaliações qualitativas que discutam efetivamente as possibilidades de melhoria.”

O MEC e a UNICEF lançaram recentemente o estudo Aprova Brasil, que mostra como 33 escolas que tinham tudo para não conseguirem alcançar suas metas (por estarem inseridas em contextos de vulnerabilidade) conseguem garantir o direito de seus alunos de aprender.

Confira o estudo Aprova Brasil

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bananeira com pneu.”
Avaliação interna
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