Por César Munhoz Colaboraram Ederson Santos Lima e Priscila Pugsley Grahl
Filho de um inspetor de colégio, Vladimir
Lênin cresceu em uma casa com boas condições financeiras
e teve uma educação tradicional. Mas aos 17 anos, uma tragédia
mudou sua vida e sua visão do mundo: o enforcamento do irmão,
acusado de planejar a morte do czar Alexandre III. A partir daí, passou
a ser um ferrenho questionador do sistema da Rússia Imperial. Mas, ao
contrário do irmão, que pregava a revolução por
meio de atos individuais e anarquistas, Lênin imaginava meios de fazer
os trabalhadores chegarem ao poder coletivamente. Fortemente influenciado pelas
idéias de Karl Marx, Lênin foi autor de diversos estudos que se
tornaram essenciais para a compreensão do pensamento socialista. Foi
também quem traduziu, pela primeira vez, o Manifesto Comunista de Marx
e Friedrich Engels para o idioma russo. Seu posicionamento radical lhe valeu
a expulsão da faculdade (Lênin continuou estudando por conta própria
e se formou em direito), uma prisão e o exílio na Sibéria,
onde fortaleceu suas idéias de combate ao regime russo.
Enquanto as revoltas populares explodiam no
Império (e explodiam o Império), ele, que depois de solto refugiou-se
na Suíça, começou a planejar a tomada do poder junto com
os companheiros bolcheviques. Com a ajuda do governo alemão (que tinha
interesse em desestabilizar ainda mais a situação na Rússia),
Lenin conseguiu voltar a seu país e chegou bem no meio da confusão,
em 1917.
Bolchevique é o nome dado à facção
do Partido Operário Social Democrata Russo que pregava que os integrantes
da organização deveriam agir como ativistas revolucionários,
recorrendo às armas se fosse necessário. Eram liderados por
Lenin e seus opositores eram os mencheviques.
A governança do país estava
dividida entre o Governo Provisório — formado pela Duma,
último resquício do tempo dos czares — e os sovietes, conselhos
populares que se espalhavam por toda a Rússia. Foi no Soviete Central
de São Petersburgo que Lenin encontrou espaço pra levar suas idéias
em frente, conseguindo que alguns bolcheviques (que a essa altura do campeonato
já constituíam um partido à parte) conquistassem cargos-chave.
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Saiba mais sobre os acontecimentos pré-revolução
Nem mesmo a proibição das atividades
da facção bolchevique e um novo exílio de Lenin conseguiram
parar a Revolução de Outubro de 1917, quando os bolcheviques invadiram
os prédios públicos, prenderam os integrantes do Governo Provisório
e tomaram o poder. Com a ausência de Lênin, o grupo foi liderado
por Leon Trotski, que, assim como seu companheiro, foi também um dos
principais teóricos do movimento socialista, desenvolvendo a idéia
- original de Marx - da “revolução permanente”, que
prega um combate total ao modelo capitalista. A partir daí, os bolcheviques
ganhariam outro nome: Partido Comunista da União Soviética.
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