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O “nascimento” do Oriente Médio e a dominação imperialista


Por: Ederson Santos Lima

Ao pensarmos no ideal pan-arábico ou nacionalismo árabe ou ainda arabismo, é importante deixar claro o que vem a ser a região que denominamos de Oriente Médio e que congrega grande parte dos países árabes e/ou islamizados.

O termo Oriente Médio foi cunhado pelos britânicos para designar uma região que ficava entre o Mar Mediterrâneo e as fronteiras da Índia, então colônia inglesa. A região hoje conta com, aproximadamente, 230 milhões de pessoas, que professam as três grandes religiões monoteístas além de outras crenças que possuem um número menor de adeptos. São falados na região pelo menos seis idiomas, além de diversos dialetos, entre as mais diferentes etnias.

Outra questão que, de certa forma, é relevante para compreendermos a região é a distinção entre árabe e islamizado. Inicialmente, eram considerados árabes apenas aqueles habitantes da península da Arábia. Hoje são enquadrados nesse termo todos aqueles povos que, ao serem dominados pela expansão árabe, adotaram a língua e a cultura desse povo originário da península, tais como a Argélia e o Marrocos, que se encontram no norte da África. Com relação ao termo islamizado, ele é utilizado para aqueles povos que adotaram a religião islâmica, porém mantiveram sua língua e seus costumes originais, como é o caso do Irã, que até hoje adota o persa, e a Turquia, que utiliza o turco. (Grinberg, p. 100).

Como destaca Grinberg, “de um modo geral, são árabes aqueles que se identificam com a língua, a cultura e os valores dos árabes, e são muçulmanos aqueles que seguem a religião do islã, fundada por Maomé.” (p.101)

A região foi dominada pelos turco-otomanos do século XVI até o fim da Primeira Grande Guerra (1914-1918), quando o Império Turco-otomano foi derrotado, extinto e redividido pelas potências europeias (França e Inglaterra).

Durante essa fase, já no final do século XIX, período de decadência do Império Turco, surgiram as primeiras ideias que formariam o pensamento pan-arábico. Para alguns, a ideia pan-arábica teria surgido nos meios literários e intelectuais da cidade de Damasco. Um dos movimentos, que foi além da teoria, foi liderado por Hussein, que pretendia estruturar um Reino Árabe incluindo a Arábia, a Síria, o Iraque e a Palestina. Nessa luta pelo Reino Árabe e contra os turco-otomanos, Hussein teve a ajuda do famoso Lawrence da Arábia, um coronel britânico que apoiou e ganhou o respeito dos povos árabes.

Com o fim da Primeira Guerra, o território do Império Turco-Otomano foi dividido entre franceses e ingleses. A Turquia tornou-se uma república independente, a Síria ficou sob mandato francês; o Iraque e a Transjordânia (transformada em Jordânia em 1948) sob domínio britânico e dada aos filhos de Hussein, Faissal e Abdallah. A Arábia Saudita acabou sendo “fundada” por Ibn Saud, um líder religioso e político da região. (Grinberg, p. 104).

Portanto, o sentimento pan-arábico — que a princípio (final do XIX e início do XX) se voltava contra a dominação turca — passou a atacar o imperialismo europeu que dominou a região. Para completar o quadro, é importante destacar o movimento sionista que comprava muitas fazendas na região da Palestina e também era visto por muitos como um braço imperialista europeu na região. Formou-se, então, o quadro extremamente complexo para os defensores de um “nacionalismo árabe”.

Crédito: Portal Educacional

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