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O século XX e o fim do Império

Com o passar dos anos, a insatisfação com o governo foi tomando conta de praticamente todos os grupos sociais da Rússia. O povo queria reforma agrária, mudanças na economia, no sistema de governo (com maior representatividade popular) e nos direitos civis, entre outras. A gota d’água foi a guerra russo-japonesa, tentativa desastrada de invadir a Coréia e a China que resultou em uma vergonhosa derrota — a última grande derrota do exército russo tinha sido na Guerra da Criméia, contra a Grã-Bretanha, França e Turquia.

Em janeiro de 1905, milhares de cidadãos realizaram uma marcha em São Petersburgo em direção do Palácio de Inverno. Era uma manifestação pacífica, que pretendia entregar ao czar Nicolau II uma petição solicitando tais mudanças assinada por 135 mil trabalhadores. Nicolau não estava no palácio, e o grão-duque Sergei Alexandrovitch, que estava no comando durante sua ausência, não reagiu muito bem: soltou as tropas do palácio sobre a multidão, matando centenas de pessoas, no episódio que ficou conhecido como Domingo Sangrento. Pressionado e vendo sua popularidade cair, o czar decidiu ceder a uma das exigências da população. Decretou a implantação da Duma, uma assembléia eleita que, como se pode depois comprovar, não resolvia a falta de representatividade popular no governo. Em parte, porque os políticos que a formavam tinham pouca experiência no manejo do poder e também porque o governo não dava muita liberdade à assembléia. Por exemplo: quando a primeira Duma, eleita em 1906, propôs uma reforma agrária, o czar simplesmente a dissolveu. O mesmo aconteceu com a segunda, eleita no ano seguinte. As outras só conseguiram cumprir seus mandatos de cinco anos cada uma porque o governo deu um jeitinho de favorecer a entrada de pessoas que favoreciam os interesses do czar.

Mesmo assim, as Dumas conseguiram impor algum progresso ao Estado e tinham o apoio da opinião pública. A constante hostilidade de Nicolau a elas contribuiu para que o czar perdesse ainda mais popularidade. Ele deixou o poder provisoriamente em 1915, para liderar o exército russo que estava novamente “levando uma surra”, desta vez da Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial. Em seu lugar, assumiu a esposa Alexandrina que, influenciada por um beato obscuro chamado Rasputin, tomou uma série de medidas desastrosas. Rasputin foi assassinado em 1916 e, em 1917, o povo revoltou-se e foi às ruas — até mesmo os soldados de São Petersburgo aliaram-se a eles. O czar e seus ministros renunciaram ao poder, marcando o fim do Império Russo.

A Duma formou um Governo Provisório, mas teve de dividir o comando do país com os sovietes, conselhos populares que se formaram em toda a Rússia, com um comando central em São Petersburgo. Em meio a toda essa confusão, entrou em cena Vladimir Lenin, líder da revolução que plantaria as sementes da União Soviética.

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